



 No calor do amor
  Penny Jordan
  Expecting The Playboys Heir
  As Amantes do Jet Set 2


   Silas Carter  um bilionrio americano e solteiro, convidado para todas as festas de celebridades. O amor no est nos planos dele, mas um casamento de convenincia
sim! Julia Fellowes  bonita, bem relacionada e a esposa perfeita para Silas. O prazer de lev-la para a cama ser somente um bnus.
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   CAPITULO UM
   
   Lbios suaves como o toque das asas de uma borboleta, porm muito mais sensuais, tocavam-lhe a nuca, a mo masculina pousada no ombro, cercando a intimidade sigilosa, 
antes do sussurro ao ouvido.
   - Volto j. No v embora.
   No se mexera, nem para girar a cabea para olh-lo, e no se mexeu agora. Principalmente porque no podia. Julia percebeu que tremia. s vezes, no era mais 
do que uma das scias na organizao de um evento. E era o caso nesse momento.
   Todos que eram algum no mundo da celebridade estavam aqui em Majorca, na Espanha, lotando a exclusiva quinta, uma casa de frias, geralmente alugada para o 
mais famoso casal de astros de Hollywood. A-List Life, a revista responsvel pelo pagamento dessa "festa" particular, ostensivamente oferecida para celebrar o primeiro 
ano das bodas do casal, os descrevera como sendo a Realeza Hollywoodiana. Enquanto os "amigos" celebridades, cuidadosamente selecionados, "comemoravam"; o dono 
e editor da revista, Dorland Chesterfield, entrevistava o feliz casal e os fotgrafos se misturavam aos convidados.
   Julia decidiu que seria sarcstica. Lucy, a amiga e dona da firma de eventos Prt a Party, ficara animada com essa incumbncia, e era fcil entender o motivo. 
Dorland era um milionrio e a pessoa mais influente no cenrio de eventos sociais. Ser contratadas para organizar qualquer evento que a revista patrocinasse - no 
importava que fossem selecionadas, como foram, para organizar a mais fabulosa e badalada festa de fim de vero oferecida por Dorland - era uma forma de ganhar dinheiro 
fcil, atravs das futuras encomendas, como Nick, marido de Lucy, dissera. Julia franziu a testa ao lembrar dos comentrios nada gentis que Nick fizera sobre Dorland.
   - O homem  um caa-astros gordo e sem crebro... se for homem - disse quando Dorland se aproximou deles pela primeira vez.
   - Isso no  verdade, Nick. - Julia logo defendeu Dorland.
   Sim, Dorland estava ligeiramente acima do peso. E era verdade que havia rumores de que se submetera a uma cirurgia para troca de sexo antes de explodir na cena 
social e lanar a revista. Mas no se podia provar a fofoca nem a especulao sobre sua preferncia sexual. Entretanto, Julia suspeitava que ele fosse uma dessas 
pessoas assexuadas. Embora estivesse rodeado por gente de ambos os sexos, todos vidos por ascenso social, graas ao sucesso da revista, ningum nunca foi capaz 
de dizer nada sobre seus envolvimentos sexuais ou parceiros. Julia acreditava que Dorland reservava toda a sua paixo pelo grande amor da sua vida, que era a fama 
e todos os que a alcanavam. Qualquer que fosse sua sexualidade, Dorland sabia explorar a psique feminina e ainda tinha o dom de massagear um ego vulnervel e famoso 
a ponto do astro mais inatingvel baixar a guarda perto dele.
   A verdade era que Dorland apreciava e admirava os famosos. E os astros, percebendo isso, se rendiam  revista dele com artigos exclusivos que faziam os outros 
editores se morderem de inveja. Nick o detestava e o desprezava, mas Julia se perguntava se no era inveja do sucesso e da riqueza de Dorland.
   Julia, no Nick, foi quem teve a dor de cabea de organizar e coordenar os dois eventos extravagantes para os quais Dorland os contratou. Incluindo lidar com 
egos gigantescos. Nick conseguiu ficar longe com a desculpa de procurar novos negcios ou entrevistar possveis clientes quando todo o trabalho estava por fazer. 
Mas Nick estava aqui hoje. Uma mistura de dor e culpa deixou o corao de Julia apertado.
   Houve uma poca em que sonhava que os dois poderiam ser um casal. Um sonho que nunca se tornou pblico, existindo somente no corao da moa. Quando Nick a trocou 
por Lucy, logo depois que Julia os apresentou, Julia fez o melhor que pde para esconder como se sentia. Assegurou-se de que se o corao estava to machucado a 
ponto de nunca se recuperar, ento era problema dela.
   A escolha da palavra problema a deixou desgostosa. Nick podia t-la perseguido e lisonjeado, mas as coisas no passaram de alguns poucos beijos apaixonados e, 
graas a Deus, no teve tempo de confidenciar s amigas sobre o que sentia por aquele homem. Mas recentemente Nick comeara a reclamar de que o casamento estava 
em dificuldades e que cometera um erro. Lucy tambm, embora fiel ao marido e ao casamento, comeou a parecer tensa e infeliz.
   Depois de uma olhada completa para se certificar de que nada lhe requisitava a ateno, Julia estava prestes a entrar e checar o progresso da entrevista de Dorland. 
Foi quando Nick apareceu por trs e, mais uma vez, colocou a mo sobre o ombro nu, acariciando a pele suave e ligeiramente bronzeada da moa.
   - No, Nick - advertiu-o. Ignorou-a, murmurando;
   - No? No o qu? No pare? Sabe que quer isso tanto quanto eu.
   - No  verdade - negou com firmeza. - Voc  casado com Lucy.
   - No me recorde.
   Julia recuou automaticamente. No queria ouvir essas palavras, assim como no queria estar nessa situao. Mas Nick continuava segurando-a, diminuindo a distncia 
entre os dois enquanto sussurrava:
   - Lembra de como era bom? Por que se contm? Por que no nos divertimos se  isso que queremos? Poderia ir ao seu quarto mais tarde. Ningum precisa saber, 
e...
   - No! Acabou tudo entre ns. E no vou mudar de opinio.
   - Oh, vai sim. Sabe disso assim como eu. Abaixou a cabea na direo dela e logo a beijaria.
   Pnico e culpa dominaram Julia. A ltima vez que Nick a beijou foi debaixo de uma lua tropical, no jardim de um hotel luxuoso, onde se encontraram, e onde a moa 
assumiu que seriam namorados. Mas ao final das frias, Nick declarou que amava Lucy. E foi com quem se casou. Lucy era a esposa. E uma das duas amigas mais ntimas. 
No trairia aquela amizade de jeito nenhum. Todo casamento passa por crises. De alguma forma, pretendia se afastar de Nick, mas acabara de dar alguns passos quando 
sentiu a mo masculina segurando seu brao com fora.
   - No, Nick.  verdade o que falei - disse com firmeza, sem se virar.
   - Falou? Certamente, ele no parece pensar isso... e nem eu!
   - Silas!
   Entrou em choque enquanto observava, surpresa, o homem segurando-a.
   - Quanto? - comeou, sendo interrompida com uma eficincia cruel.
   - Quanto ouvi? Tudo - contou-lhe sucintamente. - H quanto tempo isso vem acontecendo?
   - No est acontecendo nada.
   A forma como Silas fitou Julia - olhos azuis pequenos, jeito cnico - refletia descrena. A moa podia sentir a velha mistura de raiva e antipatia tomando conta 
dela.
   -  verdade - insistiu. - Conheci Nick antes dele conhecer Lucy, e o relacionamento ao qual se referia era a esse do passado... e voc no tem nada a ver com 
isso.
   - Um relacionamento que ele acredita que voc quer retomar - comentou Silas.
   - Bem, ele est errado. Porque no quero.
   A forma como a olhava aumentava sua raiva. Nunca se deram bem. S o tolerava porque Silas herdaria o ttulo e as terras do av. Se estivesse no lugar deste, 
duvidava que fosse capaz de aceitar o forasteiro americano que, por descender do irmo mais novo do av, um dia herdaria o ttulo e as terras. Mas a neta no era 
otimista.
   - Mas voc o quer. - Era mais um insulto do que uma pergunta.
   - No! - disse, furiosa. - Nick  casado com Lucy. E ela  a minha melhor amiga.
   - Sei disso. Mas tambm sei que vai fazer de tudo para que ele saiba que no est disponvel.
   Julia j aturara demais.
   - Fazer o qu, exatamente? - perguntou com raiva. Silas deu de ombros de uma forma que somente um homem muito alto, musculoso e msculo poderia fazer. E, como 
sempre, ao ser forada a reconhecer-lhe a masculinidade, uma onda de incerteza se desencadeava, fazendo com que sentisse antipatia por aquele homem. No tinha o 
direito de ser to sexy. De alguma forma, era errado que um homem que a fazia sentir-se pior, assim como Silas fazia, pudesse ter o fsico capaz de levar mulheres 
a reagir como adolescentes.
   - Fazendo o que puder. At desistindo do seu emprego...
   - No farei isso - Julia o interrompeu, irritada. - Principalmente porque Lucy j perdeu Carly, agora que est casada com Ricardo e esperando um beb, no posso 
ir embora tambm.
   - ...ou fazendo com que Blayne tenha certeza de que no est disponvel.
   - J lhe disse que no estou.
   - Mas, como ele pode ver, voc est. Por outro lado, se houvesse outro homem em sua vida...
   - Mas no h.       
   - Ento, encontre um que no se oponha a fingir que est com voc, o tempo que for necessrio, para afastar Nick Blayne.
   - O qu? Quem?
   - Eu.
   - O qu? - Julia balanou a cabea, negando a proposta violentamente. - Voc? No. De jeito nenhum. Nunca. De qualquer modo, todos sabem que nos detestamos.
   - No se ouve dizer que alguns casais descobrem que o que pensavam ser amor era dio? Ento, por que no poderamos ter descoberto o contrrio?
   - No posso acreditar no que estou ouvindo. Voc realmente espera que eu concorde em fingir que estamos namorando?
   - Pensei que tinha dito que queria proteger o casamento de Lucy.
   - Quero, mas no me oferecendo em sacrifcio para ser devorada por voc.
   - Que imaginao! Embora confesse que a idia de voc se oferecendo...
   - No iria. No a voc. Nunca.
   - Mas iria para Nick Blayne?
   - No!
   - Ento, prove.
   Julia olhou furiosa para Silas.
   - O que significa isso, Silas? O que quer? - perguntou, objetivamente. - E o que faz aqui? Odeia esse tipo de coisa.
   - Estou aqui por sua causa. - Deu de ombros novamente, e o movimento dos poderosos ombros embaixo do terno de linho formaram imagens de ombros masculinos nus, 
brilhando  luz da manh enquanto o dono curvava o corpo igualmente nu sobre o dela.
   Silas nu! Tal imagem no pode ser um tabu, mas certamente no era a forma como Julia costumava pensar nele. Ser que era o tipo de coisa que acontecia aos vinte 
e poucos anos quando a sua vida sexual  um deserto rido, refrescado somente com as reprises do seriado televisivo Sex and the City! E se recusando, terminantemente, 
a estudar os anncios na parte de trs de revistas de luxo para fornecedores de brinquedos erticos?
   - Oh, sim. Claro - concordou ironicamente, logo afastando aquelas inesperadas imagens mentais erticas.
   Mas antes que pudesse perguntar-lhe o motivo real dele estar ali, Silas disse friamente.
   - Deveria usar um chapu nesse calor. Seu rosto est queimando.
   Talvez estivesse, mas o calor que irradiava no tinha sido causado pelo sol, Julia admitiu para si mesma. Esse era o problema com Silas. Ao mesmo tempo em que 
a enchia de desgosto e de suspeitas, a moa no conseguia deixar de consider-lo como homem. E no como um qualquer, mas um perigosamente sexy.
   - O que realmente quer? - perguntou.
   - Bem, por um lado, quero que seu av continue em paz e com boa sade. Ambos sabemos o quanto ficaria aborrecido se aparecesse nos jornais que a adorada neta 
estava envolvida num tringulo amoroso. E por outro... Digamos que seria conveniente ser visto com uma namorada.
   Silas decidira, do seu jeito, e no interessava conversar com Julia sobre Aime DeTroite e os problemas que essa mulher lhe causava. No havia necessidade da 
moa saber. E como Aime continuava a se intrometer na vida dele, Silas esperava que a descoberta de que estava ligado a Julia seria uma mensagem clara para a srta. 
DeTroite perceber que perdia tempo. Essa no era a nica nem a mais importante razo que tinha para estar fazendo isso.
   - Bem, ao menos no afirmou que me quer - disse Julia.
   - Gostaria que eu afirmasse isso?
   Dizer ou sentir isso? Julia sentiu o corao ricochetear.
   - Deve valer a pena, s pelo prazer de pagar para ver - disse, docemente.
   - Como Blayne estava fazendo com voc? - desafiou Silas.
   - O que disse a Nick era verdade - disse Julia, irritada.
   - Ento, prove.
   - No tenho que provar nada a voc.
   - Talvez no a mim - concordou, naquele jeito zombeteiro que a deixava furiosa. - Mas acho que deve provar algo a Lucy. Sua amiga estava ao meu lado quando Blayne 
beijou seu pescoo.
   Imediatamente, olhou abaixo do ombro de Silas de forma que pudesse ver Lucy conversando com o editor.
   - Ela o viu? - perguntou, preocupada.
   - Sim.
   Lucy, a amiga de uma vida inteira. Aquela que sempre lutava para esconder o jeito frgil e vulnervel. Ficaria destruda s em pensar que o marido a enganava 
com sua melhor amiga. No permitiria que isso acontecesse de jeito nenhum, no importava o sacrifcio que precisasse fazer.
   - Muito bem, ento. Farei isso - disse, impetuosamente. Valeria a pena proteger o casamento da amiga? E amenizaria a prpria culpa?
   - Ah! Aqui est!
   Julia esperava que a sua fisionomia no a trasse, mostrando o quanto se sentia desconfortvel diante de Silas. Embora o homem tenha se dirigido a ela de forma 
carinhosa, o porte fsico aliado ao cumprimento caloroso, rouco, de alguma forma sensual, e o brao ao redor dos ombros dela, a deixavam embaraada.
   - Sentiu minha falta?
   Duas palavras e uma olhadela, focando os olhos de Julia e depois, abaixando at a boca, um leve toque de dedos masculinos no cabelo dela. Silas deveria ter sido 
ator. Merecia o Oscar de melhor atuao.
   Lucy e Dorland Chesterfield estavam to surpresos que no adivinhariam que os amigos representavam. A excitao era demais para perceberem qualquer coisa que 
no fosse o que Silas queria que vissem.
   - Julia! - gritou Lucy. - Por que no contou? Dorland enxugou o rosto suado com um leno.
   - Oh, que fofoca deliciosa. Bilhes de dlares, um ttulo. Perfeito.
   - Dorland... - comeou Julia, apreensiva, mas a cautela se perdeu nas palavras de Silas.
   - No nos conhecemos h muito tempo, certo?
   Virou-se na direo dele. De repente, sentiu-se tonta, perdendo os sentidos, enquanto o corao batia devagar. Como ele pretendia parecer arrogante e extremamente 
masculino como sempre foi? Ele a mirava com um olhar to sensual, faminto, que a fez recuperar a cor.
   - Julia, voc est ficando corada! - exclamou Lucy, rindo.
   Ridculo!
   - Dissemos que ainda no tornaramos pblico... lembra? - disse a Silas, forando-se a suavizar a voz enquanto revidava o olhar, embora no to ardente nem receptivo.
   - No sabia que tnhamos combinado isso - retrucou Silas, fazendo Lucy rir.
   - S a forma como olha para Julia j diz tudo, Silas. Se o olhar de um homem pudesse dizer Eu te amo e te quero na minha cama, o seu j teria dito.
   - Foi por um instante - respondeu Silas, descaradamente, e Julia ansiava por privacidade para lhe dizer o que pensava sobre o entusiasmo dele com relao ao 
novo papel.
   - Vai ter que se dedicar menos  Fundao e passar mais tempo com Julia - acrescentou Dorland.
   Julia o olhou triunfante e esperou. Silas nunca faria aquilo. A mo dele estava agora no pescoo da moa. O homem brincava com o cabelo dela. A moa lutava contra 
o desejo de se render quele toque, pedindo mais e mais.
   -  o que pretendo fazer. De fato,  exatamente isso que estou fazendo. De agora em diante, onde Julia for, vou tambm.
   - No pode fazer isso - objetou Julia, apavorada. - Estou trabalhando.
   Os dedos fortes no estavam mais acariciando, porm pressionavam, avisando.
   - Claro, mas no vinte e quatro horas por dia. E quando no est trabalhando...
   - Silas, no se atreva a tir-la de mim at o fim do ano - implorou Lucy. - Temos tanto trabalho que no poderia ficar sem ela... principalmente agora que Dorland 
nos pediu para organizar a grande festa de vero.
   - Vai t-la at o fim do ano - concordou Silas. - Mas, como disse, onde ela for, vou tambm... e o tempo livre dela  meu.
   Lucy desatou a rir.
   - Silas, voc deve estar apaixonado. Pensei que detestasse festas e grandes eventos.
   -  verdade, mas amo Julia mais do que detesto as festas.
   - Querido, no posso deixar que faa tanto sacrifcio. No precisa fazer isso. Ficaria entediado, andando por a  minha espera. Alm disso, vamos passar o resto 
de nossas vidas juntos. - Sorriu. Podia ver o brilho nos olhos de Silas. Mas no voltaria atrs.
   - Como poderia ser um sacrifcio ficar com voc? - O brao de Silas estava ao redor da cintura de Julia, mantendo-a contra si. Diminura a distncia entre os 
dois.
   - No vou mudar de idia. A menos que Lucy se oponha, onde voc for, eu vou.
   - Claro que no me oponho - garantiu-lhe Lucy.
   - O prximo evento  a festa dos Silverwoods, uma combinao das Bodas de Prata do casal com os dezoito anos do filho. Esse evento ser gigantesco. - Hesitou. 
Disse, ento, timidamente. - Nick mencionou que voc gostaria da ajuda dele...
   - No! Quero dizer, no h necessidade. - No podia revelar a Lucy que no dissera tal coisa, e que o marido dela mentira. - Nick deve ter interpretado errado 
o que eu disse.
   A amiga parecia aliviada e sorria, mas Julia notou que Silas no refletia a reao de Lucy.
   - E no se esquea da minha festa de fim de vero - interrompeu Dorland.
   - Sim, Julia est fazendo isso - concordou Lucy.
   - Bom. - Ser que a voz e o rosto demonstravam a ansiedade e a chateao que sentia? - Mas agora  hora do bufe ser servido e ainda tenho que providenciar o champanhe 
para o brinde e checar se tudo est pronto para a queima de fogos. Ento, se me derem licena...
   Virou-se para ir embora e descobriu que no podia. Silas entrelaara as mos de ambos como se fossem namorados e Julia estava presa. Indignao relampejava no 
olhar irado que lanou quele homem, transformando os olhos cor de mbar em um dourado brilhante. Mas ele ignorava a raiva, assim como o balanar de cabea que 
demonstrava a rejeio da moa quela atitude.
   - Silas - comeou, com os dentes cerrados, mas parou quando o homem ergueu as mos entrelaadas at os lbios e depois a soltou, dando-lhe um beijo sensual na 
palma da mo. Choque, calor e uma onda de luxria tomaram conta de Julia, deixando-a alvoroada e conscientizando-a de que os joelhos realmente enfraqueceram e 
que o desejo era uma coisa insondvel e traioeira. Quando Silas a soltou, o corpo estava tonto e instvel como se tivesse consumido uma garrafa inteira de champanhe.
   Os fotgrafos de Dorland transitavam por todos os lugares,  caa de celebridades para fotos que os leitores da revista examinavam minuciosamente. E assim tambm 
havia as legies de relaes-pblicas, maquiadores, cabeleireiros, personal trainers, camareiras, astrlogos. Nenhum superastro de bom senso sonharia em estar sem 
a prpria comitiva.
   O p branco, to apreciado pelos idiotas e famosos, estivera em evidncia durante o grande evento, e Julia perdeu a conta do nmero de vezes em que o recusou.
   Para os que adoravam ler revistas de celebridades, o estilo de vida dos astros parecia ser invejvel e encantador. Mas a realidade era que, por debaixo do brilho 
e da agitao, se escondia um abismo profundo e escuro no qual o astro de hoje pode facilmente desaparecer e ser esquecido.
   - Graas a Deus, a Tiffany cedeu e permitiu que Martina pegasse emprestado aquele colar de diamantes que tanto desejara - ouviu o comentrio de Dorland.
   - S graas a voc - ressaltou Julia, determinada a no olhar para Silas.
   - Bem, como disse s duas, perderiam uma maravilhosa oportunidade de publicidade se recusassem - concordou Dorland.
   - Talvez estivessem mais preocupadas com a possibilidade de perderem alguns milhes de dlares, quantia equivalente ao valor do colar de diamantes - Silas ressaltou, 
seco. - Afinal de contas, no seria a primeira vez que uma estrela "perde" uma jia valiosa conseguida atravs de um emprstimo.
   - Oh, Silas, que falta de delicadeza! - comentou Dorland, fazendo beicinho. - Que tipo de anel vai dar  nossa Julia? Algo novo e brilhante? Ou ser uma relquia 
de famlia? Ouvi dizer que recuperou quase tudo que o seu trisav perdera no jogo... pagando o suficiente para cobrir a dvida nacional de um pequeno pas - acrescentou.
   - Silas, voc no fez isso, fez? - protestou Julia.
   - O conjunto de safiras e diamantes que nossa trisav ganhou no dia do noivado tem valor histrico considervel, e recuper-lo era um projeto valioso.
   O olhar de Julia cresceu.
   - Tudo isso?
   Um certo maraj indiano presenteou a noiva com as jias. Os registros familiares que o av lhe mostrara, quando lhe contou a histria, listavam o presente como 
constando no somente do colar, brincos, braceletes e tiara, mas com pentes e escovas combinando com as jias, alm de vidros de perfume e um estojo cravejado de 
pedras preciosas. O colar tinha sete safiras nicas, tanto em relao  cor quanto ao tamanho.
   - Tudo isso - concordou Silas.
   - Ah, Julia, que sorte. Tem um bilionrio. Que divertido!
   Divertido? Silas? Julia no achava. Nunca imaginaria usar uma palavra to leve como divertido em relao a um homem que era perigoso, de peso. Como seria na 
cama? A curiosidade a pegou despreparada com essa pergunta provocante.
   - Devo ir. Tenho uma reunio com o pessoal de relaes pblicas - contou essa lorota para escapar.
   Dentro da casa, o "casal feliz" continuava sendo entrevistado. Amor! Quanto mais velha ficava, menos acreditava que isso existisse. Julia refletia cinicamente 
sobre esse assunto enquanto se dirigia ao pessoal do servio de bufe para avis-los de que j estava na hora de comear a servir a refeio.
   A quinta alugada para a festa pertencera a um excntrico colecionador de arte que mandara constru-la no incio do sculo vinte, para alojar uma coleo de arte-fatos 
gregos e romanos. De frente para o mar, com um design que lembrava o estilo romano, a casa era cercada por um jardim com colunas de mrmore.
   O plano era o seguinte: no momento do pr-do-sol, o casal reafirmaria os votos de casamento no terrao, de frente para o mar. A luz do sol seria substituda pela 
luz de mil e uma velas dentro da casa e no ptio interno. Tiveram problemas para convencer os proprietrios a concordar com as velas, e Julia esperava conseguir 
acender todas ao mesmo tempo. A idia era que a primeira em cada dez acendesse logo, depois a segunda, e continuando assim at que todas queimassem. Tudo tinha 
que funcionar.
   A palma da mo, onde Silas beijara, formigava. Lembrava da forma como a ponta da lngua acariciara a pele, com erotismo, lhe proporcionando prazer. Silas parecia 
ser um amante talentoso. Mas seria sensual e apaixonante? Atenderia aos desejos que suscitava na parceira? No que estivesse interessada em saber. No tentaria seduzi-lo 
nem bajul-lo de jeito nenhum. Sabia que, por enquanto, Amberley era a casa dela. Mas, um dia, pertenceria a Silas.
   Agora, no era a perda de Amberley que a machucava, mas a perda do av. A me era filha do segundo casamento, e ele estava com setenta e poucos anos, o corao 
fraco devido ao ataque que sofrera h um ano e meio. Era to precioso para Julia, e to amado. O av tinha sido a influncia masculina necessria  vida dela quando 
os pais se separaram. Dera um lar  filha e  neta. A filha casara novamente h trs anos. E, embora a neta gostasse do padrasto, este nunca tomaria o lugar do av.
   O que exatamente Silas queria dizer ao afirmar que lhe era conveniente ter um relacionamento? Um dia, teria que se casar, se quisesse providenciar um herdeiro 
para Amberley - e Julia tinha certeza de que ele faria isso. Estava na faixa dos trinta anos, e no era o tipo de homem que vacilaria ao ter que dizer a uma mulher 
que o relacionamento chegara ao fim.
   Silas tambm crescera sem a figura paterna. No porque os pais se divorciaram, como aconteceu com os de Julia, mas porque morrera num acidente de barco quando 
ele era um beb com poucos meses de vida.
   Olhou para o cho, no querendo pensar em Silas como um beb vulnervel e rfo de pai. Depois, franziu a testa ao observar os prprios sapatos. Fazer compras 
era o seu calcanhar de Aquiles, e sapatos sempre foram sua perdio. Ainda tinha, nas caixas originais, as lindas sapatilhas que, quando criana, persuadira a me 
a comprar. E, amanh de manh, esperava ir a uma loja onde disseram ser possvel escolher amostras exclusivas de sapatos de um dos mais jovens e famosos estilistas 
do momento.
   O sol comeou a se pr. O casal surgiu nas escadas do prtico da casa. A esposa encostada ao marido que a admirava. Apresentavam uma imagem muito diferente daquela 
que Julia presenciara mais cedo. A mulher gritava com o marido, acusando-o de traio, enquanto o homem reclamava de tanto egosmo e se surpreendia como a esposa 
notara.
   - Teria sido difcil no notar, querido. No quando a vadia em questo era a minha manicure. A no ser que estivesse fazendo as suas unhas quando o encontrei 
com ela no quarto.
   Agora, a figura delgada - mantida, segundo rumores, a base de um rigoroso regime e de remdios, reforada por uma cirurgia plstica - se curvava ao marido, 
que mantinha uma das mos no quadril da esposa.
   Julia ouviu a amiga suspirar de tristeza. Pobre Lucy, casada com um homem que no respeitava a esposa nem os votos que fizera. E, falando nisso, onde estava Nick? 
Automaticamente, Julia virou a cabea para procur-lo, e quase deu um pulo ao ouvir Silas perguntar:
   - Procurando algum?
   - Sim, voc, querido - respondeu com doura.
   - Garotas, isso  maravilhoso - comentou Dorland entusiasmado ao se dirigir s duas, secando o suor do rosto com um grande leno.
   O sol estava se pondo, os fotgrafos continuavam ocupados, clicando o casal que reafirmava os votos de casamento, e as luzes das velas brilhavam na escurido 
do Mediterrneo. Silas assistia e murmurou:
   - Que farsa.
   -  para ser romntico e simblico - salientou Julia.
   - Me admira que tenha feito seguro para uma coisa dessas - comentou Silas.
   - Nick lidou com o seguro - explicou Julia, antes de perguntar:
   - Falava srio sobre ns com Dorland e Lucy?
   - Que parte?
   - O pedao em que disse "Aonde Julia for, eu vou".  ruim que tenha dito isso a Dorland...
   - Por qu?
   - Por qu? - Olhou-o descrente. - Silas, Dorland  o dono da revista A-List Life. Publica coisas ntimas que as pessoas querem manter em segredo.
   - Como voc e Nick Blayne? Julia sibilou, irritada e descrente:
   - No h nada entre ns.
   - Blayne no pensa assim. O que seria melhor, Julia? Dorland publicar um tmido comunicado de que voc e eu estamos namorando, ou insinuar que voc e Blayne esto 
tendo um caso pelas costas da mulher dele?
   - Nenhum deles -- disse Julia. - Silas, voc vai dizer alguma coisa a Dorland e... diga que ainda no quer que ningum mais saiba sobre ns.
   - Com o material fotogrfico que Dorland reuniu aqui, somos a ltima coisa que vai interess-lo - disse Silas.
   - Ei! - Julia o silenciou, dando uma olhada ao redor para se certificar de que ningum estava perto o suficiente para escut-lo. - O negcio de Lucy depende 
de pessoas assim. E, uma vez que trabalho para ela, essa  a minha funo. - Notou o olhar zombeteiro e perguntou: - Qual o real motivo disso? Recuso-me a acreditar 
que pretende passar os prximos seis meses me policiando s porque no quer ver Lucy magoada ou porque no aprova casos extraconjugais.
   - Ento, voc tem um caso com Blayne? Julia expirou e o fitou furiosa.
   - Isso  tpico em voc... distorcer o que digo de forma que sirva aos seus propsitos. No tenho nada com Nick.
   - Ok, talvez tenha ido longe demais, descrevendo isso como um caso. Transou com ele e quer repetir a dose... melhor assim?
   - No. Silas, tenho vinte e seis anos... no dezesseis.
   - O que isso significa?
   - Significa que j estou madura o suficiente para ter perdido iluses a respeito de como o sexo realmente . Uma menina de dezesseis anos pode ficar deslumbrada 
e os hormnios podem enlouquec-la a ponto de acreditar que o sexo a transporta para uma outra dimenso maravilhosa. Mas uma mulher de vinte e seis anos sabe a 
verdade.
   - Qual?
   Julia deu de ombros.
   - Que o tipo de sexo que fantasiamos quando adolescentes  s isso: fantasia. Satisfao sexual no  uma experincia de troca que transporta voc para um tipo 
de paraso fsico, nico. E no vale a pena trair uma amizade como a minha e a de Lucy por causa disso. Mas ningum quer admitir isso. No estou dizendo que sexo 
no seja agradvel. S estou falando que, depois de construir essa fantasia, a realidade pode decepcionar.
   -  uma teoria interessante, mas ningum, suponho, divide os seus pares.
   - Cada vez mais, mulheres na faixa dos trinta anos que se relacionam com algum, dizem que o sexo no as interessa mais.
   - A julgar pelas baboseiras dessa noite, a maioria dos convidados no concorda com voc.
   - A maioria est fora de si devido  bebida ou s drogas... ou as duas coisas.
   - Hbitos que no compartilha?
   - J vi muito do que podem fazer. Gosto de uma taa de vinho  refeio e, ocasionalmente, uma taa de champanhe. Mas s. No poderia fazer o meu trabalho se 
estivesse bbada ou drogada.
   Os primeiros fogos de artifcio explodiram acima das cabeas deles, como se fossem estrelas brilhantes. Em seguida, vieram inmeros outros.
   - Entendi Dorland dizer que voc vai para a Itlia amanh.  verdade?
   - Sim,  o meu prximo trabalho. Silas, no h necessidade de vir comigo. Lucy certamente contar a Nick sobre ns. Ao nos ver juntos, ela teve certeza. No 
posso nem pensar em v-la magoada.
   - Mas suspeito que ficar - avisou Silas. - O casamento dela com Blayne torna isso inevitvel.
   Outros fogos de artifcio explodiram. Assustada, Jlia se aproximou de Silas, que logo colocou um dos braos ao redor da moa, de forma que ela tivesse que se 
virar e olh-lo. Uma sensao estranha tomou conta de Julia, fazendo-a ficar de olhos bem abertos. Podia sentir o calor do brao de Silas ao seu redor e o cheiro 
da pele daquele homem, quente, msculo, que a persuadia a se aproximar dele para sentir ainda mais. Sentiu um pequeno choque percorrendo o corpo inteiro. Podia 
sentir o prprio corao batendo forte. Por que nunca notara antes o quanto a boca de Silas era sexy. O lbio inferior era sensualmente grosso enquanto o superior 
era to bem desenhado que Julia teve de conter um louco impulso de toc-lo com a ponta do dedo.
   - Blayne est nos observando.
   - O qu?
   Foram necessrios alguns segundos at que o comentrio de Silas fizesse sentido. E, depois, mais algum tempinho at compreender o motivo daquele homem segur-la 
- era para que os lbios dos dois se tocassem. A tentao era grande e no dava para resistir. A boca de Silas agora era dela e podia explor-la intimamente. Devagar 
e com cuidado, traou o contorno dos lbios dele com a ponta da lngua. Os lbios daquele homem eram calmos, suaves e firmes. Fagulhas de prazer percorriam o corpo 
de Julia num desejo de querer algo mais. A moa se aproximou e reclamou quando Silas deu um passo para trs.
   - Se estava fazendo isso para ajudar Blayne...
   - Para ajudar Nick? - Julia percebeu que esquecera completamente o marido de Lucy. Entretanto, no queria que Silas soubesse.
   - No sei por que desaprova - disse. - A idia foi sua, alm disso... voc queria proteger Lucy... - De repente, um pensamento dominou Julia. - No est fazendo 
isso por Lucy, est? Ento, por que...? Entendi. Est me usando para... Como  essa mulher e por que est chegando a tanto para se livrar dela?
   - O qu? - Silas franzia a testa, impaciente.
   - Voc me ouviu. Como  essa mulher de quem quer se livrai', fingindo um envolvimento comigo?
   - O que a faz pensar que h uma mulher?
   - Que outra razo poderia haver? Embora eu deva admitir que voc nunca me pareceu o tipo de homem que teria algum problema em deixar para trs alguma coisa ou 
algum que no quisesse mais.
   - Obrigada.
   - At vov admite que voc  determinado - ressaltou Julia. - E ele o idolatra. Pensei que procurava um compromisso ao invs de evitar um... ou ela no era o 
tipo apropriado para se tornar uma condessa e a me do prximo herdeiro de Amberley?
   - Est com cime - assinalou Silas.
   - O qu? - Julia o olhou indignada. - No estou com cimes das suas mulheres.
   Atravs da escurido, Julia podia quase sentir Silas inspecionando, de forma rpida e forte, o rosto dela num silncio tenso quase explosivo.
   - Quis dizer cime pelo fato de que serei eu a herdar Amberley e no voc.
   Julia sentiu o rosto queimando. Se continuasse assim, Silas pensaria que estava apaixonada por ele. E claro que no estava.
   - Isso  ridculo - defendeu-se. - Sempre soube que voc herdaria Amberley.
   - E sempre esteve ressentida comigo por causa disso. - Silas fez uma afirmao e no uma pergunta.
   - No - objetou Julia.
   - Mentirosa. Mesmo quando criana, voc fez de tudo para deixar claro que eu era um forasteiro.
   Julia franziu a testa.
   - Isso no era porque herdaria Amberley.
   - No?
   - No! - admitiu, relutante. - Mame me disse, quando eu tinha seis anos, que se vov morresse, teramos que procurar outro lugar para morar porque Amberley 
seria sua. Suponho que s queria me avisar sobre a situao. Mas, por um longo tempo, receei que um dia voltaria da escola e vov estaria morto. Mame sempre fez 
o melhor que pde, mas s vezes di no ter um pai.
   - Me conte isso.
   Julia o mirou e disse, desanimada:
   - Nenhum de ns teve muita sorte nesse departamento, certo? Seu pai morreu quando voc ainda era beb e o deixou com aqueles administradores, e o meu deu uma 
olhadela em mim e trocou minha me por outra. O que acha que  pior? O seu pai morrer ou estar vivo mas no o querer?
   Julia ficou irritada ao perceber que a voz tinha engrossado devido s lgrimas que caam dos olhos. Pensara que havia superado esse sentimento de autopiedade 
quando estava na escola primria. E pior do que autopiedade era o pensamento de que outra pessoa sentia pena dela - principalmente, se essa pessoa era Silas. Para 
prevenir qualquer possvel oferta de consolo, Julia se soltou e se surpreendeu ao descobrir o quanto o corpo ressentia o afastamento do calor daquele homem.
   -  melhor eu ir checar se as velas esto apagadas. - O olhar que Silas lanou em sua direo fez Julia ressaltar, como se estivesse se defendendo:
   - Estou aqui trabalhando.
   - Trabalhando?
   - Meu trabalho deve parecer superficial e intil para voc, e sei que outras pessoas me invejam porque pensam que passo o tempo me entrosando com celebridades 
e indo a festas. Mas a realidade  que nem voc nem eles imaginam o quanto esse trabalho  rduo. Lucy lutou muito para montar esse negcio, e tenho de ser o mais 
profissional possvel.
   - Bajulando homens ricos e idosos com suas esposas... mulheres fantsticas, remodeladas com cirurgias plsticas? - zombou Silas.
   - Isto no  justo. Eventos corporativos e de entretenimento so um grande negcio... e no me diga que nunca contratou organizadores de eventos porque no acreditarei.
   Alguns dos bilhes de dlares que a famlia da av de Silas ganhou com petrleo foram usados pelo av para criar a fundao de artes beneficente que o neto dirigia. 
Silas no deu importncia.
   - Certamente. Promovemos eventos sociais beneficentes na Metropolitan Opera House, em Nova York. - Minha me geralmente organiza esses eventos uma vez que  
a lder do comit que angaria fundos para as obras de caridade.
   Julia viu o brilho nos olhos de Silas enquanto a observava.
   - Ela teria ficado feliz em lhe dar um trabalho... sabe disso. - A moa no fez nenhum comentrio.
   Como todos, alm do prprio Silas, Julia tinha um pouco de receio em relao  me dele, uma senhora encantadora, mas terrivelmente organizada e bem-sucedida.
   - Lucy me convidou primeiro, e no podia decepcion-la.
   - Mas podia permitir que o marido dela lhe fizesse uma proposta como aquela?
   Julia cerrou os dentes.
   - Nick e Lucy esto atravessando um momento difcil.
   - E transar com voc seria uma forma de manter o casamento?
   Julia no se importou em responder. Simplesmente se afastou, mas as palavras de Silas ficaram no pensamento dela enquanto checava se todas as velas estavam sendo 
apagadas corretamente.
   Sentira muito cime de Lucy quando a amiga e Nick se casaram, e no deixou que ningum percebesse o que realmente sentia. S mais tarde  que comeou a ver Nick 
de forma diferente e a sentir pena de Lucy ao invs de invej-la.
   De fato, recusar as cantadas de Nick, que afirmava ser infeliz no casamento, tinha se tornado algo fcil. Nick Blayne se considerava um amante maravilhoso e se 
gabava do prazer que podia lhe dar. Mas Julia tinha a sensao de que, na cama, Nick no teria a mesma classe de Silas.
   O rosto queimava de culpa quando reconheceu o caminho pelo qual os pensamentos estavam enveredando.
   No devia pensar nem se interessar em saber se Silas era ou no um perito em assuntos sexuais. Afinal de contas, nunca demonstrara nenhum tipo de interesse nela. 
At hoje  noite. Aquele beijo sem entusiasmo? Talvez, sem entusiasmo para o herdeiro de Amberley. Mas ela sentiu uma curiosidade eletrizando todo o corpo. Nem pense 
em ir l, Julia murmurava. Depois, levou um susto quando Nick apareceu ao seu lado e perguntou:
   - Sentiu minha falta?
   - Esteve fora? - retrucou Julia, docemente. - Estive ocupada demais para notar... embora espere que Lucy saiba onde voc est.
   - Bem de manh, se quiser, pode lhe contar que passei a noite na sua cama.
   Nick estava de p diante dela, bloqueando-lhe a passagem. Colocara uma das mos na coluna de mrmore atrs de Jlia.
   - J disse. No estou interessada.
   - Claro que est. Age como uma cadela no cio desde que a troquei por Lucy. - Blayne sorria, embora suas palavras tenham sido um elogio e no um insulto. Uma 
mistura de sentimentos, desprezo por aquele homem e compaixo pela amiga, ganharam fora dentro de si.
   - Verdade? - Manteve a suavidade da voz. - Devo dizer isso a Silas. Vai adorar saber que outros homens percebem o quanto eu o quero.
   Imediatamente, Nick retirou a mo que estava na coluna de mrmore atrs dela.
   - Quer dizer que Silas est transando com voc?
   - Sim, somos namorados - mentiu Julia com firmeza. Como poderia ter encontrado algo atraente em Nick? At a forma como falava revelava desprezo pelas mulheres.
   - Por qu?
   - As razes de sempre.  sexy, eu o quero e...
   - No, o que quero saber : por que ele quer transar com voc? - perguntou Nick rudemente. - Com o dinheiro que tem, poderia ter quem quisesse.
   - O "quem quisesse" dele sou eu. E o nico homem que quero  Slas. Voc est casado com Lucy, minha amiga, e...
   Julia protestou, chocada, quando, de repente, Nick a segurou pelos braos e a forou a se encostar na coluna de mrmore. Balanava-a com tanta fora que ela s 
evitava no bater a cabea na pedra dura.
   - Tem certeza de que no quer? Acho que quer. E acho que deveria lhe dar isso de forma quente e forte, aqui mesmo e agora. Me deve isso, Julia, e quero cobrar... 
de uma forma ou de outra.
   De repente, Julia no sentia somente raiva e repulsa, mas medo. A voz de Nick soava estranha, emanava desejo e desprezo. Lutou para se livrar dele, o frgil 
tecido do vestido se rasgando enquanto Blayne a segurava com fora. O medo e a fria lhe deram foras para no ceder, embora ele a machucasse. Mas s quando o chutou, 
e ele gritou,  que Blayne a deixou ir. Julia podia ouvi-lo xingando-a enquanto segurava a panturrilha. A moa passou por ele e comeou a correr em direo  casa, 
procurando segurana. Receando que ele viesse atrs, Julia olhava para ver se estava sendo seguida.
   Quinze minutos depois, continuava tremendo, refugiada no banheiro feminino, onde despia o vestido rasgado e colocava jeans e uma camiseta que usara de manh. 
A roupa tinha sido guardada em uma bolsa que deixara com o pessoal do servio de bufe.
   No dia seguinte haveria hematomas nos braos devido ao ataque de Nick. Ataque. A palavra soava desagradvel, mas Blayne a atacara. Ser que teria sido violentada 
se no tivesse se soltado e escapado? Julia no era uma adolescente inocente. Sabia muito bem que havia algo srdido por debaixo do glamouroso estilo de vida das 
celebridades que as revistas mostravam. Mas era a primeira vez que esse aspecto asqueroso a atingia. Dissera a verdade quando explicou a Silas que nem bebia muito 
nem usava drogas. Podia no ser inocente sexualmente, mas era muito firme com relao a manter distncia quando estava trabalhando. E certamente no era promscua. 
No se sentia nem um pouco atrada por sesses de sexo grupai regadas a bebida e drogas como figurava nas vidas de muitos dos seus clientes.
   Mas no sabia o quanto Nick era perigoso. Tomara sua recusa em transar de forma muito mais pessoal do que ela esperara. Tremendo um pouco ao lembrar da forma 
horrvel como Nick lhe falara, e do quanto a fizera sentir medo, Julia colocou o vestido rasgado na bolsa.
   De repente, a presena de Silas pelo resto do vero pareceu mais confortante do que um fardo.
   Junto com Lucy e Nick, mais o pessoal do bufe e todos os que os acompanharam a Majorca, Julia estava hospedada num hotel baratinho, num dos principais resorts. 
Planejara pegar uma carona de volta ao hotel com Lucy e Nick. Mas agora arranjaria uma carona com um dos fornecedores.
   - Julia, viu Nick?
   Ficou tensa ao perceber ansiedade na voz da amiga.
   - No - respondeu.
   - Deve estar com Alexina Matalos - suspirou. - Ela quer que faamos a cotao da festa de cinqenta anos do marido. Ah, Silas a procurava. Estou to satisfeita 
por vocs.
   - No tanto quanto eu - comentou uma voz grave.
   - Oh, Silas, que bom. Encontrou-a. - Lucy riu quando ele surgiu da escurido, ao lado das duas.
   - O que aconteceu com o vestido? - perguntou a Julia.
   - Troquei. Jeans so mais prticos.
   - Quanto tempo ainda vai demorar at terminar tudo aqui?
   - J terminei, mas no precisa me esperar, Si... querido - enfatizou, consciente de que Lucy os escutava.
   - Como voltar para o hotel? - perguntou.
   - Oh, vou pegar uma carona com os contratantes.
   - Vou com voc.
   Com ela? Sabia que deveriam ser um casal, mas aquilo estava indo longe demais. Ele teria de voltar para onde estava hospedado e Julia presumia que deveria ser 
no mesmo hotel de Dorland, em Palma.
   - Agora que os dois j se encontraram,  melhor eu ir e procurar Nick - avisou Lucy.
   - No precisa me levar at o hotel - repetiu quando a amiga se foi.
   - Julia, se vai conosco, vamos embora agora - um dos fornecedores chamou.
   - Tem lugar para dois? - perguntou Silas.
   - Claro.
   A mo de Silas estava nas costas dela, persuadindo-a a prosseguir. Entretanto, em vez de ir adiante, o que realmente queria fazer era se virar e ficar mais perto 
daquele homem. Por qu? Ridicularizava-se, tentando se livrar daquela tolice. Para observar e sentir o gosto daquela boca? Mas a reao do corpo de Julia, longe 
de ser um reconhecimento da prpria loucura, era um mal-entendido premeditado da mensagem que enviava. Queria sentir Silas novamente. Quando ser que passara a gostar 
de um relacionamento perigoso?
   
   
   CAPITULO TRS
   
   - Ol, senhor. - A recepcionista, atrs do balco, sorria. - Aqui est sua chave. A chave dele? Julia o fitava.
   - Est hospedado aqui? - Silas era homem de "hotel cinco estrelas". E a nova namorada tinha certeza de que ele nunca estivera num hotel trs estrelas.
   - Reservei uma sute para ns e pedi que mudassem suas coisas para l. Dessa forma, Blayne no vai ter dvidas quanto ao nosso relacionamento.
   Uma sute? Para ns? Nosso relacionamento?
   - Algum problema? - perguntou Silas.
   - Ainda pergunta? - Julia o desafiou ao recuperar o flego. - Silas, no vou dormir com voc.
   - Dormir comigo?
   - Sabe o que quero dizer - insistiu Julia, zangada.
   - Vamos conversar sobre isso no quarto? - sugeriu Silas, gentilmente. - A no ser que acredite que, se os funcionrios do hotel assistirem  discusso, isso acrescentar 
mais realidade  nossa relao.
   Como Silas estava de p ao lado dela, curvando-se como se fosse um homem apaixonado, Julia percebeu que no tinha escolha a no ser deixar que a conduzisse ao 
elevador. Entretanto, acreditava que aquela atitude era outro exemplo do jeito ditatorial que sempre desgostara nele.
   - Suponho que essa maldita sute fique no ltimo andar - reclamou quando o elevador comeou a subir.
   - Como a recepcionista me garantiu que da janela  possvel ver o mar, imagino que seja - concordou Silas, to srio que Julia tinha de observ-lo cuidadosamente 
para captar qualquer tremor, dos cantos dos lbios, que pudesse denunci-lo.
   - E acreditou? O mar est a quilmetros daqui.
   - A recepcionista cr que estaremos to ocupados que no nos preocuparemos com isso.
   - Esse elevador no chega nunca, e nem sei se  seguro - reclamou Julia. No sabia explicar, mas parecia ser uma boa idia manter o olhar direcionado para a 
porta do elevador e no para Silas.
   - "Um longo e lento passeio ao paraso", foi como a recepcionista descreveu poeticamente o elevador.
   Esquecendo a determinao de no olhar para Silas, Julia se virou e o acusou.
   - Est inventando essa histria. Silas deu de ombros.
   - Por que est fazendo isso? - questionou Julia. De repente, o elevador balanou e despencou ligeiramente, fazendo-a perder o equilbrio e cair em cima de Silas.
   Imediatamente, os braos dele a envolveram de forma a mant-la firme. Mas logo depois soltou-a e se afastou.
   - Algo errado?
   Julia o olhava furiosa. O que tentava sugerir?
   - Esse elevador no  seguro - disse.
   Silas viu as emoes transparecerem no rosto dela. Sempre tivera olhos expressivos que, nesse momento, revelavam o que a moa pensava. Felizmente, ele resguardava 
as prprias emoes. Caso contrrio, Julia teria visto, nos olhos de Silas, o que queria fazer quando a Leve nos braos. Foi o comentrio do av dela, dizendo que 
estava preocupado com a neta, que o levou a Majorca. Mas, ironicamente, era graas a Nick Blayne que conseguira se colocar numa posio de intimidade junto  moa. 
Mesmo que essa intimidade fosse fico.
   - No pode se casar com Julia - a me protestara na noite em que participavam do aniversrio de dezoito anos da moa.
   - No aprova? - Silas a desafiara.
   - Voc a ama? - questionou a me.
   - Amor baseado em sexo  um pouco mais do que um vrus emocional. E no deveria ser usado como alicerce para construir um relacionamento. Penso que Julia seria 
a esposa perfeita... uma vez que amadureceu.
   - Silas...
   - J me decidi. Quem seria melhor esposa? Ela sabe exatamente quais seriam suas obrigaes, tanto como condessa quanto como dona da casa de Amberley, assim que 
eu herdar as terras. Um casamento entre ns representa bom senso. Ela  muito nova no momento. Mas no quero esperar tanto.
   - Bom senso? Fala de casamento como se fosse uma transao comercial.
   - No, me. Estou sendo prtico. Assim como tenho responsabilidades em Amberley, tenho que pensar tambm na Fundao. No quero uma esposa que vai mudar de idia 
e requisitar um enorme acordo ao se divorciar. Julia nasceu num ambiente onde casamentos arranjados so uma tradio. E compreende essas coisas.
   - Ser? Aposto que recusar. Julia  uma moa determinada e apaixonada. E um casamento arranjado...  to arcaico!
   - Funcionou muito bem por sculos, e manteve famlias e propriedades unidas.
   A me suspirou e disse, sria:
   - s vezes, parece muito mais um administrador seco e duro, caractersticas herdadas do seu pai, do que um rapaz de vinte e poucos anos. No se importa de privar 
Julia e a voc de dividirem suas vidas com pessoas a quem amem?
   - Me, o amor  uma iluso. Um casamento construdo com base na compreenso mtua e na partilha de objetivos  muito mais prtico, e tem chances maiores de sobreviver.
   - Duvido que Julia concorde. D uma olhada nela! - requisitara a me, e Silas, obediente, tentou v-la, atravs do ombro do parceiro que danava com a moa.
   - Helen disse que Julia voltou da escola com um piercing no umbigo e falando em fazer uma tatuagem com o braso da famlia.
   Isso foi no ano em que Julia se apaixonara pelo lder de um grupo local que defendia os direitos dos animais, lembrava Silas. O romance durou pouco, mas os resultados 
continuavam em evidncia. O grupo, liderado por Julia, desafiara um funcionrio do av, que guardava aves de caa, e "resgatou" os pequenos faises que ele criava. 
Agora, no se andava em Amberley sem se encontrar as tais aves perambulando por l.
   Tambm foi esse relacionamento o responsvel pelos cinco galgos que Julia "resgatara" e trouxera para casa. E que agora viviam no luxo, tendo conquistado o corao 
do av por compartilharem do reumatismo causado pelo frio e por gostarem de um bom usque antes de dormir.
   Entretanto, Jlia no tinha mais dezoito anos. Silas decidira que estava na hora de colocar o plano em ao. O av dela estava fragilizado, e Silas o admirava. 
Sabia que seria timo para o av da moa v-la casada com o sucessor dele. Assim como Silas, o velho conde tambm era um homem prtico. O que poderia ser mais sensato 
do que o sucessor dele se casar com a neta, unindo as duas partes da famlia e, ao mesmo tempo, assegurando o futuro de Amberley? Foi muita sorte que o destino quisesse 
ajud-lo, No que Silas considerasse necessrio ter o destino a seu lado. Era capaz de construir um bom futuro.
   O elevador finalmente parou. Julia saiu aliviada, sem ter certeza se estava chocada ou triunfante ao perceber que a "sute da cobertura" ficava no sto da casa. 
E que a janelinha, no corredor ao lado do elevador, era to baixa que um adulto teria que se ajoelhar para poder ver o lado de fora.
   Observava Silas abrir a porta. O cmodo que surgia  frente estava mobiliado como se fosse uma sala de estar. Duas portas abertas mostravam o quarto e uma enorme 
cama.
   - H dois banheiros - informou Silas. - E o sof na sala se transforma em cama de casal.
   - Em caso de um quarteto? - Julia no resistiu. Havia frieza no olhar de Silas.
   - S aceito que quatro pessoas dividam uma cama em se tratando de um casal e as duas crianas. Se Blayne vem tentando persuadi-la a esse tipo de imoralidade...
   O rosto de Julia queimava.
   - Foi uma brincadeira. No quis dizer nada... Suponho que queira que eu durma no sof.
   - No. Pode ficar com a cama. Afinal, no sou eu quem tem problemas para acordar de manh, sou?
   Julia sabia que estava mais para uma coruja do que para uma cotovia. Silas no esqueceria de que, quando adolescente, ela preferia dormir de madrugada - principalmente 
nas frias.
   - Qual o lado da cama que prefere para dormir? Julia o olhou desconfiada.
   - Se vou ficar com a cama, isso no importa. Silas expirou calmamente.
   - Seria bom se parasse de dar uma conotao sexual a tudo o que digo. Minha pergunta sobre qual o lado da cama que prefere surgiu da vontade de saber qual dos 
dois banheiros ser melhor para voc usar. Se dormir do lado esquerdo, e precisar do banheiro durante a noite, provavelmente vai usar o banheiro da esquerda. Por 
outro lado...
   - Ok, professor, entendo. - Julia o parou. - Ento, por que no disse isso logo?
   - Por que no pode simplesmente responder  pergunta?
   - Isso nunca vai funcionar - disse Julia, impaciente, passando uma das mos pelo cabelo.
   - Certamente no funcionar se no quiser - concordou Silas. - Se queremos que d certo, cabe a ns fazer com que funcione.
   Julia no queria outra briga como a que tivera com Nick mais cedo. Mas o comportamento de Blayne, em relao a ela, fazia com que pensasse como Lucy era tratada. 
Questionava se, ajudando a salvar o casamento da amiga, estava realmente lhe prestando um grande favor.
   - De jeito nenhum quero ser a causa da tristeza de Lucy - concordou. - Mas se  infeliz no casamento tambm, ento...
   - Lucy lhe contou que  infeliz no casamento, ou est acreditando no que Blayne disse?
   - No conversei com Lucy sobre esse assunto, mas...
   - Mas conversou isso com o marido dela? - apontou Silas friamente.
   Julia mirou-o, cautelosa. Estava chateado. Sabia disso pela forma como a voz dele soara rdua.
   - No estamos nos anos de mil e oitocentos, quando uma mulher no podia falar com o amigo do marido ou' ter amigos homens.
   - Entretanto, no  a sua amizade que Blayne quer,  ?                                                                          
   Estava cansada e uma dorzinha chata, na parte posterior dos olhos, ficava mais forte. Tudo o que queria era. tomar um banho e ir para a cama, no ficar ali discutindo 
com Silas.
   - Por que no desce do seu pedestal de moral? - sugeriu. - No est nisso s por altrusmo, est?
   - O que quer dizer? - Silas ficou rapidamente to quieto como um caador de tocaia que  Julia enrijeceu.
   - Quis dizer que, alm de querer proteger o vov, deve haver algo mais nisso que lhe interesse,
   - Como?
   - Essa mulher que voc no quer mais, por exemplo? Gostou de lev-la para a cama mas no quer se envolver seriamente?
   - Assim como Blayne fez com voc?
   Relaxara novamente agora, mas continuava atirando dardos envenenados com uma pontaria mortal. - Bem, poderia fazer o mesmo.
   Dando de ombros, ela disse:
   - Se quer se igualar a Nick, v em frente. - Sabia que ele no gostaria daquele comentrio, mas no calculara o quanto.
   Quando Silas deu um passo em direo a Julia, a moa achou que recuara. E se denunciou ao cruzar os braos, as mos nos hematomas, como se quisesse se proteger 
de outro ataque. No conseguia interpretar o olhar daquele homem - ao menos no com o crebro. Reagia quela situao com lgrimas.
   - No entendo o que faz aqui em Majorca - disse, exausta. - Algo relacionado  Fundao?
   Uma pequenssima pausa antes de Silas concordar.
   - Sim.
   - Outra aquisio? - Estava muito cansada para discutir.
   - Pode se considerar dessa forma. Embora, de fato, essa seja muito especial... nica.
   - E vale a pena o problema que o nosso falso relacionamento vai causar? - perguntou Julia, irnica.
   - Bem, vale - confirmou Silas, docemente, antes de continuar: - Agora, qual o lado da cama?
   - O esquerdo. No, o direito... No importa. Que lado prefere? - perguntou Julia, e depois ficou vermelha. - No quis dizer isso. Quis perguntar, qual banheiro 
gostaria de...?
   Como Silas a observava, Julia mordeu um dos lbios e disse, com a voz rouca: 
   - Posso imaginar o que est pensando, mas no quero transar. - Bastou a forma relaxada como aquele homem ergueu uma das sobrancelhas para o corao de Julia 
bater mais rpido.
   - No sabia que a convidara para isso. Mas, se tivesse, por que recusaria?
   - Por qu? - Julia respirou fundo e o olhou irritada. - No  bvio? No significamos nada um para o outro... nem ao menos nos gostamos, nunca sentimos atrao 
um pelo outro. E mesmo que sentssemos... Bem, seria s muito... o sexo traz implicaes... e responsabilidade s... E ... - Comeava a se atrapalhar e sabia disso.
   Antes que Julia se calasse, Silas disse:
   - Parece uma virgem antiquada e angustiada. E no uma mulher moderna, sexualmente experiente.
   - Bem, no sou - disse. - Quis dizer que no sou virgem.
   - Ento, por que tanto rebulio e pnico?
   Ainda pergunta por qu? Mal podia responder quela pergunta a si mesma, sem antes ter de enfrentar certas realidades desconhecidas, muito menos admiti-las diante 
daquele homem. Era mais fcil e seguro parecer despreocupada e dizer, com o mximo de tranqilidade que conseguisse:
   - Talvez me preocupasse porque a minha experincia no se comparara  sua percia. Afinal de contas, aquela herdeira da cadeia de supermercados, com quem voc 
namorou, fez questo de dizer que voc era um garanho... E, para provar o que dizia, colocou na pgina dela na internet, aquele vdeo de vocs dois transando.
   - Voc assistiu?
   - No! Mas li a respeito nos jornais.
   - Isso foi h trs anos e, uma vez que nunca se viu o rosto do homem no vdeo, poderia ter sido qualquer um.
   Ainda assim, estou surpreso com a sua atitude. Deveria ter pensado que apreciaria a oportunidade de desfrutar da minha to falada percia e aprender com ela. 
O que deveria dizer agora? Sim, por favor?
   - De fato, temos um cliente que, entre outras coisas, administra aulas de "Aprenda a amar o prprio orgasmo", disse, sinceramente.
   - Aprender a fazer o qu?
   - Voc me ouviu. Aulas para "Aprender a amar o prprio orgasmo". Suponho que signifique que... voc sabe... aprenda a sentir-se confortvel sobre... no ter controle...
   - Um tipo de grito sexual feminino primitivo - comentou Silas, srio.
   - No  engraado - protestou Julia mas, em alguns segundos, no pde deixar de rir.
   Esse era o objetivo de Silas, descobriu mais tarde, enquanto relaxava na banheira de gua quente, segura de que a porta do banheiro estava trancada. No importava 
o quanto a deixava furiosa, de alguma forma, sempre a fazia rir. Os dois compartilhavam de um senso de humor semelhante. Diferente de Nick, que nunca a fizera rir. 
O senso de humor dele consistia em ser grosseiro com os outros.
   Olhou para os braos. As marcas dos hematomas que Nick deixara comeavam a aparecer.
   
   
   CAPTULO QUATRO
   
   Jlia se espreguiava debaixo da roupa de cama. Sentia cheiro de caf e ouvia vozes. Uma delas lhe era familiar. Era a voz de Silas, reconheceu-a ao lembrar-se 
do motivo pelo qual a ouvia. Abriu os olhos e mirava as portas abertas que ligavam o quarto  sala.
   - Acordou, dorminhoca?
   Silas apareceu  porta, de roupo. Segurava uma xcara de caf. Julia ficou com gua na boca. Caf. Podia viver feliz com a combinao de cafena e a satisfao 
que sentia ao comprar sapatos. E essa manh, faria isso, depois de passar a semana se atormentando, ansiando por ver os tais irresistveis modelos de sapatos, dos 
quais ouvira falar desde que chegara.
   - Por que no toma banho e se veste? - sugeriu Julia.
   - Havia esquecido o quanto voc  mal-humorada quando acorda. Venha e d uma olhada nessa vista.
   Esquecera o quanto Silas era implacvel e alegre.
   - No deveria se vestir? - sugeriu.
   - Para qu?
   Para qu? Para que ela tivesse paz! Havia algo que a perturbava - ter de lidar com Silas vagando pela sute, usando um roupo curto e pequeno, de forma que deixava 
 mostra o peito cabeludo, bronzeado. Alm disso, mostrava o quanto as coxas eram fortes e msculas. Podia tambm ter colocado alguma coisa nos ps. Havia algo 
de sexual no p descalo de um homem. De fato, havia algo de sexual em Silas essa manh.
   Aquela sensao de excitao e medo, antes considerada causada por um antagonismo sadio, transformara-se numa conscincia sexual forte em relao a Silas. Debaixo 
das roupas de cama, Jlia sentia os mamilos enrijecerem, prontos para mostrar quele homem o efeito que tinha sobre eles, enquanto a tenso na parte debaixo do 
corpo fazia com que a moa se questionasse se estava a ponto de enlouquecer.
   Como poderia cobiar Silas? Fazia muito tempo desde a ltima vez em que tivera relaes sexuais, e era verdade que nem se lembrava mais como era acordar e encontrar 
um homem seminu vagando pelo apartamento, mas esse homem seminu era Silas! Aquele que riu alto na primeira vez em que a viu arrumada para sair com o namorado. Aquele 
que ameaou dar-lhe palmadas, quando ela soltou os faises. Aquele que a ameaou seriamente ao descobrir que dois dos galgos brincavam de cabo-de-guerra com uma 
de suas camisas favoritas.
   - Pensei que gostaria de tomar caf da manh aqui em cima. Ento, pedi um pouco de caf e suco, e lembrei que voc gosta de ovos fritos.
   Caf. Era o que estava errado, disse Julia a si mesma. Estava sob o choque da cafena. Ouvira dizer que isso podia fazer coisas estranhas com a pessoa, mas nunca 
imaginara o quanto.
   - Tem certeza de que est usando o roupo certo? - perguntou. - No parece ser o seu tamanho.
   - Bem, se acabar tropeando na bainha do seu, ento teremos que trocar. Mas at que saia da cama no vamos saber, certo?
   - No posso me levantar com voc em p a.
   - No pode? Por que no? Preocupada sobre o que pensarei sobre o seu pijama do Mickey?
   - Isso foi quando eu tinha dez anos - respondeu Julia.
   - Assim corno o ursinho de pelcia da garrafa de gua quente. Mas, da ltima vez que visitei o conde, l estava o pijama pendurado com os outros.
   Resmungando, Julia mentalmente se xingava, em primeiro lugar, por ter se deitado nua. Pijama do Mickey. Iria mostra-lhe. Afinal de contas, no era como se nenhum 
homem nunca a tivesse visto nua. Diversos a viram, mesmo que agora no pudesse lembrar de ter sentido essa excitao antes, uma mistura de calor, formigamento 
e receio.
   - Os ovos vo esfriar - avisou Silas. Era tudo o que ele sabia. Agora, os "ovos" dela estavam bem quentes e prontos para o tipo de ao que conduzia a um e 
esse um poderia se tornar trs. Ou talvez quatro, se tivessem gmeos. Sempre pensou que deve ser divertido ter gmeos...
   Deu um pequeno grito de protesto contra os prprios pensamentos. Rapidamente, se levantou da cama, esquecendo da nudez, no desespero de se livrar das imagens 
que povoavam sua mente - dois adorveis bebs, de cabelos negros com os olhos azuis de Silas.
   - O que aconteceu com a tatuagem?
   Teve cuidado para no se virar, mas olhou para trs, enquanto permanecia protegida atrs da porta semi-aberta do banheiro.
   - Que tatuagem?
   - A do braso da famlia. Minha me disse que voc tatuou o braso no bumbum.
   - Fiz... por desafio. Mas no era permanente. Mais alguma coisa que queira saber?
   - No. Acho que um cara sabe alguma coisa sobre uma mulher ao ver que ela no toma banho de sol nua.
   - No ouviu falar dos problemas causados pelo sol? - retrucou Julia, com astcia. - Se quero um bronzeado por inteiro, fao bronzeamento artificial.
   - Acredite em mim, os tringulos brancos so muito mais excitantes. Qualquer cara se sentiria bem sabendo que estava conseguindo ver alguma coisa que o mundo 
inteiro no tivera acesso. Havia esquecido o quanto voc  baixa sem aqueles sapatos ridculos que insiste em usar.
   - Baixa? - irritada, Julia deu alguns passos na direo dele. Depois, recuou, o rosto corado. - Tenho um metro e sessenta e cinco de altura.
   - Como disse. Havia esquecido o quanto  baixa - disse Silas, com a voz arrastada.
   - Bem, havia esquecido o quanto  arrogante e sabicho - retrucou Julia, impaciente, antes de desaparecer em direo ao banheiro, fechando a porta.
   Julia tremia ligeiramente, era uma mistura de raiva e frustrao. Como podia ter esquecido o quanto Silas a enfurecia, com aquela crena soberba de que tudo o 
que dizia e fazia era melhor? Como  ser to insensvel e invulnervel? O problema com Silas foi que aquele homem nunca sofreu. Enquanto a riqueza e a posio social 
o protegiam das dificuldades financeiras e dos rigores da vida moderna, era certamente sua natureza que lhe assegurava ser insensvel  vulnerabilidade emocional 
e ao medo de incapacidade. Ningum jamais o desafiara. Nem o fizeram questionar suas crenas. At o av dela o tratava com respeito e deferncia.
   Mas no faria isso! O que no daria para estar por perto no dia em que Silas descobrisse como era ser humano e ser machucado, Julia pensou enquanto tomava banho 
e se secava.
   Vestiu o roupo. No era tamanho extragrande, mas igual ao de Silas. Claro que era enorme para ela, mas o fato de ter tecido sobrando e de chegar ao cho no 
era, no momento, uma desvantagem.
   Encontrou Silas em p, na sala, ao lado da janela aberta, bebendo caf.
   - H uma varanda l fora, mas no tenho certeza se  segura - avisou-a. - Quer um pouco de caf?
   - Vou me servir, obrigada - respondeu Julia, rspida.
   - Deveria comer os ovos primeiro.
   - No como mais ovos.
   No era verdade, mas valia a pena privar-se dos ovos para ter o prazer de rejeitar a autoridade daquele homem. No era fcil passar a perna em Silas. 
   - No  a toa que parece magra - comentou, depreciando-a.
   - No sou magra!
   - Qual a programao de hoje?
   - Nada muito especial. O Famoso Casal e sua turma viajam essa tarde e Dorland vai se despedir deles. Mas no estamos envolvidos nisso. Lucy e Nick retornam  
Inglaterra  noite e eu, como disse, tenho um vo para Npoles.
   - Ento, tem a manh livre?
   Julia hesitou. No tinha a inteno de dar a Silas a oportunidade para ridiculariz-la ao lhe informar que pretendia passar a manh comprando sapatos. Por que 
deveria se at os amigos mais ntimos no concordavam com esse hbito? De vez em quando, fazia isso s escondidas, mas se sentia culpada.
   - No exatamente. Tenho algumas incumbncias, ir  lavanderia, ao banco... esse tipo de coisa.
   - Vou com voc. Visitarei a parte velha da cidade.
   - No! Quero dizer, no precisa vir. Ficaria entediado. Tambm tenho que pegar uma papelada e dar uns telefonemas.
   - Entendo.
   Ser que Julia pensava que ele no percebia que a moa planejava ver Blayne? Silas se perguntava. Se no soubesse que o outro homem voltava para a Inglaterra 
naquele dia mais tarde, enquanto ele acompanharia Julia  Itlia, estaria inclinado a fazer alguma coisa. Mas no via sentido nisso agora.
   Era uma pena que Julia no tenha ficado em Amberley depois que deixou a escola, andando a cavalo, ajudando os necessitados, e fazendo companhia ao av enquanto 
amadurecia o suficiente para que Silas pudesse despos-la. No se preocupara muito com o envolvimento da moa com a firma Prt a Party porque isso lhe deixou com 
tempo livre para se concentrar em agilizar os negcios da Fundao.
   Agora, entretanto, as coisas eram diferentes. Estava pronto a colocar em prtica a deciso de torn-la sua esposa. Era perfeita. Compartilhavam a mesma histria, 
mas os laos sanguneos no eram to prximos. Tinha sido criada em Amberley, assim como a me, e no teria problema para se adequar e dirigir a propriedade. Julia, 
devido  histria familiar, entendia sobre as obrigaes de um casamento como o deles. O av da moa aprovaria a unio.
   Silas no pretendia se fixar em Amberley. Era americano, com responsabilidades e obrigaes a cumprir perante a Fundao criada pelo prprio av. Julia daria 
uma esposa admirvel, principalmente, com a ajuda da sogra. Os filhos do casal - e haveria crianas - cresceriam num ambiente emocional seguro porque no haveria 
divrcio. J decidira que, aps o nascimento do primeiro filho, encomendaria a um artista um retrato de Julia usando o presente do maraj, assim como sua antepassada.
   Naturalmente, Silas tinha conscincia de que muitas pessoas - incluindo Julia - no apreciariam sua viso fria e prtica do casamento. Mas um homem, responsvel 
por assegurar que bilhes de dlares e um condado passassem intactos atravs de geraes, no podia cometer a loucura de ser governado pelas prprias emoes.
   Mas agora, como um pequeno defeito no meio do diamante perfeito, l estava Nick Blayne. Silas acreditava que uma pessoa fazia a prpria sorte. Precisava admitir 
ter sido premiado em estar numa posio para impedir o relacionamento de Nick e Julia. E, ao mesmo tempo, tirar vantagem da lealdade da moa  amiga ao propor 
que fingissem ter um relacionamento.
   Silas no estava preparado para ter os planos interrompidos pela inconvenincia de Julia em se envolver na confuso de um divrcio. No faria presso. Blayne 
voltaria para Londres com a esposa enquanto ele pretendia ter certeza de que, quando Julia retornasse  Inglaterra, tudo estaria em ordem para preparar o casamento 
deles. Tinha at o fim do ano para alcanar seu objetivo.
   Havia o problema de uma herdeira americana que declarava estar apaixonada por Silas. No era segredo na velha sociedade nova-iorquina de que havia mais do que 
uma suspeita de instabilidade emocional na rvore genealgica da famlia dela, mas Silas perdeu a pacincia com o comportamento dramtico da moa. Embora tivessem 
sado juntos, a moa forava um relacionamento. Perseguia-o, aparecendo sem ser convidada, em eventos dos quais ele participaria. Se o conhecesse um pouco, saberia 
que perdia tempo. E no mandaria um vdeo dela, tendo relaes sexuais com dois homens musculosos, bem-dotados. Isso no o tentaria a se apaixonar pela jovem. No 
tinha a inteno de fazer algo to pouco prtico como se apaixonar por algum. O anncio do noivado dele com Julia traria Aime  razo.
   
   Julia deixara o hotel sem que ningum a parasse para perguntar aonde ia. O corao comeou a bater um pouco mais rpido assim que entrou na viela que a conduziria 
at a sapataria.  
   Sentindo-se culpada, parou e olhou para trs. Claro que deveria se sentir envergonhada e, sem dvida, mais tarde, se sentiria assim. Mas agora s podia pensar 
nos sapatos. E l estavam, na vitrine, com os delicados saltos altos, e o tipo de abertura na frente que ela sabia que mostraria somente um pouco dos dedos. Era 
capaz de ficar ali o dia inteiro e admir-los. Mas se fizesse isso, outra pessoa poderia compr-los. Rapidamente, abriu a porta da loja.
   Depois de mais de uma hora, deixou a loja, carregando duas sacolas. O rosto estava corado, tamanha a alegria que sentia, e os olhos brilhavam. Tinha sido impossvel 
escolher um par. Acabou comprando dois. Eram lindos demais para resistir.
   - Sem Nick? -- perguntou Silas, colocando o jornal em cima da mesa, assim que Lucy entrou no ptio, numa rea atrs do hotel.
   - Foi  cidade resolver algumas coisas. Deve ter desligado o celular, porque tentei ligar e no consegui.
   O comentrio inocente de Lucy confirmava as suspeitas dele. Quase sugeriu, cinicamente, que tentasse falar com Julia.
   - Espero que volte logo. Dorland j ligou para avisar que o pessoal da quinta entrou em pnico. Parece que o colar de Tiffany desapareceu.
   - No me diga que ele est surpreso? Quando Lucy o olhou, perplexa, Silas explicou:
   - Martina  conhecida por sua natureza consumista, e no ser a primeira vez que pega uma jia emprestada e se recusa a devolv-la.
   - Mas Dorland ter de pagar  Tiffany pela jia porque o colar foi emprestado a ele - protestou Lucy.
   - Duvido que um milho faa falta na conta bancria de Dorland. No ficaria surpreso se toda essa histria no fosse algum tipo de truque publicitrio. Meu palpite 
 que Dorland ter avisado  mdia primeiro, e no  polcia.
   - Quanto sarcasmo - comentou Lucy.
   - No  sarcasmo,  bom senso - corrigiu-a Silas olhando o relgio. - Julia foi  cidade cedo... deve estar voltando. Acho que vou andar por a e ver se consigo 
avist-la.
   - Jlia foi  cidade? - Lucy franziu a testa. - Achei que tivesse dito que pretendia passar a manh com voc.
   - Provavelmente esqueceu que precisava ir  lavanderia. - No era problema dele ter de proteger os sentimentos de Lucy Blayne, mas a pobre garota era to vulnervel. 
Alm disso, no lucraria nada criando desconfiana entre Julia e a melhor amiga.
   No sabia qual sapato preferia, pensava Julia, caminhando de volta ao hotel. O par que vira na vitrine fora o primeiro amor, e tinha que compr-lo. Mas, depois, 
a vendedora lhe mostrou o outro par. Ento, no foi capaz de escolher. Tivera o bom senso de comprar ambos.
   - Oi, Julia.
   Parou quando Nick apareceu. A viela terminava em uma pequena praa que estava calma e vazia. Havia somente dois homens sentados do lado de fora de uma pequena 
cafeteria, embora parecessem dormir.
   - Estou voltando para o hotel - avisou Julia. Tentava se assegurar de que, agindo como se Nick no a tivesse atacado, ele se comportaria com decncia.
   - Bem - murmurou Nick. - Veja quem est aqui. Aflita, Julia viu Silas caminhando rumo aos dois.
   - Vejamos o quanto ele gostar disso, certo?
   Antes que Julia pudesse det-lo, Nick a empurrou contra uma parede e a beijou, enquanto a moa tentava se livrar dele. No a soltou at que a sombra de Silas 
casse sob o rosto de Julia. Permaneceu de costas para o rival e foi embora, triunfante. Somente ela viu a satisfao cruel no olhar de Blayne.
   - No era o que parecia - comeou, quando Silas parou em frente a ela, encobrindo o calor do sol. A moa sentia tanto frio que comeou a tremer.
   - Lembra o que ameacei fazer quando soltou aqueles malditos faises? - perguntou Silas, quase gentil.
   No estava enganada; ouvira aquele tom doce na voz dele antes e sabia o que significava.
   - Sim, disse que se eu voltasse a fazer algo parecido, sentiria o peso da sua mo no meu bumbum, firme e forte. No poderia me ameaar dessa forma agora.  ilegal 
dar palmadas em crianas.
   - Mas voc no  mais criana;  adulta... mesmo que no se comporte como tal. E agora, s saberia o quanto me fez ficar furioso, se aplicasse o peso da minha 
mo no seu lindo e pequeno traseiro, at que ficasse bem corada de tanta vergonha. - No v o que est fazendo? Disse que no queria magoar Lucy. Mas mentiu para 
mim e para a sua amiga, saindo furtivamente para se encontrar com o marido dela. O que aconteceria se tivesse sido ela a ver Blayne empurrando-a contra aquela parede 
como se estivesse pronto para torn-la ali mesmo?
   No havia mais doura na voz dele, e Jlia ficou com medo diante do rompante de raiva. No era assim to fcil influenci-la. Silas no podia trat-la como se 
fossei uma criana, ameaando-a com o tipo de humilhao que descrevera.
   - No sa para encontrar Nick! S esbarrei nele. Me beijou daquela forma porque o viu. Est chateado porque lhe disse que no vou dormir com ele, e agora quer 
me magoar e atingir voc tambm!
    voz de Julia tremia. Estava indignada com a acusao de Silas e reagia  imagem que se formava em sua mente - aquele homem com a mo aberta, batendo de forma 
provocante e sexy no seu traseiro nu, enquanto tentava se livrar dele. Impossvel no ficar um pouco excitada diante da imagem e da forma como reagia  situao. 
Havia algo deliciosamente picante com relao ao pensamento daquela provocante brincadeira amorosa. Poderia ser divertido receber falsas palmadas no traseiro, 
se ela estivesse de bom humor. E com o homem certo... Um homem como Silas.
   Julia ficava corada com esses pensamentos, mas Silas logo a trouxe de volta  realidade.
   - Voc afirma que encontrou Blayne por acaso. Mas achei que me escondia algo quando disse que pretendia ir  cidade.
   - Mas no era um encontro secreto com Nick - protestou Julia.
   - Ento, o que era? - desafiou Silas.
   Julia olhou para baixo, na direo das sacolas que Nick a fizera deixar cair.
   - Sapatos - murmurou, sentindo-se culpada.
   - Sapatos?
   Silas olhou as sacolas e depois o rosto corado da moa.
   - No queria que eu soubesse que pretendia comprar sapatos? - questionou, atordoado.
   Julia s balanava a cabea. Silas no sabia que ela era viciada em sapatos, ento no iria se expor  zombaria, contando-lhe sua fraqueza.
   - Vamos,  melhor voltarmos para o hotel - comunicou, abaixando-se para pegar as sacolas.
   Julia tentou det-lo, no querendo perder as compras preciosas.
   - Julia, carregarei as sacolas para voc - insistiu, segurando-a pelo brao, para mant-la afastada, de forma que pudesse pegar as sacolas. Silas agarrava o 
brao dela no local onde Nick a machucara. Julia no se conteve e soltou um pequeno grito de dor. - O que...?
   As mangas da camiseta cobriam as marcas roxas - ou ao menos at Silas levantar uma delas e ver os machucados.
   - Quem fez isso? - perguntou.
   Julia nem pensou em mentir. 
   - Nick - respondeu, trmula. - Ontem  noite. Ficou furioso quando lhe contei sobre voc...
   - Ento, machucou-a? - Um surto de raiva e necessidade de proteg-la dominou Silas. Nenhum homem a deveria machucar uma mulher. No estava acostumado a experimentar 
emoes to intensas. Olhou a praa na direo que Nick tomara. Julia impediu-o.
   - No queria me machucar.
   - Mas machucou. Seus braos esto negros e roxos... Julia riu.
   - O que  to engraado? - questionou Silas. Maliciosamente, Julia o lembrou:
   - Assim como deveria ficar meu bumbum, segundo disse.
   Silas a fitou. Lbios entreabertos e rosto corado. O olhar lhe dizia... Colocou as sacolas no cho e comentou:
   - Algo me diz que voc erotiza a possibilidade de umas palmadinhas.
   Julia riu e desviou o olhar, recatada.
   - Voc  quem vive ameaando me punir - disse. Flertava com Silas?
   - Mas  voc quem me lembra de que no cumpri a ameaa - murmurou Silas. - E  voc quem fica me provocando...
   - Provocando?
   - Me provocou essa manh com o seu lindo e pequenino bumbum em forma de pssego.
   Agora no era somente ela quem flertava. Silas tambm. E a excitao era irresistvel.
   - Disse que eu era magra - Julia fez beicinho.
   - Acho que talvez no tenha feito um julgamento correto. - Silas se aproximava de Julia e deslizava uma das mos pelo traseiro da moa, acariciando-o. Sem poder 
fazer nada, Julia se inclinou em direo a ele, esquecendo-se at dos sapatos.
   Isso no fazia parte do jogo, reconheceu Silas ao v-la de olhos fechados e lbios entreabertos. Queria que os filhos deles fossem concebidos depois do casamento, 
e no antes. Baixou a cabea e beijou-a rapidamente, ignorando o olhar de desapontamento da moa quando a soltou.
   -  melhor voltarmos. Vi Lucy no hotel. Dorland est com problemas porque sumiu o colar que pegara emprestado na Tiffany.
   - Pobre Dorland. Talvez j o tenham encontrado - sugeriu Julia enquanto Silas pegava as sacolas. - Coisas assim acontecem a toda hora. Essas grandes estrelas 
tm uma comitiva to extensa que ningum consegue saber o que o outro faz. Provavelmente, um dos relaes-pblicas colocou o colar em algum lugar seguro.
   Julia sentia-se atrada por Silas, admitia isso - ou a atrao sempre existiu sem que quisesse reconhec-la?
   - Aqui esto. Nick foi at a quinta para ver se consegue ajudar Dorland - comeou a falar Lucy assim que os dois entraram no hotel. Ao ver as sacolas de Julia, 
acusou-a: - Mais sapatos?!
   - Tinha de compr-los.
   - Quantas vezes j ouvi isso? Silas, sabia que Julia vive comprando sapatos?
   - Lucy, espere at v-los. O formato da abertura para os dedos  perfeito - interrompeu Julia, entusiasmada. - E os saltos...
   - No  de se estranhar o motivo de sair sorrateiramente sem me dizer aonde ia - acusou Lucy. - Tem que det-la, Silas.
   - Sim. Acho que vou - concordou Silas, mas quando Julia o fitou, o brilho malicioso no olhar daquele homem lhe dizia que o tipo de restrio que ele estava 
imaginando no tinha nada a ver com o fato de impedi-la de comprar sapatos.
   No sabia o que estava acontecendo - mas sabia o que gostaria que acontecesse. Julia olhava discretamente a salincia que nenhuma roupa esconderia. Sexo com 
Silas...
   - Julia, pode parar de olhar Silas dessa forma? Est me deixando constrangida - riu Lucy.
   
   - Ento, me conte essa sua mania por sapatos.           
   Isso foi depois do almoo. Lucy e Nick subiram para arrumar as malas, e Julia e Silas continuavam sentados do lado de fora, terminando a garrafa de vinho que 
1companhava o almoo ao ar livre, no pequeno jardim do hotel.
   - Somente no consigo deixar de comprar sapatos.
   - Sim. E o que significa formato da abertura para os dedos?
   Homens. No sabiam nada! Julia balanou a cabea e explicou:
   -  quando a parte da frente do sapato mostra um pouco dos dedos, e  extremamente sexy.
   - Me mostra?
   - No posso. No estou usando esse tipo de sapato. Vai entender o que digo quando eu us-los.
   - No posso esperar.
   -  melhor eu subir e arrumar minhas coisas. Temos que ir para o aeroporto. O vo para Npoles  s cinco. - Ser que subiria com ela? E se fizesse isso...
   - Tenho que dar alguns telefonemas. Julia tentou no ficar desapontada.
   - A propsito, cancelei sua reserva naquela penso e fiz uma reserva para ns dois no Hotel Arcdia.
   - No Arcdia? Mas  o hotel mais caro em Positano.
   - Nada de pnico. Pago a conta. Lucy disse se Dorland apareceria?
   - Sim. Por volta das trs.
   L em cima, na sute, Julia arrumava tudo - deixando espao para os novos sapatos. O "uniforme" normal de viagem a trabalho consistia no par favorito de jeans 
(o amor pelos jeans vinha logo depois do vcio por sapatos), diversas camisetas e tops de alcinhas, um maio no caso de ter um dia de folga, e um vestido de jrsei 
longo que usava quando precisava estar arrumada. Alm dessas peas bsicas, havia ainda calas de estilo casual, mais uma saia.
   Julia adorava acessrios. Sua aparncia era muito diferente do estilo adotado por tantas de suas clientes. Um dos momentos mais apreciados pela moa foi quando 
uma estilista a parou na rua para perguntar aonde ela comprara o top que estava usando. O acessrio favorito era um cinto de couro largo, na cor marrom-escuro, ornamentado 
com ptalas de flores costuradas com pequenas contas de turquesa, que formavam o estame da flor. Comprou aquele cinto em uma loja em Camden Market, e o usava sempre 
que podia.
   Ao terminar de arrumar a bagagem, olhou o relgio - o simples mas to elegante Cartier que Lucy insistiu em comprar, para os trs, quando comeou a lucrar com 
os negcios. Aqueles foram dias felizes. Julia franziu a testa. O sucesso inicial dos negcios tinha sido substitudo por uma srie de problemas financeiros, fazendo 
com que a pobre Lucy recorresse ao fundo de crdito para que a firma tivesse mais capital. No era de se admirar que a amiga estivesse to estressada.
   Quase trs horas. Deveria descer e esperar por Dorland. Boa parte da organizao da festa de fim de vero tinha sido providenciada pelo prprio Dorland. Gostava 
de se intrometer em tudo. Todos os dias, Julia recebia um e-mail urgente dele.
   Acabara de sair do elevador, quando o celular tocou.
   - Querida! - Ouviu a voz da me. - Que indelicadeza no ter nos contado sobre voc e Silas. No acreditei quando a Sra. Williams me mostrou o artigo sobre vocs 
dois naquela revista de fofocas que ela compra. Que foto linda, mas devo admitir que fiquei chocada. No  que no tivssemos gostado. Gostamos, claro - especialmente 
seu pai. Fui at l para v-lo, e ele ficou to satisfeito que instruiu Bowers a abrir uma garrafa de vinho, que ele guardara quando voc nasceu, para celebrar. 
Foi o que sempre quis. Claro que tive de telefonar para Nancy. Que idiotice no considerar o fuso horrio, mas ela est to feliz quanto ns. Vocs vo se casar 
em Amberley, claro. J decidiram a data? Acho que casamentos no inverno tm um certo charme.
   A cada palavra que a me dizia, crescia a tenso de Julia.
   - Ma...- Tentou protestar mas no teve jeito. A me no cabia em si de tanta felicidade.
   Silas estava sozinho no ptio. Julia no perdeu tempo. Anunciou, desesperada:
   - Minha me acabou de telefonar. Acha que vamos nos casar.
   Quando Silas no se mostrou chocado, Julia acrescentou:
   - Ela falou com a sua me, e vov ficou to lisonjeado que instruiu Bowers a abrir uma garrafa de vinho que guardara quando nasci.
   - O Chteau d'Yquem? Est realmente satisfeito.
   - Claro que est satisfeito. Segundo minha me, ele sempre quis isso. Mas no  essa a questo. No estamos noivos... nem temos um relacionamento. Pode imaginar 
o que vai lhe acontecer quando descobrir a verdade?
   - Tem razo. No podemos deixar que isso acontea. Julia ficou amedrontada. A sensao que tinha era a de ser uma passageira num carro que, de repente, numa curva 
perigosa, em alta velocidade, saiu da estrada.
   - Silas...
   - Em considerao ao seu av, levaremos essa situao adiante.
   - Levar adiante? Mame j est planejando o casamento... a ponto de escolher o nmero de damas de honra!
   - Mes so assim - concordou Silas. Julia o observava.
   -- No est levando isso a srio - acusou-o.
   - Porque no  srio. Claro,  lamentvel, mas no  o fim do mundo. Pessoas ficam noivas todos os dias.
   - Sim, mas essas pessoas tm uma razo para noivar - disse Julia, cerrando os dentes, - Ns no.
   - Mas temos uma razo para continuar fingindo que estamos noivos.
   - Vov? - conjeturou, indefesa.
   - Exatamente. No importa quais sejam nossos sentimentos. Concordamos que o mais importante  no aborrecer o seu av.
   - Sim, claro - concordou Julia.
   - Ento, estamos de acordo que, para preserv-lo, no h nada que possamos fazer a no ser aceitarmos que estamos "noivos".
   - Mas no final.
   - No final, uma soluo vai ter que ser encontrada - concordou Silas. - Ou por ns ou talvez pela prpria vida.
   Julia o observava.
   - Quer dizer que vov pode... que ele pode no... Sei que o corao dele no  muito forte, mas...
   Antes que continuasse, a porta para o ptio se abriu e Dorland entrou apressado.
   - Suponho que ouviram a respeito dos malditos diamantes. Como podem estar perdidos? Martina jura que os tirou, colocou-os no estojo e pediu a algum para os 
entregar ao segurana... a quem paguei uma fortuna para tomar conta dos diamantes. Ele diz que nunca os pegou, Martina no se lembra a quem os entregou e grita 
quando tento fazer com que se lembre. E George... d para acreditar? Transava com uma das garonetes. A Tiffany me liga a cada cinco minutos, exigindo que eu pague 
um milho de dlares pelo colar. Graas a Deus, consegui convencer a Fera a pagar por um relato exclusivo de como George fora descoberto em flagrante, na noite 
em que reafirmara os votos de casamento. Devia ver a foto que fizeram - George e essa garota, nus.
   - A Feral - questionou Silas.
   - Brincadeirinha, Silas. - sorriu Dorland. -  que o editor gosta de se fantasiar de King Kong, como parte do ritual matinal.
   - Dorland, estou chateada com voc - disse Julia. - A diarista da minha me lhe mostrou um artigo na sua revista com fotos minhas e de Silas e a informao de 
que...
   - Lamento, doura, no resisti. Era um boato to tentador. Felizmente, as fotos que pedi para tirarem de vocs dois ficaram boas, e disse a Murray para arranjar 
espao para elas. Eu mesmo pensei na manchete: "Mantendo tudo em Famlia". Depois, dizia: "Meus espies me contaram que uma das garotas favoritas das festas da 
A-List planeja se casar em breve. E adivinhem com quem? O av, o conde de Amberley, deve estar satisfeito, uma vez que o futuro marido da neta  tambm o sucessor 
dele, o bilionrio americano Silas Cabot Crter. Vocs vo se casar em Amberley, certo? - continuou, imitando, inconscientemente, a me de Julia.
   - Claro, mas no ainda. No esqueci minha promessa a Lucy. - Realmente, Silas refletia, as coisas no poderiam funcionar melhor.
   - Julia, tenho pensado nos fogos de artifcio. Acha uma boa idia combin-los por cores? - questionou Dorland, depois de perder o interesse com relao ao "noivado" 
deles.
   - Excelente - garantiu Julia, consciente do quanto custaria se tivesse de falar com os fornecedores dos fogos para trocar a ordem dada.
   - Lucy, sei que est prestes a ir embora, mas tem um minuto?
   - Claro. Nick desceu com as nossas coisas para esperar o txi.
   Detestava fazer isso. No queria mentir para a amiga, mas com o av tendo mandado publicar a notcia do noivado no The Times, Lucy devia se perguntar o motivo 
dela no ter dito nada.
   - Silas e eu vamos ficar noivos.
   - Julia! - Lucy a abraou, o rosto iluminado de felicidade. - Estou to feliz por voc. So perfeitos um para o outro. Nunca disse uma palavra...
   - Tudo aconteceu to de repente - explicou Julia. Apesar da boa notcia, Lucy parecia aborrecida.
   - Est feliz, no est, Lucy? Quero dizer, com Nick?
   - Claro. Por que no deveria estar?
   
   - Gostaria de trocar uma palavrinha com voc, se no se importa, Blayne - pediu Silas.
   Nick deu de ombros.
   - Claro. Em que posso ajudar?
   Silas o observou. Ser que somente outro homem poderia ver que aquele rosto to bonito insinuava fraqueza?
   - Est numa corda bamba agora. Seu casamento no me diz respeito, mas o bem-estar de Julia, sim.
   - Est me ameaando? - perguntou Nick, sorrindo. Deu de ombros novamente. -  da natureza de Julia estar apaixonada. Nunca fez segredo de que tem uma queda 
por mim...
   - Srio? E do que gosta, Blayne? Alm de atacar mulheres, claro.
   Nick ficou vermelho.
   - No sei o que ela lhe disse, mas estava...
   - Tentando lhe dizer que no est interessada em transar com voc. Deixe-me dar um aviso camarada. Tem sorte.  casado com Lucy. No abuse. Caso contrario, vai 
perd-la.  ela quem me impede, nesse momento, de virar a sua vida do avesso. Voc faz parte da ral, e sabe disso. Ento, no caso de querer tornar pblico o que 
ns dois sabemos, sugiro que se lembre do quanto  um homem de sorte.
   -  muito fcil para voc ficar no topo e dar uma de poderoso, com os bilhes de dlares atrs - gritou Nick. - Nem sabe como  o mundo real. Se soubesse...
   - Se soubesse, ainda assim, no usaria uma mulher para satisfazer minhas necessidades se ela no quisesse. Dinheiro no tem nada a ver com moral. Todos ns temos 
opo de escolha.
   - Cretino - Silas ouviu Nick resmungar enquanto se afastava dele. Mas no foi a agresso do rival que o fez ficar calado. Reivindicava uma superioridade moral 
em relao a Blayne, e era verdade que nunca abusaria ou foraria uma mulher de forma alguma. Mas, segundo a me, ao planejar se casar com Julia, usava a moa.
   - Um casamento entre ns vai benefici-la tanto quanto a mim - disse.
   - Somente se ela pensar como voc. E no acho que pense. Voc afirma ser um homem prtico que no deseja um casamento baseado em amor. Duvido que Julia compartilhe 
desse ponto de vista.
   Silas parou. Era o pior momento para sentir culpa em relao aos sentimentos da moa. Qualquer pessoa prtica concordaria que um casamento entre os dois seria 
extremamente benfico. Na cama e fora dela. Considerava-se um bom amante, e Julia no flertar com ele mais cedo porque no quis transar. No havia razo para no 
compartilharem de uma vida sexual satisfatria para ambos. Estava preparado para ser um marido fiel, e sabia que podia satisfaz-la o suficiente para no ser trado. 
O casamento deles certamente seria mais slido do que um baseado em amor. Bastava ver a tragdia do casamento de Lucy com Blayne para saber disso.
   
   
   CAPITULO CINCO
   
   O noivado com Silas lhe proporcionava inegveis vantagens, pensava Julia enquanto a limusine os conduzia a Positano, e viajar de primeira classe devia estar 
no topo da lista.
   Sabia que muitas pessoas achavam Silas terrvel. O jeito frio a irritara ao longo dos anos. Mas, s vezes, um homem prtico era um prmio e, definitivamente, 
esse era um exemplo. Considerava-se uma mulher moderna, independente, mas apreciara no ter que fazer nada a no ser sentar-se e relaxar, admirando o litoral de 
Amalfi.
   Silas trabalhava no laptop, mandando e-mails e telefonando. O chofer, com o verdadeiro charme italiano, era indiferente aos nibus que se moviam pesadamente, 
na outra pista.
   - Relaxe - murmurara Silas quando Julia perdera a fala ao ver o penhasco. - Ele sabe que no ganhar um tosto se no sobrevivermos.
   Ficara surpresa por Silas ter notado sua apreenso. No a observava. Sabia disso porque, toda vez em que o olhara, estava concentrado nos e-mails.
   O que seria preciso para que Silas deixasse de ser to frio, distante e passasse a ser mais caloroso, humano?
   Quem conseguiria fazer isso? Teria de ser uma mulher forte e determinada. Como seria como amante? Experiente, sabendo como satisfazer uma mulher. Silas se gabava 
das prprias qualidades. E uma mulher acreditaria que ele cuidaria de tudo como deveria ser. Silas teria boa sade e conscincia do que seria seguro ou arriscado. 
Teria o cuidado de se certificar de que a parceira experimentasse o mximo de prazer sem machuc-la.
   Fisicamente talvez, mas e emocionalmente? Ser que Silas, com sua frieza, seria capaz de compreender o que significava ser machucado emocionalmente?
   - Mandei um e-mail ao seu av, desculpando-me por no ter pedido permisso, formalmente, para o nosso noivado. Disse-lhe que a sua impetuosidade nos dominou.
   - Minha impetuosidade? - Julia o desafiou. Silas sorriu.
   - Bem, seria difcil ele acreditar se dissesse que tinha sido a minha, certo? Tambm mandei um e-mail para a minha me e para as colunas sociais de Nova York.
   - Disse a ela tambm que a culpa  da minha impetuosidade? - perguntou, irnica.
   - Minha me no precisa de nenhuma explicao. Enquanto Julia digeria em silncio aquele comentrio, Silas acrescentou:
   - Vai precisar de um anel de noivado. Sugeri ao seu av que esperssemos at que voc possa retornar a Nova York comigo.
   - Silas, no quero um anel.
   - Me parece apropriado que use o diamante Monckford.
   - O qu? Quer dizer aquele pelo qual o sexto conde duelou?
   - Na verdade, duelou pela honra da esposa. Mas, uma vez que ela era idiota o suficiente para usar o anel quando foi se encontrar com o amante, sim, me refiro 
a esse anel. Tradicionalmente, foi o anel de noivado da famlia. Ento, me parece adequado que o use agora.
   Julia tentou escapar dos prprios pensamentos, confusos, dizendo:
   - Achei que dirigisse a Fundao e no desperdiasse seu tempo tentando reaver cada bugiganga que a famlia um dia possuiu.
   - O Diamante de Monckford no  uma bugiganga. E uma pedra extremamente rara e histrica.
   - Ainda bem que no tenho de us-lo sempre. Se for parecido com o do retrato da condessa, deve ser muito feio - Julia no resistiu e disse, fazendo pouco caso.
   Silas sempre a incitara a esse tipo de raiva, pagando na mesma moeda. Mas no importava o quanto o irritasse, o noivo nunca demonstrava suas emoes ao reagir.
   Chegaram a Positano. ngremes colinas com fileiras de prdios em cor pastel desbotada. Abaixo, o Mediterrneo permanecia azul e calmo. No era de admirar que 
artistas e poetas se apaixonassem por aquele lugar, Julia pensava enquanto olhava pela janela do carro, apreciando a paisagem, em silncio. Tambm no era de se 
admirar que os Silverwoods quisessem vir para c, para o lugar onde se viram pela primeira vez, e celebrar dois eventos familiares to importantes.
   Como iam regularmente a Positano, os Silverwoods tinham preferncia por um hotel onde sempre ficavam. Julia conseguira, depois de negociar com dificuldade, certificar-se 
de que, no dia da celebrao, teriam uso exclusivo da sala de jantar privativa e tambm do terrao, que ficava de frente para o mar. Claro que o gerente do hotel 
cobrara uma taxa alta para o uso tanto da sala de jantar quanto do terrao. Era alta temporada.
   Julia no tinha certeza se teria escolhido um local to exclusivo e caro para um aniversrio de dezoito anos. E, durante as conversas iniciais, reconhecera que 
o adolescente no estava to excitado como os pais no que se referia  dupla comemorao. Diplomaticamente, sugerira aos clientes que deveriam pensar a respeito 
de uma festa exclusiva para o filho, de forma que o rapaz pudesse celebrar com os amigos.
   O carro virou  entrada do Hotel Arcdia, passando pela placa com a inscrio "Principais Hotis do Mundo". Sabia que o Arcdia tinha sido construdo no sculo 
dezoito para ser uma quinta particular e passou a ser um hotel no incio dos anos 50. Os quartos ainda eram mobiliados como se fossem uma casa particular, com antiguidades 
e objetos de arte cuidadosamente escolhidos e, certamente, a rea da recepo comprova esse relato.
   Logo foram conduzidos  sute, e Jlia conteve a respirao ao ver a paisagem pelas janelas. O hotel deve, certamente, dispor das melhores vistas em Postano, 
Julia concluiu enquanto Silas dava uma gorjeta ao carregador.
   - Isso  o paraso - murmurava, incapaz de desviar os olhos do azul cintilante do Mediterrneo.
   - Qual o plano de ao para amanh? - perguntou Silas, dando uma olhadela rpida na paisagem, enquanto pegava o laptop.
   - A famlia deve ter chegado hoje, assim como. at a noite, a maioria dos convidados. Para amanh, contratamos um iate que levar todos a Capri, onde vo almoar. 
Depois, amanh  noite, haver uma recepo formal no hotel. Alguns dos convidados no chegaro a tempo para o passeio a Capri. Ento, no dia seguinte, os que desejarem 
podem ir a Amalfi. Para os que no querem, um almoo estilo bufe ser servido no hotel. E  noite, o evento principal: o jantar formal.
   -  isso? - perguntou Silas.
   - Sim, exceto, claro, pelas flores, o cabeleireiro, a comida, o vinho, receber os presentes, essas coisas.
   Deixara o laptop e viera contemplar a vista. No havia muito espao na pequena varanda, o que significava que Silas tinha de ficar atrs de Julia, to perto 
que a moa podia sentir o calor que o corpo dele emanava.
   - Acho que, hoje  noite, dispensaremos os arranjos para dormirmos separados.
   - O qu? - Julia comeou a se virar. Ento parou ao perceber que, se fizesse isso, acabaria esbarrando nele.
   -  realmente uma viso maravilhosa - deixou escapar, apavorada.
   - Maravilhosa - concordou Silas, abraando-a.
   - No acho que seja uma boa idia - avisou-o, a voz um pouco trmula.
   - No? Tem certeza?
   A boca de Silas tocava a dela. Como um homem to frio e distante podia ter uma boca to quente e sensual? Como fogo embaixo de gelo, ou a sobremesa favorita dela, 
calda quente no sorvete gelado. Delicioso... Assim como a sensao da boca de Silas na dela.
   Ao suspirar com o beijo, aproximou-se e colocou os braos ao redor do pescoo dele. A lngua de Silas provou os lbios de Julia, devagar mas muito deliberada-mente, 
deixando-a saber que no iria parar at que a moa lhe desse o que ele queria. O corpo de Julia tremia de prazer enquanto deixava que ele a beijasse. Oh, mas era 
to bom! Ou ser que era s porque no era beijada h tanto tempo? O corpo dela se transformara no sorvete, derretendo com o calor do beijo lento e sensual.
   Uma das mos reivindicava um dos seios de Julia, segurando-o com firmeza e, depois, acariciando-o, num movimento rtmico. As pontas dos dedos provocavam o mamilo. 
A, com a mo aberta, esfregava-o eroticamente. Repetia a carcia com tanta firmeza e insistncia que todo o corpo da moa comeou a pulsar conforme o ritmo do movimento 
da mo dele. Instintivamente, Julia queria retribuir a intimidade daquele toque, segurando-o de forma que pudesse explor-lo e ver o prazer que lhe proporcionava.
   Fazia tanto tempo desde a ltima vez que transar. Realmente acreditara que isso no a preocupava, mas agora percebia que deveria, porque desejava Silas loucamente.
   - Silas! - Interrompeu o beijo, abruptamente.
   - Qual o problema?
   - No deveramos estar fazendo isso...
   - Claro que sim. Estamos noivos.
   Quando o olhou, ele acrescentou, com suavidade:
   - E o mais importante: voc quer isso.
   - E voc quer?
   O jeito como a fitou quando pegou-lhe uma das mos, de forma que pudesse segur-lo, fez o corao da moa disparar.
   - O que acha? - perguntou.
   Julia nem conseguiu responder devido  enorme surpresa com a descoberta de que no era somente a conta bancria dele que era mais importante. Uma parte de si 
pensava que no podia ser ela quem pensava em ter relaes sexuais com Silas. Mas outra parte, muito mais enrgica, dizia que se odiaria para sempre se no satisfizesse 
aquele forte desejo que a dominara. Apesar disso... tinha as prprias responsabilidades... 
   - Devo ir ao hotel e checar...
   - Como vou saber se no  s uma desculpa para sair furtivamente e satisfazer seu desejo de comprar sapatos? - provocou Silas.
   Gostava de comprar sapatos? No se lembrava. De fato, no podia pensar em mais nada a no ser como seria ficar nua embaixo de Silas enquanto ele a completava, 
satisfazendo o desejo que pulsava desde l debaixo at o tero.
   - Ok. Vamos desfazer as malas. Depois, descemos para jantar.
   Desfazer as malas? Jantar? S havia um tipo de fome que ela queria satisfazer agora. E em relao s roupas...
   Silas a observava, satisfeito. Julia o queria ardentemente. Isso era bom. Estabelecer uma relao sexual com a moa antes de persuadi-la a casar-se com ele no 
fazia parte do plano original - satisfao sexual antes do casamento no liderava a lista de prioridades - mas um plano podia ser adaptado. Por que no fazer uso 
de to excelente oportunidade, quando seria muito prazeroso para ambos? E no somente prazeroso no significado bsico do termo mas no significado mais amplo tambm, 
ligando Julia a ele de uma forma que s poderia ser benfica para o casamento dos dois.
   A verdade era que a velocidade e a intensidade com que ficou excitado, pegou-o desprevenido. Orgulhava-se do autocontrole sexual. Mas, nesse exato momento, pulsava 
devido ao desejo de querer penetrar, devagar e profundamente, no calor mido de Julia at que a moa cravasse as unhas nas costas dele, mantendo-o preso, enquanto 
gemia de prazer e o encorajava a se mexer com mais fora e mais rpido...
   De repente, pensou em outra coisa. H oito anos, decidira se casar com Julia. Como nunca fantasiara uma relao sexual com a moa, no via motivo para se permitir 
fazer isso agora. Se no planejasse casar-se com Julia, ento, a intensidade do desejo fsico seria uma dor de cabea. E no havia lugar para problemas na vida de 
Silas nem para situaes que no pudesse controlar.
   Sua me era uma mulher astuta e emocionalmente forte. Mas, como uma jovem viva, cedeu  presso dos consultores financeiros do finado marido. Aceitou a insistncia 
dos curadores da Fundao em ajud-la a moldar e direcionar Silas que, praticamente desde que nasceu, foi treinado para assumir o que um dia seria dele.
   O compromisso de ser responsvel pelo futuro da Fundao e os respectivos bilhes de dlares no era nada que pudesse ser assumido facilmente. O marido, pai de 
Silas, morreu antes dos 25 anos, e esses curadores, j de meia-idade, consideravam o calor e a excitao da paixo da juventude algo deplorvel a ser controlado. 
Ao ser orientado por esses curadores, Silas no somente aprendeu como proteger a Fundao mas tambm absorveu, quase desde o bero, certas atitudes, ultrapassadas 
para os dias de hoje. Resumindo, Silas fora criado para colocar a Fundao em primeiro lugar em sua vida, exercitar o autocontrole, ser prtico e no demonstrar 
suas emoes. Todos os curadores haviam morrido mas sabia o quanto aprovariam sua deciso em fazer de Julia sua esposa. Vira o que aprendera com os velhos homens 
que foram seus dolos masculinos. Eram esses valores que pretendia passar aos prprios filhos.
   Julia o observava, querendo saber o que o noivo pensava e se tambm estava to admirado e confuso com o que acontecia. Esse era o problema: ningum nunca podia 
dizer o que Silas pensava.
   Pegou a bolsa e procurou pelo celular. No tivera tempo de carreg-lo antes de deixar Majorca. Ento o desligara para preservar o que restava da bateria. Encontrou 
o telefone e o tirou do fundo da bolsa. Ao lig-lo, surpreendeu-se com a quantidade de mensagens que tinha de checar.
   - Deveria se atualizar e passar para um laptop - comentou Silas.
   - Deveria. Mas, no momento, os negcios no esto dando dinheiro suficiente para isso.
   Silas franziu a testa. Vi Blayne usando um.
   - Oh, sim. Nick tem um. Mas ele viaja muito. Comeou a checar os recados, ligeiramente alarmada com a quantidade de mensagens que eram da sua cliente. Ao ouvi-las, 
a inquietao se tornou ansiedade. E, depois, descrena. Desligou o celular e virou-se para Silas.
   - Tenho que ir ao local da festa. Houve algum tipo de confuso e preciso resolver isso o mais rpido possvel.
   - Que tipo de confuso? - questionou Silas.
   - Quando a cliente pediu para examinar a sala de jantar privativa, o pessoal do hotel lhe disse que a reserva para a festa tinha sido cancelada. Claro que, imediatamente, 
ela entrou em contato com Lucy, e as duas esto tentando falar comigo para saber o que se passa... Preciso ir l. Houve algum erro. Eu mesma fiz a reserva, e no 
a teria cancelado... no depois de todo o trabalho para convencer a direo do hotel a nos deixar usar, com exclusividade, a sala e o terrao.
   - No pode ligar? - perguntou Silas. Julia balanou a cabea.
   - Poderia, mas prefiro ir l e resolver pessoalmente.
   - Vou com voc - disse Silas.
   - Obrigada, mas no.  problema meu, no seu.  bvio que houve algum tipo de confuso e espero que no demore muito para tudo ser resolvido. - Continuava com 
as mesmas roupas usadas na viagem, e sentia-se suja e cansada, mas teria de esperar at poder relaxar.
   Meia hora depois, tendo decidido que seria mais simples e mais rpido caminhar at o hotel onde seria organizada a festa, Julia estava na recepo. Tentava 
parecer calma e profissional enquanto explicava quem era e pedia para ver o gerente. Sua esperana era que conseguisse resolver qualquer que fosse o problema antes 
de anunciar sua presena aos clientes.
   Ao perceber o olhar duvidoso que a recepcionista lhe lanava, Julia se perguntou se no deveria ter tomado uma chuveirada e trocado de roupa, em vez de ter ido 
direto para l. Mas agora era tarde demais para se preocupar com isso.
   Esperou por mais de quinze minutos at que o gerente saiu do prprio escritrio e acenou para que fosse ao encontro dele. No pretendia tratar aquele assunto 
em pblico. Ento, diplomaticamente, sorriu e perguntou se poderiam conversar em algum lugar mais privativo. Por alguns segundos, pensou que o gerente recusaria. 
Mas ele disse bruscamente:
   - Muito bem. Venha por aqui.
   O escritrio para onde a levou era igual a todos os outros. Uma grande escrivaninha dominava o pequeno espao e a cadeira que lhe ofereceu era ligeiramente 
desconfortvel e muito baixa, enquanto a dele a deixava mais alto do que realmente era.
   Prt a Party, a firma de eventos, conseguia sua clientela com propaganda boca-a-boca. E no importava o quanto ela expressava sua opinio francamente na vida 
pessoal. Na vida profissional, Julia ensinara a si mesma a falar com cuidado e doura, e a usar de tato e diplomacia sempre. Principalmente, em ocasies como a 
de agora.
   Ao sentar-se, sorriu e se desculpou pela inconvenincia causada por alguma confuso, antes de insistir com firmeza:
   - Obviamente, houve algum erro em algum lugar, porque lhe asseguro que no cancelei nossa reserva. Vai lembrar das negociaes quando a reserva original foi feita...
   - De fato, lembro. E tambm lembro que foi acertado que voc faria um depsito de metade do valor estimado da conta.
   - Claro. E expliquei sua exigncia aos nossos clientes, que concordaram com esses termos.
   - Mas voc no cumpriu o combinado, cumpriu? Julia franziu a testa, mas tentou permanecer calma.
   - Desculpe. No entendo. O que quer dizer?
   - Quero dizer que no nos enviou a quantia combinada. E mais, ignorou os diversos e-mails que lhe mandei perguntando pelo depsito... inclusive meu ltimo avisando 
que, se o pagamento no fosse imediatamente disponibilizado, a reserva seria cancelada.
   - No... deve haver algum erro - protestou Julia.
   - Tenho cpias dos e-mails aqui... e mostrei tudo aos seus clientes.
   Julia no entendia o que acontecera, Lembrava claramente de ter recebido o cheque dos Silverwoods e entreg-lo a Nick, que deveria t-lo descontado e encaminhado 
um cheque da firma ao hotel - era assim que trabalhavam. Agora, entretanto, mais importante do que descobrir de quem tinha sido a culpa era garantir que o evento 
dos clientes dela transcorresse tranquilamente, como combinado. Tentaria de tudo para conseguir o perdo do gerente - mesmo que agora ele no parecesse disposto 
a fazer isso,
   - S posso pedir desculpas novamente- Houve algum erro...
   - No houve nenhum erro aqui. Mandamos diversos e-mails para o departamento de contabilidade de vocs, requisitando o pagamento do depsito, e nunca recebemos 
nenhuma resposta.
   Julia comeou a entrar em desespero.
   - Houve uma interrupo da nossa parte na comunicao. Peo desculpas. Assim que retornar a Londres descobrirei o que aconteceu. Mas, enquanto isso, sei que 
faremos de tudo para assegurar que a celebrao do casal Silverwood transcorra do jeito que querem.
   O gerente do hotel deu de ombros.
   - J os avisei que agora  impossvel permitir o uso exclusivo da sala de jantar. E, mesmo que fosse, no podemos fazer os arranjos necessrios na cozinha. No 
d para providenciar uma refeio como a que requisitaram, em to pouco tempo.
   Julia comeou a passar mal. Esse evento era responsabilidade dela. O casal Silverwood veio recomendado por um amigo. Desde o incio, a esposa disse o que queria 
e o quanto esse evento era importante. Ter que lhe dizer agora que, alm de no poderem usar a sala de jantar, tambm era impossvel organizar a refeio planejada, 
nos mnimos detalhes, no prejudicaria somente a reputao da firma - mais importante, arruinaria o que deveria ter sido um evento especial.
   A moa fez o mximo que podia, colocando o gerente a par de tudo, e apelou para que no pensasse no erro dela, mas na infelicidade que causaria aos clientes 
se o jantar no fosse adiante.
   - O hotel est cheio, e temos muitas pessoas que reservaram mesas na sala de jantar. Afinal de contas,  um dos mais famosos atrativos do hotel. Todos querem 
jantar l e apreciar Positano.
   - Signor, por favor.
   - Lamento, mas no  possvel.
   O gerente no s estava em p como se dirigia  porta, pretendendo se livrar de Julia. Entretanto, antes que chegasse  porta, esta se abriu. A Sra. Silverwood, 
muito chateada, passava pela recepcionista que tentara impedi-la de entrar no escritrio.
   - Julia, o que est acontecendo? Voc me garantiu que a sala de jantar estava reservada para nosso uso exclusivo, mas o signor Bartoli insiste que no est.
   
   Silas consultou o relgio. Tomara banho, trocara de roupa, checara seus e-mails e estava pronto para jantar. Julia sara h mais de uma hora - tempo mais do que 
suficiente para resolver um pequeno mal-entendido.
   Levou quinze minutos para caminhar at o hotel onde seria a festa. E quinze segundos para convencer a recepcionista a deixar que entrasse na sala do gerente.
   Silas ouvia vozes exaltadas. O gerente discutia com Julia, que estava em p, plida, acuada a um canto da sala. A outra mulher, que Silas presumia ser a cliente 
de Julia, soluava sentada em uma cadeira, exigindo saber o motivo da festa ter sido arruinada.
   - Signor Bartoli? - Os trs ocupantes da sala se viraram na direo dele. Julia parecia chocada e preocupada. Ficou espantada ao v-lo. O gerente estava a ponto 
de explodir, o rosto vermelho de raiva. J a cliente de Julia agia como qualquer mulher ao descobrir que o cuidadoso planejamento de um ano estava em runas.
   - Quem  voc e o que quer? Se for outra pessoa para insistir em que eu tire meus hspedes da sala de jantar para acomodar uma festa que no foi paga, ento...
   - Sou o noivo de Julia. Talvez possamos conversar.  um homem de negcios, mas tenho certeza de que tambm  justo e compassivo - disse, aproveitando o silncio 
momentneo para tirar o talo de cheques de dentro do bolso. - Tambm tenho certeza de que  possvel chegarmos a uma soluo. Os Silverwoods guardam somente as 
mais felizes lembranas do seu hotel, e tenho certeza de que gostaramos que continuassem tendo boas recordaes. A Sra. Silverwood quer muito essa festa. Tenho 
certeza de que pode conceder-lhe esse desejo to especial, apesar do mal-entendido que ocorreu. Estou preparado para recompens-lo pela inconvenincia causada. 
Sei que um homem como o senhor saber explicar a situao aos convidados que no fazem parte da celebrao. E estou igualmente certo de que vo concordar em jantar 
em outro lugar de forma a acomodar o casal Silverwood. J falei com o gerente do meu prprio hotel, o Arcdia, a respeito desse assunto, e ele confirmou que os 
seus hspedes podem jantar l... por minha conta. - Sem virar a cabea para olhar a noiva, Silas concluiu:
   - Talvez a Sra. Silverwood gostasse de uma taa de champanhe para restaurar as energias, Julia, enquanto o signor Bartoli e eu resolvemos esse assunto.
   Eram dez horas, e Silas avisara Julia de que se ela demorasse mais que dez minutos para tomar uma chuveirada e trocar de roupa, ento, desceria sozinho para 
jantar. Ela se arrumou em oito minutos. Agora, os dois estavam sentados  mesa no restaurante, um em frente ao .  outro. Tinham acabado de pedir o jantar.
   - No consegue acreditar que eu tenho feito o qu?
   - Sabe o que quero dizer! Pagar ao signor Bartoli vinte mil euros alm do valor da conta para faz-lo mudar de idia e deixar que o casal Silverwood fique com 
a sala de jantar.
   - O que saiu errado? - perguntou Silas.
   - No sei. Nosso sistema  que os clientes nos pagam todas as contas que contramos em nome deles. Dessa forma, mantemos nossas despesas gerais a um custo baixo 
e eles vem exatamente quais so os custos. Tudo o que lhes cobramos est relacionado aos nossos servios profissionais como organizadores.
   - Deveria ter ficado alerta ao receber aqueles e-mails. Indicavam um possvel problema.                        
   - Sim, teria ficado alerta se os tivesse visto, mas no os vi... - interrompeu a conversa, sorrindo, quando o garom trouxe o primeiro prato. Continuava agitada, 
uma mistura de ansiedade e adrenalina. A cena no escritrio do gerente deixou-a chegar ao limite fsico e emocional, e a ltima coisa que queria fazer era comer. 
Entretanto, no queria dizer isso a Silas. Tinha sido muito ruim o fato dele ter testemunhado a humilhao que passara e ter sido forado a salv-la. Estava extremamente 
chateada.
   Silas tinha pouca tolerncia com relao  vulnerabilidade emocional das outras pessoas, e era um aspecto da personalidade dele que sempre fizera com que Julia 
ficasse na defensiva e fosse cautelosa. Aquele homem parecia sempre to invulnervel a ponto de faz-la perceber ainda mais a prpria fraqueza. Silas pensava que, 
ao pagar o gerente de hotel para mudar de idia, resolvera todo o problema. Mas Julia agora estava preocupada em reembols-lo. A firma no poderia fazer isso. Lucy 
lhe confidenciara, angustiada, que mal se mantinham, quanto mais ter sobra de caixa. Julia no tinha dinheiro e, apesar do padrasto ser relativamente rico, a enteada 
no podia se imaginar pedindo-lhe vinte mil euros.
   Silas observou-a brincando com a sopa, antes de perguntar:
   - Qual o problema?
   - Nada. S estou sem fome.
   - No come h mais de doze horas. Como pode estar sem fome?
   - S no tenho fome. Mas estou cansada. Se no se importa, vou subir e vou... para a cama.
   Silas deu de ombros.
   - Se  o que quer, v em frente. - Era o jantar que ele queria, no a companhia dela, assegurou a si mesmo, quando ela empurrou a cadeira para trs e se levantou. 
E aquela pontadinha aguda que sentia, parecendo dor, na verdade, era somente irritao.
   
   Julia observava as cifras anotadas num pedao de papel. A cabea doa. Podia fazer os malabarismos que quisesse com aquelas cifras, no havia jeito de encontrar 
vinte mil euros. No gostava de contrair dvidas. Nem tinha um carto de crdito - como tambm no tinha uma poupana (comprava tantos sapatos!). A famlia era 
rica, mas o dinheiro estava aplicado em propriedades - como a fazenda em Amberley e o apartamento de Londres, onde vivia - bens a ser preservados para os futuros 
condes. No podia vend-los.
   
   Silas pegou a taa de vinho e olhou, sombrio, para o contedo. O vinho era encorpado, boa safra, mas deveria ter um gosto agradvel em vez de azedo. Ou ser 
que era o humor dele que azedara e no o vinho? Por qu? No seria porque Julia o deixara comendo sozinho? Geralmente comia sozinho. Afastou o prato e sinalizou 
para o garom.
   Enquanto o elevador o levava at a sute, perguntava a si mesmo o que estava acontecendo. Por que no ficara onde estava e terminara a refeio? Por que no 
somente a noite perdeu o sabor como tambm se tornou enfadonha e desinteressante sem a presena de Julia?
   Envolvida com as cifras, Julia no ouviu a porta se abrindo, ou notou Silas entrando at v-lo, de p, diante dela.
   - O que  isso? - perguntou ao pegar o pedao de papel para analisar.
   - Nada - mentiu Julia.                        
   Silas no a ouvira. Prestava ateno s pequenas quantias escritas naquele pedao de papel. E, alguma coisa dentro dele, que no sabia o que era, agonizava.
   - No acha que espero que voc me pague de volta, acha? - perguntou.
   - Por que no? Algum tem de fazer isso. E sei que Lucy no pode. Se a firma no pode pag-lo porque mal se mantm, ento, me sinto moralmente obrigada a fazer 
isso. Fui eu que negociei o evento dos Silverwoods.
   Ficou surpresa quando, de repente, o noivo amassou o pedao de papel violentamente e o jogou na cesta de lixo. Silas no entendia como o comentrio de Julia o 
incomodara tanto. Nem por que sentia raiva da noiva por no imaginar que ele no queria o dinheiro de volta.
   - Voc  minha noiva, lembra? O dinheiro que dei ao gerente do hotel, foi porque no desejava v-la angustiada e sendo importunada. Portanto, foi para meu prprio 
benefcio. No h razo para Lucy saber disso e muito menos para que me pague de volta - disse, srio.
   - Mas nosso noivado no  real. E mesmo que fosse, ainda assim, gostaria de reembols-lo.
   Silas olhou para Julia.
   - Por qu?
   - Porque no gosto do que acontece a um relacionamento quando uma pessoa usa outra... financeiramente ou de qualquer outra forma. Como poderia me respeitar? 
Como poderei respeitar a mim mesma se deixar que me sustente? No posso me igualar a voc em dinheiro. Mas se fssemos um casal, gostaria de me igualar em respeito 
e...
   Silenciosamente, Silas digeria o que a noiva dissera. Tinha de admitir que Julia o surpreendera. Como essa jovem mulher, que confessara sua paixo por comprar 
sapatos, tambm manifestava um senso de responsabilidade e orgulho to profundo e arraigado?
   - J que seus clientes insistem que lhe enviaram o cheque, e mais, que o cheque foi descontado, me parece que h algum erro de contabilidade. O dinheiro deve 
estar na conta da firma. Quem lida com as finanas?
   Julia expirou devagar. Depois, relutante, disse:
   - Nick.
   - Blayne? - questionou Silas.
   Julia desviou o olhar. Relutava em admitir que comeava a lembrar de alguns comentrios muito estranhos e preocupantes que Carly fizera antes de deixar a firma 
para se casar com Ricardo. Nick estaria fraudando a firma?
   Relutava em falar abertamente com Silas sobre as crescentes suspeitas que tinha, poderia estar errada. Nick podia t-la ameaado, afirmando que a puniria por 
se recusar a ceder s cantadas dele. Mas no poderia ter cumprido a ameaa, permitindo que a reserva fosse cancelada. O momento simplesmente no era o mesmo. A 
no ser que, de uma forma ou outra, tivesse acessado os e-mails dela... Mas isso significaria que Nick estava roubando a prpria esposa. E por que faria isso? Ento, 
lembrou-se de que Blayne quisera vir a Positano com ela.
   - Agora, qual o problema? - perguntou Silas ao ver como a fisionomia da noiva mudara e a ansiedade pairava no olhar.
   - Pensava em Nick - disse Julia.
   
   
   CAPITULO SEIS
   
   Pensando em Nick? Julia desejava Blayne, apesar de ter insistido em negar, e de ter reagido fisicamente quele homem. Silas no estava acostumado a ouvir uma 
mulher expressar seu desejo por outro homem quando estava com ele. E tampouco aos sentimentos que experimentava agora. Raiva, dor - cime'? O que estava acontecendo?
   Sem se dar conta de como o noivo interpretara o que dissera, Julia respirou fundo. Depois, perguntou:
   - Silas, no acha que Nick estaria...?
   - No acho que estaria o qu? To infeliz no casamento que deveria deixar Lucy por voc? - questionou Silas, com raiva.
   - Deixar Lucy por mim? J lhe disse que no o quero!
   - Mas no consegue parar de pensar nele!
   - No estou pensando nele dessa forma.  Lucy quem me preocupa.
   Como Silas parecia no ter se convencido, a noiva lhe disse:
   - Nick lida com as finanas da firma, e no consigo parar de me perguntar...
   Era difcil dizer o que pensava. Mas podia ver pela fisionomia de Silas que teria de fazer isso - a no ser que quisesse que o noivo pensasse que ela continuava 
interessada em Nick. Embora por que, de repente, parecia to importante convenc-lo de que no queria Blayne, e de que no havia mais ningum na vida dela, isso, 
Julia no sabia explicar.
   - Provavelmente, estou sendo estpida, mas no posso deixar de me preocupar com o fato de que Nick talvez esteja... Acha que ele possa estar fazendo alguma coisa 
errada? - perguntou, ansiosa.
   - Como assim?
   Quando a noiva comeou a morder o lbio inferior, demonstrando ansiedade e inquietao, Silas compreendeu o que Julia tentava dizer. 
   - Acha que Blayne possa estar fraudando a firma?
   Uma sensao de alvio cedeu lugar ao desconforto anterior.
   - Sim! No sei. Por que faria se  casado com Lucy? Mas sei que nunca vi esses e-mails do hotel. Sei que entreguei o cheque a Nick, junto com as faturas.
   - Disse que a firma est lutando para gerar capital. Talvez a situao seja pior. Blayne no fez os pagamentos porque no havia dinheiro suficiente.
   - Nesse caso, por que no me disse nada? Por que no me avisou? Ficou muito chateado por no vir a Positano comigo. Pensei que fosse porque lhe dissera que no 
iramos transar. Mas se sabia que haveria um problema aqui... No sei o que pensar ou fazer. Lucy  uma das minhas duas melhores amigas. A ltima coisa que desejo 
 fazer algo que possa mago-la.
   Era natural que se sentisse aliviado ao descobrir que Julia no mentira. Mas uma voz interna zombava, dizendo: "Aliviado, sim. Mas quase eufrico?"
   - Gostaria que eu investigasse discretamente?
   - No sei. Talvez eu mesma consiga falar com Lucy... e checar tudo.
   - Est preocupada com que Lucy tambm esteja envolvida? - arriscou Silas.
   - No! Lucy nunca faria nada desonesto.
   - Mas acha que Blayne possa ter envolvido a esposa em algo que ele tenha feito e que seja desonesto?
   - No sei... e, como disse, no quero fazer nada que possa mago-la. Lamento tanto, e me sinto um pouco culpada tambm. Se no tivesse sido por mim, minha amiga 
nunca teria conhecido Nick.
   - No pode dizer isso. Lucy poderia t-lo conhecido sem voc.
   Julia parecia to angustiada que Silas quis confort-la. E no s verbalmente. De uma forma ou de outra, se aproximara mais da noiva.
   - Sou grata pelo que fez no hotel - disse Julia. Silas estava sendo muito gentil e compreensivo, - S desejo... - Parou de falar quando o noivo se aproximou 
e a tomou nos braos. 
   - Por que no esquecemos a firma e nos concentramos em ns dois?
   Tanta coisa acontecera que quase esquecera a excitao que sentira mais cedo. Quase, mas no totalmente. E agora essa excitao voltara, o prazer mais quente 
e doce dessa vez, enquanto Silas a beijava. Julia deslizava os braos ao redor do pescoo daquele homem enquanto saboreava o beijo profundo e apaixonado. Depois, 
tremeu de prazer. Silas esculpia as curvas do corpo da noiva antes de tomar posse dos seios.
   O desejo veio logo. De olhos fechados, podia v-los juntos, em imagens erticas - as mos e a boca de Silas no seu corpo nu, possuindo-a. Podia ver a si mesma 
se contorcendo de tanto desejo enquanto os lbios dele brincavam eroticamente com os mamilos, rgidos, quentes e atiados; as mos daquele homem deslizando por entre 
suas pernas que se abriam para ser sensualmente exploradas.
   Mas quem imaginaria tanta eficincia? Adorava como o noivo, com as pontas dos dedos, acariciava-lhe o seio, de forma to lenta e tentadora. E depois se dirigia, 
com erotismo, ao mamilo que tambm esperava pelo carinho.
   Parou de beij-la na boca e desceu at o queixo. Julia curvou a cabea para trs, de forma que ele pudesse explorar o suave pescoo. Depois, Silas desceu, indo 
at aquele lugar secreto, especial, onde o pescoo se junta aos ombros. E onde o calor da respirao dele era suficiente para faz-la tremer de desejo.
   Ao ser segurada, tocada e beijada assim, sem nada a fazer a no ser deixar Silas provoc-la, sentia um prazer deliciosamente sensual e uma satisfao completa. 
Calmamente, exalava um exuberante suspiro de deleite e, com as pontas dos dedos, acariciava o espesso cabelo atrs do pescoo dele. Estava excitado, quente, firme 
e maravilhosamente msculo. Uma sensao de harmonia e felicidade, de legitimidade, a afagava calmamente como uma camada extra, deliciosa, de prazer fsico. Julia 
percorreu a curva do pescoo do noivo e depois a clavcula rgida, firme, com as delicadas pontas dos dedos.
   - Hum. Msculos fortes e adorveis.
   O tom de aprovao na voz de Julia, quase ronronando de prazer, fez com que Silas acariciasse um dos mamilos e mordesse suavemente a pontinha da orelha antes 
de sussurrar:
   - Por que no nos livramos dessas roupas? Embaixo das mos dele, o corpo de Julia se curvava, louco de desejo.
   - Pensei que no fosse nunca pedir.
   Silas apagara as luzes, mas as portas da varanda permaneciam abertas e as cortinas afastadas. O cu estava to claro, com estrelas e uma lua cheia, que a luz 
prateada que brilhava sobre o casal era mais do que suficiente para o noivo v-la claramente. Os olhos de Julia brilhavam de desejo, os lbios ligeiramente inchados 
e rosados devido aos beijos. Nem mesmo o fato de estar completamente vestida era capaz de disfarar a excitao que sentia: via-se plenamente os mamilos rgidos. 
Alcanou e traou, devagar, um crculo com a ponta do dedo ao redor do mamilo que tinha acariciado, observando com satisfao enquanto todo o corpo da moa se 
contraa e a respirao acelerava. Na imaginao de Silas, j podia ver o seio nu, a pele clara, cremosa, contrastando com a escurido do mamilo franzido. Podia 
sentir o corpo dela tremendo quando provocasse o bico rgido com a ponta da lngua antes de tom-lo inteiramente na boca. Podia inclusive ouvi-la gritando de prazer, 
num erotismo selvagem, enquanto pedia que a satisfizesse.
   O que Silas estava esperando? Julia lanou-lhe um olhar questionador. Depois, se esticou para toc-lo, acariciando-o com as pontas dos dedos, por cima da roupa. 
Procurou e encontrou o ponto de maior sensibilidade. O noivo descobriu que mal podia agentar tanto prazer. Respirava e permanecia firme e forte enquanto Julia o 
provocava, mapeando-o com a ponta do dedo. No queria perder nenhuma frao do quase inacreditvel prazer que sentia com o toque dela.
   No era com freqncia que Silas sentia necessidade de agradecer os presentes que a vida lhe dera - afinal de contas, era um homem que lidava com aspectos prticos, 
no emoes. Mas, de repente, reconhecia que recebera um prmio muito especial que o fazia mais feliz e tornava a vida mais agradvel. Queria Julia e ela o queria, 
e o desejo entre os dois era to quente e intenso, to imediato, que quase fazia com que o casamento deles se tornasse uma necessidade real.
   O que quer que fosse que tivesse imaginado quando pensou em se casar com Julia, no tinha sido como se sentiria nesse momento. Mas agora que se sentia assim... 
Silas soltou um gemido de prazer. Com as pontas dos dedos de uma das mos, a noiva o acariciava, devagar e ritmicamente. A outra mo era usada para abrir o zper 
das calas e afrouxar o cinto. Ser que ela queria que ficassem nus? Bem, tambm queria isso.
   Silas podia ser implacvel e engenhoso quando queria, descobriu Julia alguns segundos depois, quando suas roupas foram removidas de forma to rpida e determinada. 
Parecia que, um minuto atrs, se encontrava completamente vestida. E, no outro, estava sob a luz da lua usando somente uma calcinha de renda, pequenina, com o noivo 
se ajoelhando no cho na frente dela. Ou melhor, quase usando. Silas deslizara as mos por debaixo da calcinha de renda, que agora estava nas coxas, e passava a 
ponta da lngua no umbigo da noiva. Uma das mos descera e deslizava por entre as pernas dela, acariciado-lhe a parte interna das coxas. A esse toque, Julia suspirava 
de prazer.
   De alguma forma, o calor dos lbios provocando o ponto sensual, pouco acima da feminilidade de Julia; a lenta carcia exploratria dos dedos dele subindo pela 
coxa e debaixo da barreira de renda entre os dois, pareciam unir as duas partes do corpo dela atravs de uma quase invisvel corrente eltrica de prazer ertico. 
Isso fez com que quisesse encoraj-lo a toc-la mais profundamente. Que pedisse que lhe desse muito mais. Que o persuadisse a mexer-se rapidamente de forma que 
pulsasse l dentro, o calor tornando-se mais forte e intenso. Resumindo, isso fez com que ela quisesse...
   - Oh, Silas... - o indefeso gemido de prazer se transformou em uma arfada aguda assim que o noivo, com a ponta do dedo, o acariciou intimamente. Quase, no mesmo 
instante, o corpo de Julia foi tomado por um violento tremor de prazer que a deixou indefesa, trmula. Silas a pegou no colo e a carregou at a cama, deitando-a. 
Depois, tirou as prprias roupas.
   Conheciam-se h tantos anos e Julia sequer o vira de sunga. Pensava nisso enquanto o vido olhar se deleitava diante dos ombros largos e do abdmen definido. 
A pele era bronzeada, os plos do corpo escuros e suaves, cobrindo levemente o trax, mas transformando-se em uma linha mais densa abaixo do centro do corpo antes 
de engrossar ao redor da regio considerada o pice da masculinidade.
   - Voc tem um corpo magnfico e sexy. S de olhar, me derreto toda.
   Silas sempre soubera que a noiva era franca e dizia o que lhe vinha  cabea. Mas no sabia quanto prazer aquela franqueza lhe proporcionaria. Ficou ainda mais 
excitado. Era como se uma certa parte do "corpo magnfico e sexy" mostrasse o quanto apreciava o elogio.
   Julia o acariciava com a ponta de um dos dedos. A esse toque, Silas lutava para reprimir um gemido de prazer e uma pequena gota de fluido leitoso comeou a se 
formar. Silas a beijou com tanta paixo, que era impossvel dizer ou fazer qualquer coisa que no fosse corresponder aos carinhos dele.
   - J havia esquecido do quanto  bom sentir o toque pele com pele - murmurou Julia, sonolenta, enquanto se aconchegava ao noivo.
   - Ento, j fazia muito tempo desde a ltima vez? - perguntou Silas.
   - Uma eternidade. De fato, tanto tempo que mal consigo me lembrar. Sabe como . Quando a gente  adolescente, com todos aqueles hormnios em ebulio, a nica 
coisa em que se pensa  sexo. Mas depois, de alguma forma, a vida assume o controle da situao. Criar a firma e dirigi-la tem me tomado tanto tempo que quase no 
sobra para mais nada. Mesmo que tivesse encontrado algum com quem quisesse ir para a cama, no teria tido tempo.
   - Encontrou Blayne - lembrou Silas.
   - Mas Nick me trocou por Lucy antes que chegssemos a uma relao mais ntima.
   - Ento, sua reao apaixonada se deve mais ao resultado de uma frustrao do que qualquer real desejo por mim? - sondou Silas.
   - Quem disse que eu estava frustrada?
   - Voc mesma.
   - No. Disse que esquecera o quanto era bom sentir o toque pele com pele. E isso  diferente. Afinal de contas, tenho Roger para ter certeza de que no vou ficar 
frustrada.
   - Roger? - questionou Silas.
   - Sim. Meu vibrador - explicou Julia, sorrindo, quando o noivo a olhou intrigado. - Trata-se do melhor amigo de uma moa solteira.
   Silas comeou a rir.
   - Ok, sim - entendo perfeitamente.
   - Um vibrador  bom, mas nem se compara com o quanto  melhor estar com voc - disse ela com doura. - De fato... - Hesitou. Os dedos dela brincavam de encaracolar 
o suave cabelo do peito do noivo, os clios baixaram para esconder sua fisionomia, mas Silas ainda podia ver o calor aquecendo-lhe o rosto.
   - De fato? - encorajou-a, notando, fascinado e atordoado, que agora a noiva estava ficando corada.
   Os clios escuros se ergueram e Julia o observava.
   - De fato, foi a melhor transa que j tive - admitiu.
   Silas sentiu algo to forte que, por um momento, parecia que o corao parava de bater, alm do n na garganta. Devia ser porque estava lhe sendo dada a oportunidade 
para atingir seu objetivo.
   - Srio? Bom o suficiente para fazer valer a pena transformar esse noivado falso em um casamento real?
   - O qu? Est brincando! Silas balanou a cabea.
   - No. Estou falando srio.
   - Mas por que iria querer se casar comigo?
   - Oh, as razes de sempre. Voc me deixa aceso.  inteligente. E adoro o jeito como grita Siii-lasss! quando atinge o orgasmo.
   Julia riu e, brincando, beliscou-o no brao.
   - Essas no so boas razes.
   - No consigo pensar em outra melhor. A no ser que seja o prazer que tenho de preench-la com...
   Julia, ansiosa, perguntou:
   - Silas, no acho que...?
   - No acha o qu?
   - No usamos preservativo e no estou tomando anticoncepcional. O que faremos?
   - Quer filhos, no quer?
   - Sim, claro.
   - Ento, o que estamos esperando?
   - Melhor comprarmos alguns preservativos... e deixarmos o casamento para mais tarde.
   Como era possvel, em apenas dois dias, deixar de pensar em Silas como uma pessoa que ela preferia ver o mnimo possvel e descobrir que estava apaixonada e queria 
passar o resto da vida com aquele homem, de preferncia, fazendo bebs? Julia estava feliz e excitada demais para se preocupar.
   Tudo de que precisava para tornar o mundo dela perfeito era Silas. Uma cama. Um chuveiro grande o suficiente para duas pessoas. E uma caminhada mgica  beira 
mar, com sombras escuras o suficiente para que os dois pudessem se esconder no corpo-a-corpo, enquanto a paixo compartilhada os levava a esquecer tudo, e a s pensarem 
um no outro. Silas, de quem ainda sentia o gosto na lngua e cujo perfume ainda estava na pele e no cabelo dela. Silas, que sempre gemia antes de se render ao prprio 
orgasmo. Silas que a fazia sentir-se completa e a excitava, que a satisfazia e a despertava, como nenhum outro homem fizera ou fosse fazer. Estava obcecada pelo 
noivo e totalmente apaixonada. Silas tinha de ser o melhor amante do mundo, mesmo que protestasse.
   Essa manh, Silas colocou as mos no rosto de Julia e beijou-lhe o nariz enquanto o suor da paixo secava nos corpos midos. E disse com doura:
   - Nunca tire esses culos cor-de-rosa com os quais voc me v, certo?
   - culos cor-de-rosa? A coisa maravilhosa sobre se apaixonar por Silas era que j sabia tudo o que havia para saber a respeito dele. Ento, no poderia haver 
nenhum choque desagradvel para destruir o relacionamento.
   
   - Julia, minha querida, j lhe disse o quanto tudo isso  maravilhoso? - A Sra. Silverwood falou com entusiasmo e emoo, quando deixou os convidados e veio 
para perto de Julia. - E agradea ao seu noivo. No sei o que teramos feito se ele no tivesse conseguido convencer o gerente do hotel a mudar de opinio.
   
   Do outro lado do restaurante, Silas (os Silverwoods fizeram questo de inclu-lo na festa) terminava seu champanhe e se deleitava observando Julia. Rira mais 
nos ltimos dois dias do que em toda a vida. Rira mais e amara mais tambm.
   Esperava que seus filhos herdassem o esprito alegre e o senso de humor da me. O sexo com Julia era especial, como se nunca tivesse transado antes. Queria sempre 
mais. Era uma satisfao to intensa que no havia nenhuma experincia com a qual compar-la.
   Esse desejo louco fez com que Silas quisesse apressar o casamento com Jlia. O fim do ano estava muito longe, era tempo demais para esperar. Queria prend-la 
agora, o mximo que pudesse, permanentemente. Foi por isso que passou horas ao telefone essa tarde, enquanto a noiva checava os ltimos preparativos para o jantar. 
Entretanto, o resultado valera a pena, conseguira o que queria junto aos embaixadores americano e britnico. Agora, o que precisava fazer era convencer Julia.
   Eram quatro horas da manha e as ruas de Positano estavam vazias. Silas e Julia retornavam, de brao dado, ao Arcdia.
   - Os Silverwoods pareciam satisfeitos com a festa - comentou Silas.
   - Sim, graas a voc. Quase morri quando o gerente do hotel teve aquele chilique ontem e ameaou desistir de tudo. Foi muito perspicaz ao deix-lo pensar que 
o cozinheiro-chefe do Arcdia ficaria feliz em assumir o jantar.
   Silas riu.
   - Perspicaz talvez, mas no inteiramente verdade. Ainda assim, funcionou. Ainda temos dez dias antes da festa de Dorland em Marbella, certo?
   - Sim, mas teremos que estar l antes, para nos assegurarmos de que tudo est organizado apropriadamente.
   - Quanto tempo antes? Trs dias sero suficientes?
   - Em ltimo caso - concordou Julia. - Por qu? Tinham quase chegado ao hotel e Silas parou de caminhar, conduzindo-a a um lugar pouco iluminado, enquanto se 
encostava a uma parede, as mos nas coxas dela, guiando-a por entre as pernas dele que estavam abertas. S o cheiro do noivo era o suficiente para deix-la acesa. 
Julia se aproximou ainda mais e ergueu o rosto  procura de um beijo.
   - No vamos esperar para nos casarmos.
   A voz dele era grossa e firme, enviando uma onda de prazer que a sacudiu por inteiro enquanto o corao batia forte, um baque aturdido.
   - O que... o que quer dizer? - perguntou, incerta.
   - Quero dizer para no esperarmos at nos casarmos. Vamos fazer isso agora. Aqui na Itlia.
   As palavras do noivo eram doces como mel; o corao se encheu de alegria. Nenhum dos dois dissera a palavra que comeava com a letra A. Mas, como o conhecia, 
o fato de querer compromisso j mostrava o que Silas sentia. Mesmo assim...
   - Silas, no podemos - protestou.
   - Claro que podemos. J arranjei tudo. Poderamos nos casar dentro de uma semana... at menos, se eu pressionar nosso embaixador.
   - Por que a pressa? No confia em mim? Silas riu.
   - Sim, confio em voc. Mas no confio nos preservativos, no sei se resistem s nossas loucuras.
   Julia deu uma risadinha boba.
   - Silas, no poderamos... poderamos? - respirava, excitada.
   - Voc quer?
   Fechou os olhos e depois voltou a abri-los.
   - Se quero ser sua esposa e garantir momentos maravilhosos pelo resto da minha vida? Claro que quero. Mas e a famlia... e vov?
   - Ainda poderamos ser abenoados na Igreja de Amberley, e inclusive uma reafirmao de nossos votos seguida de um caf da manh formal, ps-casamento, se  isso 
que quer.
   - O que quero? Tudo o que quero  voc - disse Julia, ficando na ponta dos ps para poder beij-lo.
   
   
   CAPITULO SETE
   
   - Ainda no acredito que estamos fazendo isso - sussurrou Julia para Silas, nervosa, enquanto esperavam, lado a lado, pelos papis a ser checados. O embaixador 
americano recomendara que consultassem um funcionrio italiano versado nas complexidades do procedimento correto para permitir que pessoas de outras nacionalidades 
se casassem na Itlia. E, com uma velocidade que impressionou Julia, toda a papelada necessria tinha sido reunida e submetida  apreciao. E aqui estavam, h 
mais ou menos uma hora, menos de cinco dias depois de Silas sugerir que fizessem isso, prestes a se casarem.
   - Ser uma cerimnia civil.
   - Mas, a partir de agora, qualquer coisa que faamos ser mais especial. Seria realmente muito bom se pudssemos reafirmar nossos votos em Amberley, como sugeriu, 
Silas. Quase como se fosse um segundo casamento.
   Como o Diamante de Monckford estava em Nova York, Julia no tinha anel de noivado para usar com a aliana de ouro que o casal escolheu numa pequena joalheria, 
em Roma.
   Os olhos de Julia se encheram de lgrimas quando, juntos, fizeram seus votos. Ao colocar a aliana no dedo de Silas, Julia baixou a cabea e a beijou, prometendo-lhe 
silenciosamente: Amarei voc para sempre.
   Descobrira que Silas no era homem de falar das prprias emoes. Mas tinha certeza de que a amava. Antes de comemorarem o primeiro ano de casamento, j o teria 
ensinado a dizer que a amava. Concordaram que no usariam as alianas at que retornassem  Inglaterra e contassem ao av dela o que haviam feito.
   - No quero que ele saiba disso atravs da moa da limpeza que trabalha para a minha me ou pela maldita revista de Dorland - dissera Julia a Silas quando conversaram 
sobre o assunto.
   - Tudo bem - concordara Silas.
   Julia olhava para o marido feliz. Teriam uma noite juntos em Roma antes de viajarem para a Espanha. Silas fizera uma reserva no melhor hotel da cidade.
   - Pensei em irmos direto para o hotel. A no ser que prefira fazer outra coisa.
   - O qu? Em vez de ir para a cama com voc? De jeito nenhum - disse Julia, balanando a cabea.
   Era to relaxante estar com Julia. Nunca tentava control-lo, e Silas adorava a forma como a moa falava claramente sobre o desejo que sentia por ele. O mtuo 
desejo sexual no era a nica coisa que dividiam. Julia se comprometera a preservar Amberley para as geraes futuras - mas no, como explicou, "...como algum 
tipo de museu. Amberley - a real Amberley, como  hoje -  o que  por causa da forma como cada gerao viveu l, porque tem sido realmente um lar. No porque foi 
mantida exatamente como era quando foi construda. Sei que vov a abre ao pblico durante vrios meses no ano. E sei que essas manses europias, que mais parecem 
um palcio ou um castelo, so realmente muito grandes para se viver em..."
   - Ento, o que far? - perguntara Silas.
   - Oh, todos os tipos de coisas. Poderamos organizar noites musicais no salo verde, de forma que jovens msicos pudessem tocar Handel no tipo de cenrio para 
o qual ele escreveu sua msica. Poderamos ter encontros literrios na biblioteca. Poderamos fazer coisas que beneficiariam no somente a casa, mas a outras pessoas 
tambm. Imagine o que significaria para crianas, aprendendo a tocar um instrumento, ser capazes de ter algumas aulas no salo verde, por exemplo. E ainda h a casa 
da fazenda. Sei que est um pouco abandonada, mas h terra mais do que suficiente para que possamos ter espcies raras de galinhas e patos...
   - Minha vida est focada em Nova York. Tenho obrigao e responsabilidade perante a Fundao.
   - Sei disso. Mas poderamos nos dividir entre Amberley e Nova York, no?
   - Claro.
   - Silas, receio no saber muito sobre os trabalhos da Fundao. Ter que me explicar como funciona e se posso ajud-lo.
   Sim, tinha todo o direito de parabenizar a si mesmo devido  perspiccia em decidir se casar com Julia. Ela era, como dissera  me no dia do aniversrio de dezoito 
anos da moa, a esposa perfeita.
   O hotel no qual Silas fizera as reservas era antigo e elegante, escondido num labirinto de ruas estreitas que desembocavam numa praa tranqila, onde uma fonte 
ornamental jorrava gua que caa em uma requintada bacia de mrmore. Havia tambm esttuas de mrmore. A grandiosidade austera do mrmore era quebrada por grandes 
urnas, em estilo clssico, repletas de flores.
   A sute do casal tinha uma sacada que dava para a praa, Julia olhou na direo da varandinha e uma deliciosa sensao de alegria antecipava o que viria. Fazer 
amor com Silas era maravilhoso, mas dessa vez seria mais especial - eram marido e mulher. Olhou para a aliana. Ainda no podia us-la permanentemente, claro. Se 
fizesse isso, algum poderia ver.
   - Pensei em jantarmos na sute essa noite - disse Silas ao entrarem no saguo do hotel. - Mas antes h uma coisa que quero lhe mostrar- - Conduziu-a por um corredor 
escuro com o teto em forma de abbada. De repente, parou e perguntou: - Onde est o seu chapu?
   - Aqui - respondeu Julia, mostrando-lhe o chapu que segurava com a outra mo. Pensara que ele iria rir, ou at se opor, quando insistiu em usar o belo chapu 
de palha no casamento. Mas Silas concordara.
    frente deles, outro corredor, as paredes esculpidas na pedra. Julia tremeu de frio, virando-se para o marido com um olhar questionador.
   - O hotel tem a prpria capela onde a famlia, dona da casa original, celebrava missa. A casa foi vendida com uma condio: que sempre houvesse velas acesas na 
capela, e que esta sempre estivesse aberta queles que quisessem vir aqui para rezar e agradecer.
   Chegaram a duas enormes portas. Hesitando um pouco, Julia olhou para o marido. Este, sorrindo, tirou-lhe o chapu das mos e o colocou, gentilmente, na cabea 
da esposa.
   - Foi por isso que a trouxe aqui. Assim, posso agradecer. E porque senti, enquanto nos casvamos, que uma parte de voc pensava na igreja em Amberley.
   Silas abriu as portas.  frente deles, Julia via uma luz de velas, borrada pelas prprias lgrimas. Segurando-lhe uma das mos, o marido a conduziu para dentro 
da capela. Silenciosamente, passaram pelos bancos vazios em direo ao altar. Uma antiga janela com vitral refletia a luz das velas. O cheiro era o de um lugar velho 
e mido, alm daquele indefinvel de igrejas antigas - uma mistura de incenso, paz e f, tudo junto com humildade e resignao.
   Julia inclinou a cabea. Silas retirou as alianas dos dois e depois lhe entregou a dele. Silenciosamente, trocaram alianas. Haveria algo mais profundo ou significativo? 
Julia se questionava. Ajoelhou-se em orao, assim como lhe ensinaram a fazer quando criana. Essa podia no ser a igreja da famlia, ou a religio dela, mas a espiritualidade 
daquele lugar a tocou como asas de anjos. At o marido, de cabea baixa, percebeu a mesma sensao de respeito e humildade que a esposa experimentava.
   - Silas, obrigada.
   Tinham acabado de entrar na sute e, assim que trancou a porta, o marido perguntou:
   - Por qu?
   - Pelo que acabou de fazer. A capela. Meu chapu. Compreendendo o que eu sentia. Por tudo.
   - Tem somente uma hora para se trocar antes do jantar.
   Era besteira ficar desapontada, e besteira maior ainda se sentir magoada porque Silas mudara de assunto - impedindo-a de continuar, como se as palavras emocionadas 
dela o irritassem. Sentira-se to perto do marido na capela. Mas agora, de repente, percebia que ele se distanciava.
   O celular de Silas comeou a tocar, e o marido se afastou para atender, mas no antes de Julia ouvir uma voz feminina.
   - Querido... surpresa! Sou eu... Aime!
   Julia ficou paralisada, mas Silas j se afastara, indo em direo  varanda. A voz estava muito baixa, no dava para escutar o que dizia.
   Aime DeTroite era uma socialite de Nova York cujas aventuras sexuais foram motivo de fofoca entre as celebridades. Vdeos particulares da moa - tendo relaes 
sexuais com vrios parceiros - tinham aparentemente sido roubados do apartamento da ricaa e divulgados na internet. Sua reputao era a de uma mulher difcil e 
mimada, que reivindicava que os famosos chiliques no eram causados pelo uso do p branco, como alguns artigos afirmavam. Creditava seus chiliques ao fato de sofrer 
de distrbio "bipolar", que alternava fases de depresso e euforia.
   Claro que Silas conhecera outras mulheres, e tinha amigas entre elas. O fato daquela ter escolhido telefonar-lhe agora podia ser questo de hora errada. Mas no 
podia culp-la por isso, e nem a Silas. E chamar um homem de "querido" dificilmente significava alguma coisa! Todo mundo fazia isso. At o marido quando conversava 
com ela - em pblico.
   
   Silas no tinha a menor idia de como Aime conseguira seu novo nmero do telefone, mas no perderia tempo perguntando-lhe.
   - Como fez isso comigo? Como ficou noivo de outra pessoa sabendo que o amo? No deixarei que ela o tenha. Voc  meu.
   O tom de voz comeou a subir, chegando  familiar histeria. Ao desligar o telefone, preocupado, olhou o quarto, querendo saber se Julia ouvira. Se estava triste... 
Franziu a testa, a ternura alegre de antes havia sido destruda pelo desagradvel telefonema. No queria que Jlia ouvisse outra mulher lhe telefonando na noite 
de npcias do casal. Mas aquilo no explicava a raiva que sentia porque Aime se intrometera na privacidade dele com a esposa.
   - Est tudo bem? - perguntou Julia quando Silas voltou para o quarto.
   - Tudo. - Havia certa rispidez na voz do marido, e ela podia ver que Silas franzia a testa. - Por que pergunta?
   - Por nada - mentiu Julia. A alegria anterior desaparecera. Sabia que o marido escondia algo dela e que outra mulher era responsvel por isso.
   Estava agindo muito mal. Silas reconheceu ao perceber o suspiro de Julia e o jeito como a esposa o olhava.
   - Esqueci que prometera a Aime que compraria alguns ingressos para um evento beneficente que ela est organizando.
   Julia forou um sorriso.
   - Sei que a namorou. - Graas a Nick, que lhe contara.
   - Nunca namorei Aime. S a conheo.
   - Mas e aquele vdeo no qual vocs... - Deixou escapar.
   - Isso foi... - interrompeu Silas e tentou controlar a raiva. Seria eternamente perseguido pela malcia de Aime e as mentiras que dissera sobre ele e o suposto 
relacionamento dos dois? Um namoro que no passava de fruto da imaginao dela?
   - No quero falar sobre isso. Estou casado com voc, apenas o nosso relacionamento interessa. - A voz de Silas demonstrava clareza, mas no amabilidade.
   A esposa no disse nada, mas ficou perturbada ao notar o marido to chateado. No era do feitio dele. Agia como se tivesse algo a esconder. Julia no queria 
alimentar aqueles pensamentos, e decidiu que no faria isso.
   Jantaram - a comida estava deliciosa - e conversaram. Julia suspeitou que bebera um pouquinho mais de champanhe. Agora, agitava-se, excitada por antecipao, 
quando o marido a puxou para si.
   O telefonema que recebera mais cedo e a mulher que ligara haviam sido banidos dos seus pensamentos, de forma firme e determinada. Era a noite de npcias deles 
e no deixaria que outra mulher a estragasse.
   - Ainda no acredito que estamos casados - sussurrou a esposa.
   Silas a acariciava no rosto, e era impossvel para Julia dizer alguma coisa. O marido a beijava devagar. Beijinhos que provavam cada curva e cada ngulo dos 
seus lbios. A ponta da lngua dele comeou a esquadrinhar mais profundamente, fazendo-a gemer e segurar-se nele com fora. Usava apenas um lindo xale de seda, que 
amarrara em si mesma, na dvida se havia ido longe demais ao decidir no usar roupa ntima.
   Agora, entretanto, saber que havia to pouco entre a pele dela e o toque de Silas era um afrodisaco em potencial que se juntava  excitao e ao desejo que 
sentia.
   - Voc  extremamente sensual. Sabe disso, no? - perguntou Silas enquanto esfregava a palma da mo por cima do mamilo coberto com a seda. Apreciava o prazer 
nos olhos dela tanto quanto a sensao do mamilo ficando cada vez mais rgido devido ao movimento rtmico dos dedos que o tocavam.
   Julia gemia e esfregava as coxas contra Silas. O xale de seda era to fino que mal cobria seu corpo. Estava amarrado na frente, e quando Julia se mexeu, o marido 
viu, de relance, a tentadora pele nua.
   Silas baixou a cabea e colocou um dos mamilos, cobertos pela seda, na boca, acariciando-o com a ponta da lngua, enquanto a esposa se contorcia de prazer. Mas 
aquele deleite no era nada comparado ao que sentira quando a acariciou intimamente. O prazer era tanto que Julia gemia e se contorcia, chegando a ter um pouco de 
medo de desmaiar.
   - Foi maravilhoso. Per-fei-to. Quem poderia imaginar que casar com voc seria to bom assim?
   - Vou considerar isso um elogio - disse Silas, pegando-a no colo e levando-a para a cama. - E farei a mesma coisa... a no ser que tenha alguma objeo.
   - Sem objeo. S aviso que talvez no consiga gozar novamente. No depois de um orgasmo desses.
   - Quer apostar?
   Silas se inclinava sobre Julia quando o telefone comeou a tocar. Imediatamente, ela ficou paralisada. Seria Aime ligando de novo? No momento em que Silas 
atendeu o telefone do quarto, Julia reconheceu que no era o celular dele tocando.
   - Era da recepo, querendo saber se havamos reservado um carro. Disse que ligaram para o quarto errado. Bem, onde estvamos? - Perguntou.
   De jeito nenhum deixaria Aime estragar o que desfrutava com Silas, Julia assegurou a si mesma quando o marido a tomou nos braos. Fechou bem os olhos, desejando 
no pensar em nada ou em ningum a no ser neles dois e no que compartilhavam. E se entregou completamente ao prazer.
   Uma hora mais tarde, concluiu que no haveria maior felicidade do que aquela, e que tinha sido idiota ao se preocupar com o telefonema. Estava quase adormecendo 
quando lembrou de uma coisa muito importante.
   - Silas! - disse, respirando com dificuldade.
   - O que foi?
   - No usamos preservativo.
   - No, no usamos.
   Se Silas no estava preocupado com o fato dela engravidar, ento no poderia estar envolvido com outra mulher. Poderia? Tinha sido idiota ao se preocupar, voltou 
a dizer a si mesma.
   
   
   CAPITULO OITO
   
   Marbella em setembro: o ms do vero quando as multides de turistas se foram, e os nicos visitantes eram os ricos, ou os integrantes da lista classe A, que 
sabiam que essa era a hora de estarem aqui. Ou ao menos, era o que a maioria dos convidados para a festa de Dorland acreditava. Esse era o pensamento de Julia enquanto 
o motorista da limusine os conduzia  entrada principal da casa mais luxuosa de Marbella - o famoso Alfonso Club, Golf Resort and Spa. Ou o Alfonso, como muitos 
se referiam ao hotel fundado por um prncipe europeu a partir de uma simples quinta familiar.
   Assim como St. Tropez, St. Moritz e diversos outros lugares no mundo inteiro; Marbella manteve seu status durante muitas dcadas. Julia suspeitava de que nenhum 
outro lugar do planeta, sem considerar Palm Springs, era o lar de tantas mulheres na faixa dos setenta anos competindo e tentando aparentar trinta e poucos. Vinham 
aqui no vero para tomar sol, antes de se retirarem para alguma clnica na Sua, onde eram paparicadas e preparadas para o prximo vero.
   Marbella era um lugar nico, ideal para se exibir um bronzeado, o penteado adequado, culos de sol decorados com diamantes e sapatilhas douradas, de couro, no 
estilo Gucci. No que o local no atrasse jovens celebridades - atraa sim, e em quantidade, um fato que Dorland reconhecera ao eleger o lugar para sediar a festa 
de fim de vero.
   Silas fizera uma reserva em uma das quintas privadas do clube e, enquanto eram conduzidos quele lugar, Julia decidiu que precisaria fazer alguma coisa para 
aumentar o guarda-roupa. Vira o quanto sua pequena mala contrastava com as pilhas de Louis Vitton que eram tiradas dos bagageiros das limusines. J tinha visto 
trs atores famosos, mais uma cantora com a banda e a comitiva, todos tinham sido convidados para a festa de Dorland.
   Para deleite de Julia, a quinta reservada no somente tinha um jardim privativo, mas tambm uma piscina.
   - Oh, que maravilha - exclamou, feliz, enquanto permaneceu olhando tudo, da porta que conduzia ao ptio, em direo  piscina.
   - Imaginei que gostaria -- concordou Silas, fazendo com que os dois rissem.e ficassem corados ao mesmo tempo.
   - S porque disse que gostaria de nadar nua com voc, e depois fazer amor ao ar livre, isso no significa que tivesse que tornar essa vontade realidade - comentou.
   - Quer dizer que, agora que  possvel, voc mudou de idia?
   - De jeito nenhum. Entretanto, terei de encontrar Dorland mais tarde. No quero mais traumas ou erros do tipo que tivemos em Positano. Ainda no posso acreditar 
que isso realmente tenha acontecido. O que ? - perguntou, quando viu a forma como o marido a olhava.
   - Recebi um e-mail da pessoa a quem pedi para fazer algumas investigaes a respeito de Blayne e da firma.
   - E?
   - Vamos nos instalar primeiro. Deve estar com fome. Vou pedir alguma coisa ao servio de quarto.
   - O que descobriu  ruim? - arriscou Julia.
   - Vamos arrumar nossas coisas primeiro.
   Julia segurou-lhe o brao, sentia que o marido tentava distra-la.
   - No, por favor, me conte agora. Sei que s quer me proteger, mas no sou mais uma menininha.
   - Tudo bem. Mas vamos nos sentar. - Silas sentou-se em uma cadeira e ela em um dos braos da cadeira, ficando perto do marido.
   - De acordo com o que a minha fonte descobriu... e no tenho motivo para duvidar; j o contratei antes para investigar algumas questes delicadas... parece que 
a firma tem problemas financeiros muito srios. E parece que Blayne vem fraudando a empresa... e Lucy tambm.
   - Oh, no! Mas como isso aconteceu? Lucy est sempre reclamando que o curador no vai deix-la tocar no fundo de garantia a no ser que lhe diga para fazer isso.
   - Talvez no, mas j permitiu que entrasse no cheque especial para cobrir o saldo negativo e garantir a firma. E isso significa que o banco pode exigir que ela 
liquide a dvida atravs do fundo de garantia. De acordo com o que a minha fonte descobriu, parece que grandes quantias de dinheiro foram retiradas da firma por 
Blayne, o que causou o saldo negativo que Lucy teve de cobrir. Parece que no h nenhum motivo comercial que justifique a retirada de quantias to elevadas. E minha 
fonte suspeita de que todas foram direto para o bolso de Blayne... se Lucy no souber o que o marido faz.
   - No pode saber. Lucy  honesta.
   - Talvez. Mas ama Blayne, e se ele a vem pressionando...
   - No importa o quanto Lucy ame Nick, nunca teria concordado com nada ilegal. Ela no  assim. - Lgrimas brilharam nos olhos de Julia. - Isso  to horrvel! 
Imagine amar algum que pudesse fazer isso a voc. E Nick...como fez uma coisa dessas? - Mordeu o lbio inferior e olhou triste para Silas.
   - Vai ser terrvel quando Lucy descobrir o que Nick vem fazendo.
   - Sim, mas voc no pode interferir - avisou Silas.
   - E uma das minhas melhores amigas. Lucy, Carly e eu somos como irms. No posso simplesmente assistir a tudo quieta e deixar que Nick a destrua.
   - O que lhe disse foi o que a minha fonte informou. O que acha que acontecer se contar e sua amiga se recusar a acreditar em voc? Blayne  o marido. E Lucy 
 louca por ele.
   - Mas temos de fazer alguma coisa.
   - Talvez eu pudesse sondar o curador discretamente.
   - Marcus, quer dizer? Lucy o detesta.
   - Talvez, mas ainda  a melhor pessoa para lidar com a situao sendo o representante dela. Disse  minha fonte para checar novamente e depois me dar um retorno. 
At que faa isso, no podemos fazer nada. Blayne tinha que pagar alguma conta para essa festa de Dorland? -- perguntou Silas.
   Julia franziu a testa.
   - No, trabalhamos juntos com Dorland, e ele mesmo pagou tudo. Vou ser mais uma anfitri do que qualquer outra coisa. Mas por que pergunta?
   - Se Dorland tivesse dado dinheiro  firma de vocs, provavelmente essa quantia teria ido parar no bolso de Blayne. Ento, o problema que aconteceu em Positano 
se repetiria.
   - No, Dorland pagou tudo ele mesmo. Ainda bem.
   Algumas horas mais tarde, Julia bateu  porta da sute de Dorland.
   - Julia! O qu... sem jias? - exclamou Dorland ao abrir a porta e examinar a mo esquerda dela. - No me diga que o noivado acabou?
   - No ainda - respondeu, com malcia. No tinha a menor inteno de dar a Dorland qualquer pista de que ela e Silas estavam casados. E no iria deix-lo adivinhar 
o motivo.
   Dorland fez biquinho e pestanejou. Julia, ento, viu que eram clios postios, na cor turquesa.
   - Pensei que Silas a cobriria com relquias de famlia.
   - As seguradoras no deixariam.
   - Tem que ver isso. No h nada pior do que um bilionrio sovina.
   - Silas no  sovina.
   - Oh, est apaixonada! Sexo  maravilhoso, mas, acredite, diamantes so melhores.
   - Falando nisso, o colar da Tiffany apareceu?
   - No. E no vamos falar a respeito agora. Quero falar sobre minha fabulosa festa. Todas as celebridades viro... uma certa princesa europia, mais um casal de 
Hollywood. Todos os da lista VIP estaro aqui... inclusive um certo jogador de futebol internacional e sua esposa vo vir, e adivinhe quem vo trazer?
   - Quem?
   - Jon Belton!
   Julia parecia impressionada com a meno do famoso cantor.
   - Oh, Julia, estou to excitado. Vai ser a festa do ano... e, claro, a minha revista vai ter a cobertura exclusiva desse evento. Agora, doura, vamos ao trabalho. 
J falei com as pessoas do hotel e escolhi os arranjos musicais para o piano. Mas sabe, estive pensando... No seria engraado ter bales com o desenho de um piano... 
bales pretos com um piano branco, talvez incrustado de um minsculo diamante?
   - Acha que  uma boa idia? - perguntou Julia, cautelosa.
   - Claro que sim. Por qu? No acha?
   - Bem, poderia ser um pouco exagerado, no acha?
   - Julia, sou Dorland Chesterfield... nada que eu faa pode vir a ser exagerado - disse num tom teatral.
   
   - Como esto as coisas?
   Julia balanou a cabea enquanto Silas lhe segurava a mo, com firmeza. Esperava pela esposa quando, finalmente, deixara a sute de Dorland. Agora, retornavam 
 quinta atravs dos jardins do hotel.
   - Dorland est usando clios postios na cor turquesa. Aparentemente, vai usar lentes de contato na mesma cor para a festa. E vai fazer bronzeamento artificial.
   - Comeo a temer o pior - murmurou Silas ironicamente.
   - Roberto Cavalli fez uma camisa especialmente para Dorland, e ele vai usar um terno branco.
   Julia percebeu que o marido comeava a tremer de tanto rir.
   - Silas, no  engraado. Ele comprou um poodle branco... e uma coleira de diamantes e turquesas.
   - Para quem?
   - Para o poodle, claro. Silas, pare de rir. Silas! - protestou Julia ofegante quando, de repente, o marido parou de andar e a puxou na direo dele. - Estamos 
quase chegando  quinta - disse Julia assim que as mos do marido moldaram seu corpo.
   - No posso esperar tanto.
   A pele de Silas cheirava  brisa de noite quente e os lbios estavam ligeiramente salgados enquanto provocavam e satisfaziam os dela. Julia enroscou os braos 
no pescoo dele e traou o formato da boca do marido com a ponta da prpria lngua, gloriando-se no j familiar prazer, incandescente, ertico, que a excitava. No 
seria sempre assim entre os dois. Um dia, essa paixo se tornaria um brilho quente, confortante. Um dia. Daqui a muitos anos, quando estivessem velhos...
   Envelhecer com Silas. O resto da vida os dois juntos. Como era sortuda e feliz. Segurou-o com fora, mantendo-o bem junto de si, beijando-o apaixonadamente. Emitiu 
um suave som de prazer, que vinha l do fundinho da garganta, quando sentiu que o marido comeava a desabotoar-lhe as calas e, depois, deslizou uma das mos l 
por dentro.
   - Est to molhada...
   - Silas... - O corpo da esposa j se movia ritmicamente aos carinhos dos dedos dele. Julia tremia de prazer. O marido a tornava completa. E fazia com que ela 
quisesse sempre mais.
   - Silas, vou gozar - avisou-o.
   - No. No ainda. Quero ver quando fizer...
   Retirou os dedos devagar e depois beijou-a com carinho, mantendo-a ao lado dele enquanto caminhavam de volta para a quinta.
   
   
   CAPTULO NOVE
   
   Julia estava deitada na cama, ao lado de Silas. Sonhava acordada, vendo o raio de sol afagar a pele nua do marido. O corpo dele era perfeito e, s de olh-lo, 
sentia-se plena, radiante. Nunca imaginara que conheceria esse tipo de alegria e satisfao, ou sentiria que o futuro fosse um caminho cor-de-rosa cintilante.
   - Pensei que tivesse dito que queria se levantar cedo hoje, sendo o grande dia de Dorland.
   - Disse - concordou, relutante.
   Estaria ocupadssima quase todo o dia, e concordaram que Silas a deixaria fazer o que precisava ser feito enquanto ele daria continuidade ao prprio trabalho. 
Mas no ainda. Aconchegou-se ao marido, desenhando, com a ponta da lngua, formas sexy no ombro nu de Silas. Depois, mordiscou a pontinha da orelha e sussurrou:
   - Tem que adivinhar o que estou desenhando e se estiver errado vai pagar uma multa.
   - Qual ?
   - Ou massageia meus ps ou faz amor comigo.
   - E se eu acertar e ganhar?
   - Massageia meus ps e faz amor comigo. Estou registrando quantos orgasmos j tive com voc.
   - Para qu? Comparao ou posteridade?
   Julia riu. 
   - Bem, no  para comparao - ningum se compara a voc. Acha que devo contar todos aqueles pequenos minimltiplos "o" que tive na noite passada como um ou individualmente?
   Quando Silas se mexeu, as roupas de cama deslizaram pela cintura dele, revelando-o excitado, o que a deixou admirada e satisfeita.
   - A contagem chega a dois dgitos? - perguntou.
   - Bem... com os mltiplos j ultrapassei e, semeies, j estou na metade do caminho para trs dgitos. Oh... isso  to bom... - A respirao se tornara pesada 
enquanto a lngua do marido acariciava o mamilo de um dos seios nus ao mesmo tempo em que os dedos trabalhavam, com sensualidade, no outro.
   Puxando-a para perto de si, ele permaneceu esticado na cama. Julia ficou por cima dele de joelhos e se apoiando com as mos. Ao ver a excitao da esposa ao responder 
aos carinhos dele, convenceu-se do quanto Julia era nica. Transar anteriormente, mas nunca tivera relaes sexuais com uma mulher que lhe respondesse com clareza 
e alegria, a completa naturalidade e a felicidade manifestadas por Julia. Mostrara-lhe, de formas to diferentes, o quanto o sexo lhe dava prazer e a fazia sentir-se 
bem. E, consequentemente, a esposa fazia com que ele se sentisse muito bem.
   A forma ofegante de dizer "Oh, Silas, veja!" o desviou dos pensamentos. Obediente, olhou para o prprio corpo at o local onde a esposa estava.
   - No parece bom? Est to excitado! - Julia se mexeu um pouco mais, usando os prprios msculos para apertar, e depois, acarici-lo intimamente de forma que 
o marido fechou os olhos e lutou para manter o autocontrole. Mas Julia tinha outras idias. Silas podia ouvi-la rindo suavemente quando o segurou com mais fora. 
O controle explodiu no louco desejo de torn-la novamente, agarrando-lhe as coxas, enquanto a esposa gemia e se contorcia.
   
   Julia parecia uma mulher de negcios, controlada, mas estava satisfeita sexualmente. Parabenizava-se com relao a isso enquanto ouvia um homem contar- I lhe 
a festa de aniversrio da qual participara em Veneza.
   - E fomos levados  festa nessas fantsticas gndolas ao longo dos canais. Todos estavam fantasiados. Ouvi dizer que uma emissora de TV americana est filmando 
a festa de Dorland para um daqueles documentrios que mostram o dia-a-dia das pessoas.  verdade?
   - No sei, Charles. Ter que perguntar a Dorland.
   - E quais so os famosos que vo estar aqui?
   - No vi a lista de convidados - retrucou Julia. O que no era verdade.
   - Julia, querida!
   Charles foi empurrado, e colocado de lado, por trs mulheres que Julia reconheceu vagamente da escola - no coleguinhas mas as respectivas mes. Uma delas, segundo 
rumores, no tinha sido - como gostava de apregoar - na juventude, uma modelo de alto valor, mas sim uma prostituta cara.
   - Foi muito inteligente ao pegar Silas. - Olhares agudos e frios a atingiram, indo da cabea aos ps.
   Essas mulheres faziam parte da nova ordem social - divorciadas na faixa dos cinqenta e poucos anos, preparadas para jogar sujo quando o assunto era aparentar 
estarem na faixa dos trinta. Enquanto os ex-maridos usavam o dinheiro para troc-las por modelos mais jovens, essas mulheres gastavam os acordos estabelecidos com 
o divrcio tentando voltar no tempo. E as mais bem informadas, s vezes, conseguiam. Infelizmente, as trs no estavam nesse grupo.
   - Sim - concordou Julia, lanando-lhes um sorriso de felicidade. - Todo aquele dinheiro, e um ttulo - e o melhor de tudo, ele  maravilhoso na cama.
   Julia deixou-as com seus rostos vermelhos e olhos invejosos, para ver como estava indo a decorao da tenda montada para o evento.
   Todos os convites especificavam que os convidados de Dorland deviam usar os prprios trajes j clicados por paparazzis ou uma cpia de um usado por algum. E 
Julia previra que, pelo menos, metade das convidadas com menos de 35 anos (e isso significava todas as convidadas uma vez que nenhuma delas admitiria ser mais velha) 
estaria usando uma cpia do minsculo vestido cintilante do estilista Julien Macdonald. O modelito foi usado por uma certa top internacional quando, em um casamento, 
atraiu mais ateno do que a prpria noiva. Com isso em mente, Julia sugerira a Dorland que mantivessem o interior da tenda com elegncia e em cores que realariam 
o famoso vestido.
   Primeiro, Dorland resistira ao conselho, apaixonando-se pela idia de copiar o casamento de um certo casal, com cadeiras imitando tronos dourados, ornados com 
jias falsas era vez das simples cadeiras de jantar sugeridas por Julia.                                                   
   Ao chegar  ante-sala da tenda principal, o pessoal da montagem acabava de erguer a fonte de champanhe pela qual Dorland se apaixonara. O prprio estava ocupado, 
rindo, com um bando de louras magrrimas e de pernas longas, que seguravam pequenos cachorros peludos.
   A combinao de latidos agudos - dos animaizinhos e das donas - era uma agresso aos tmpanos. Julia pensava isso ao sair apressada, parando abruptamente quando 
viu Nick bloqueando a passagem.
   - Ouvi que voc estragou tudo em Positano - comentou.
   Julia no gostava de ser intimidada. Ergueu o queixo e disse claramente:
   - Algum, com certeza, fez isso.
   Pensou por um minuto que Nick a desafiaria a explicar o que quis dizer. Em vez disso, olhou para a mo esquerda dela e, zombando, disse:
   - Silas ainda no lhe deu um anel?
   - De fato, deu - mentiu Julia. Afinal de contas, o marido dissera que queria que ela usasse o Diamante de Monckford.
   - Devo dizer que me surpreendeu. Nunca pensaria que tivesse alguma coisa para fisgar um homem como Silas. Eleja lhe contou sobre Aime DeTroite?
   - No importa o que Aime foi para Silas, isso agora  passado.
   - Quer dizer que Silas contou que a moa faz parte do passado? At onde Aime saiba, ela faz parte do presente e do futuro... mas, claro, seu noivo no lhe diria 
isso.
   O que vira em Nick? Era asqueroso, vil, e o odiava pelo que fazia a Lucy.
   - No, mas me contou sobre voc.
   - O que quer dizer com isso?
   - Sabe o que quero dizer. Significa que Silas investigou voc e a firma. Como fez isso com Lucy?
   - O que disse a ela?
   - Nada. Mas...
   - Julia, tem um momento? - chamou Dorland.
   - Claro. - Sorriu, se afastando de Nick, e foi ver o que Dorland desejava.
   Ser que Nick s queria chate-la quando falou sobre Aime? Ou ser que a outra mulher tinha base para afirmar que estava envolvida num relacionamento com Silas? 
Agora, um caso. Silas estava casado.
   O corao batia dolorosamente. Julia sentiu-se mal e tonta devido  mistura de ansiedade, confuso e adrenalina correndo nas veias. Estava determinada a manter 
a crena de que no importava o que acontecera antes dela na vida de Silas. Isso s dizia respeito ao marido. Aime no era o tipo que Julia pensaria ter atrado 
Silas. Mas namoraram. E Silas aparecera num daqueles vdeos roubados. No vira o vdeo, mas lera a fofoca quando a histria se tornou pblica.
   Nick era encrenqueiro, e Silas tinha o direito de ter um passado. Entretanto, Julia precisava saber que no s era o presente e o futuro, mas tambm que seria 
o nico presente e futuro! E precisava saber disso porque estava completamente apaixonada pelo marido. Ou porque era a melhor transa que j tivera?
   Amar algum era muito mais do que dez segundos de orgasmo. Mais do que orgasmos duplos. Amar algum envolvia coisas como respeito, e querer dividir o resto da 
sua vida com essa pessoa, na doena e na sade. Significava que estar com essa pessoa acrescentava uma dimenso extra  sua vida. Significava que essa pessoa era 
a luz que preenchia sua vida, a pessoa especial sem a qual sua vida se sentia vazia e por quem o seu corao batia forte, sofrendo e desejando. E era assim que se 
sentia em relao a Silas. Quando retornou  quinta, o marido a esperava.
   - Desculpe a demora. Dorland no parava com a lengalenga sobre Jon Breton. Acho que est enrabichado pelo cantor. Oh, adivinhe quem est aqui? Nick.
   - Blayne. Por qu?
   - No sei. Dorland nos interrompeu antes que pudesse perguntar-lhe. No entendo como no imaginei o quanto ele  repugnante quando o encontrei peta primeira vez. 
Disse-lhe que sabemos o que est acontecendo, e quanto o odeio pelo que est fazendo a Lucy.
   - Pensei que tnhamos concordado que nada seria dito at que pudesse ser provado.
   - Sei que disse isso. Mas ele me irritou tanto que acabou escapando.
   - O que fez para irrit-la?
   - Disse que no podia entender por que voc me queria, e desejava saber se eu lhe perguntara sobre o seu relacionamento com Aime, - Olhou para o marido, mas 
este se recusara a falar.
   A linguagem corporal de Silas estava repleta de sinais de, "no toque no passado", que emitiram um tremor de ansiedade, fazendo com que Julia sentisse um frio 
na espinha. Sendo mulher, podia pensar somente em uma razo pela qual o marido no queria falar sobre Aime, e era porque ainda sentia alguma coisa pela ex-namorada. 
Nenhuma mulher se incomodava em falar sobre um romance desgastado. Ao fazer isso, confirmaria a louca adorao pelo atual amor. A esposa, ento, racionalizou que 
deveria dar-se o mesmo com os homens.
   De acordo com aquelas equaes complicadas, to familiares  mente feminina, Julia foi muito rpida ao concluir que Aime mais silncio era igual a amor no correspondido 
- o qual, quando aumentado de frustrao fsica mais orgulho masculino, resultava no casamento com ela. E aquela equao, quando totalizada com a prpria quantia 
do amor que sentia por Silas, mais insegurana, cime, incerteza, era igual ao efeito qumico de um fsforo aceso jogado num barril de plvora. O resultado era 
imediato e explosivo.
   - S casou comigo porque no a pode ter, no foi? Ela o rejeitou, ento, para fazer-lhe cimes, fingiu ser meu noivo! No me interessa quantos vdeos sexy fez 
com ela... Silas! -protestou Julia quando o marido comeou a se afastar, a passos largos.
   - Que inferno  esse? - perguntou com raiva ao se virar para olh-la. Voc  minha esposa, no um juiz federal, e alm disso...
   - Alm disso, o qu? S transou com ela?
   Silas no podia acreditar no que ouvia. Ser que a esposa realmente pensava que ele,..? Aime era totalmente louca e perigosa.
   - Pare com esse teatro. Casei com voc...
   - E transou com Aime... o mundo inteiro sabe disso, e boa parte dele viu o vdeo - comentou Julia.
   Silas encerrou a discusso batendo a porta com tanta fora que a quinta toda estremeceu,
   A festa de Dorland comearia em trinta minutos, e estava na hora de ir para a tenda - embora no tivesse feito as pazes com Silas. Durante todo o tempo em que 
se arrumava, esperou que o marido entrasse no quarto.
   Mas no entrara, e o orgulho no a deixaria ir procur-lo. Afinal de contas, no fizera nada de errado.
   Olhou o relgio. No podia demorar mais. Mesmo assim, ainda esperou no corredor de entrada da quinta, e jogou a bolsa no ladrilho do cho para alert-lo da presena 
dela no caso do marido querer se emendar. Mas Silas se manteve ausente. Silncio total. No deve comear a esbravejar, Julia avisou a si mesma ao abrir a porta da 
quinta, irritada.
   O marido desviou a concentrao do e-mail que recebera no laptop para ver a esposa deixando a quinta, apressada. Usava um vestido preto longo que se ajustava 
de forma sensual ao corpo. No quadril, colocou o que para Silas parecia o cachecol que a me dele lhe dera no aniversrio e, por cima, um cinto com pedras de turquesa. 
O efeito final era bem o estilo de Julia.
   A testa franzida desapareceu. Silas imaginou o quanto a esposa ficaria linda com as jias do maraj. E, provavelmente, pensaria numa forma inovadora de us-las, 
chocando os puritanos mais inflexveis. O som da prpria risada o assustou. Depois, franziu a testa ligeiramente ao voltar para o laptop.
   No dava para negar que Julia tinha o mais extraordinrio efeito sobre ele. Por direito, deveria ainda estar chateado com a esposa. Mas, em vez disso, estava 
rindo - e tentado a largar o laptop e correr atrs dela. A natureza alegre daquela mulher era irritante. Assim como os culos cor-de-rosa atravs dos quais enxergava 
a humanidade. Era ilgica e teimosa. E, s vezes, simplesmente maluca. E o fazia sentir...
   Sentir? No "sentia" coisas. Analisava-as e as dissecava. Aplicava-lhes raciocnio prtico - assim como fizera com o casamento. Mas como poderia aplicar raciocnio 
prtico a uma mulher que queria saber se um orgasmo mltiplo contava como um ou no? Raciocnio prtico e Jlia eram plos opostos. Era por isso que a esposa precisava 
ser vigiada. Era a nica razo para Silas tomar uma chuveirada, trocar de roupa e ira ridcula festa de Dorland.
   
   Era quase meia-noite, a festa j transcorria h horas, e Julia ainda no rinha visto nenhum sinal de Silas - embora tivesse passado a noite inteira procurando 
pelo marido.
   - Julia. - Endireitou-se ao ver Nick se aproximando com um grupo de rapazes que tinham bebido demais. Julia os reconheceu - eram filhos de alguns dos convidados 
de Dorland.
   - Trouxe alguns dos seus admiradores para lhe dizerem ol.
   Os meninos ficaram corados e gritaram. Geralmente se comportavam como adolescentes sob a influncia da bebida e dos poderosos hormnios.
   - Esto aproveitando a festa? - perguntou Julia, com doura. Ao mesmo tempo, olhava ao redor, discretamente, para ver se avistava Silas.
   - Mais algum quer champanhe? - perguntou Nick, mostrando a garrafa fechada que trazia consigo.
   - No para mim, obrigada - recusou Julia, mostrando-lhe a taa quase pela metade.
   - Que besteira... claro que quer um pouco - insistiu Nick, pegando a taa da mo dela e virando-se para coloc-la em cima de uma mesa enquanto abria a garrafa. 
Depois, encheu a taa da moa e as dos outros at a borda. - Aqui esto.
   Jlia, educadamente, tomou um gole de champanhe e tentou manter o sorriso enquanto os rapazes se juntavam ao redor dela, bbados.
   - Algum j lhe disse que tem tetas maravilhosas? - perguntou um deles.
   Fingindo no t-lo ouvido, afastou-se. Terminou de beber e colocou a taa em cima de uma mesa, querendo sair daquele lugar.
   -  Silas quem est ali? - perguntou Nick a Julia e viu, com satisfao, quando ela se virou para olhar o lugar indicado, em direo  tenda.
   Na escurido, do outro lado, separado de Julia devido a uma faixa enorme de convidados e jardins, Silas franzia a testa ao ver a esposa com Nick e um grupo de 
rapazes. Pelo que via, ela colocara a taa em cima de uma mesa e parecia estar tentando se livrar do grupo.
   Julia estava de costas para o marido. Algo com relao  postura da esposa fez com que Silas pensasse em uma raposa pequena cercada por ces de caa ladrando 
descontrolados. Blayne falava alguma coisa porque, de repente, Julia se virou para olhar na direo oposta da mesa. Atrs dela, um dos rapazes do grupo voltou a 
encher-lhe a taa enquanto outro jogava alguma coisa l dentro.
   Ansiosa e sem notar o que se passava, Julia continuou a olhar na direo que Nick indicara, embora no pudesse ver nenhum sinal de Silas.
   - Julia! - Embora soubesse que ela no seria capaz de ouvi-lo, mesmo assim, Silas gritou e comeou a abrir caminho por entre a multido, indo em direo  esposa.
   - Vamos l, beba mais - Julia ouviu Nick incitando-a ao lhe oferecer uma segunda taa de champanhe. Relutante, encarou-o, tomando um gole por educao. - Tenho 
que ir. Dorland deve querer saber onde estou.
   - No vamos deixar voc ir... vamos, garotos? Ande, beba mais um pouco.
   O olhar de Nick tinha algo assustador. Uma mistura de excitao com crueldade que fez com que Julia desejasse ficar longe dele. E os rapazes, embora charmosos, 
no estado de excitao e bebedeira em que se encontravam, s a lembravam animais famintos. Nick segurava-lhe o brao e os rapazes se aproximavam mais do que deveriam. 
Ansiosa para escapar do grupo, tomou mais um gole de champagne.
   - Vamos... - tem que beber tudo. No tem, rapazes? - Podia ouvir Nick falando mas era estranho, as palavras pareciam vir de longe. Mais estranho ainda, a boca 
estava ficando dormente, sentia o corpo pesado e via imagens desfocadas. Era como se estivesse sendo sugada para um buraco negro. Escurido e risadas enquanto mos 
a agarravam.
   - O que vocs lhe deram?
   Silas estava ao lado do corpo inerte de Julia, segurando-lhe um dos braos. Nick ficou vermelho de raiva e permaneceu onde cara, cuidando da mandbula machucada. 
Os menos bbados do grupo, rapidamente, comearam a ficar sbrios, e estavam brancos de medo.
   - GHB ou ecstasy lquido - respondeu um deles, envergonhado. - Algumas doses, aposto, porque Nick tambm colocou. - Nick, em silncio, olhou Silas de modo ameaador.
   - Blayne nos disse que ela estava disposta a isso, e que poderamos se o ajudssemos.
   Enquanto a ateno de Silas estava nos rapazes, Nick tentou ficar em p. Que Julia se danasse. Estava determinado a se vingar, e queria ter certeza de que ningum 
levaria as acusaes dela a srio. Se Silas no tivesse interferido, a Honrada Jlia estaria a caminho de se tornar uma Desonrada, no apartamento barato que Nick 
alugara. Tinha preparado tudo que precisaria para film-la se divertindo intimamente com aqueles jovens bbados.
   Amanh de manh, Nick teria um vdeo da coisa toda que lhe daria uma pequena fortuna e humilharia Julia. A esposa no acreditaria em uma palavra da preciosa amiga 
assim que o vdeo se tornasse pblico.
   Silas viu Nick saindo em disparada, mas no estava preparado a deixar Julia e ir atrs dele. Chegou at a esposa no momento em que ela desmaiou, e ouvira a lamria 
de protesto, tentando desesperadamente se livrar das mos que a tocavam.
   Silas ficou furioso e angustiado ao pensar em qual teria sido o destino da esposa se no tivesse testemunhado o que acontecia e chegado a tempo. Abraou-a, protegendo-a, 
enquanto ela se apoiava no marido.
   - V, encontre um mdico e o traga aqui - instruiu o mais sbrio dos rapazes. - Deve haver algum no posto de primeiros socorros. E quanto a vocs... no esquecerei 
o que quase aconteceu aqui essa noite.
   
   
   CAPTULO DEZ
   
   Silas permaneceu srio ao lado da cama observando Julia enquanto a esposa dormia. Passara boa parte da noite cochilando em uma cadeira para observ-la, estar 
l, caso acordasse e precisasse de ajuda. Os raios de sol que aqueciam suavemente a cama contrastavam com a escurido dos pensamentos do marido. A mulher estava 
ali, em segurana, mas poderia no estar, E teria sido culpa dele. Poderiam ter feito as pazes, depois da pequena discusso, antes de Julia ter deixado a quinta. 
Mas Silas optara por no fazer isso, considerando que a esposa deveria ser punida por levantar questes que ele no queria falar a respeito.
   Julia emitiu um pequeno som e o marido, imediatamente, inclinou-se na direo dela. O mdico que a vira na noite anterior assegurara que os efeitos causados 
pela droga, no seriam de longa durao.
   - Mas - avisara a Silas - num curto prazo de tempo, ela poderia ter alguns sintomas fsicos como nusea e tontura - e, o mais desagradvel, medo emocional e 
mental, flashbacks, at parania. Vai se sentir vulnervel e ameaada. Felizmente, como conseguiu salv-la, ser capaz de lhe assegurar que ela no precisa ter 
medo do que no lembrar.
   "Um dos aspectos mais dolorosos da forma como certos homens depravados esto usando essa droga contra as mulheres  o fato de que as vtimas no podem se lembrar 
do que aconteceu. Tm flashbacks, se recordam dos acontecimentos como se fossem um sonho, mas so lembranas vagas. Pela minha experincia, uma mulher que  violentada 
atravs de drogas se tortura pelo que no se lembra tanto pelo que pode se lembrar. Num caso traumtico e trgico com o qual tive que lidar h alguns meses, a moa 
em questo tirou a prpria vida. Sua parceira teve muita sorte.
   Incapaz de continuar pensando no que acontecera, Silas sentou-se na cama. Julia abriu os olhos e o viu - sorriu, os olhos acesos de calor e amor. Ento, como 
se o selo de proteo tivesse sido arrancado, a fisionomia mudou. Toda a alegria desapareceu assim como a areia fina escorre pela mo, deixando para trs um vazio 
que logo se preenche de escurido e dor.
   Silas via o medo e a confuso tomando conta da esposa como se fosse um nevoeiro frio, denso, impenetrvel. Tocou-lhe no brao, querendo confort-la, o corao 
batendo forte com a violncia das emoes quando a esposa recuou, afastando-se.
   - No, por favor - sussurrou. - No deve me tocar. Algo horrvel aconteceu. - As lgrimas e o olhar de vergonha cortaram o corao do marido.
   - Est tudo bem.
   - No est. No sabe o que aconteceu.
   Como chorava, Julia levou aos mos ao rosto. Sentia-se to fraca e confusa, consciente de que algo horrvel lhe acontecera mas incapaz de lembrar-se do que era. 
Imagens apareciam na mente como raios laser. Nick olhando-a com um sorriso cruel. Sons: a risada de homens. Sensaes. Mos masculinas tocando-a. E, zigue-zagueando, 
amedrontando-a, as mais terrveis e intensas ondas de pnico.
   - Est tudo bem, prometo. - Silas mal podia falar, a voz grossa misturava raiva, culpa, carregando o desejo de proteg-la e confort-la.
   - No! - Julia balanou a cabea e fechou os olhos. Silas a segurou, puxando-a para perto de si. 
   - Nada aconteceu.
   - Sim, aconteceu. Mas no consigo lembrar. Tudo o que posso lembrar  que Nick me deu um pouco de champanhe. No queria, mas ele insistiu. E, a... no consigo 
lembrar o que aconteceu, mas sei que foi alguma coisa horrvel. Estou com medo... Vai ter que se divorciar de mim.
   - O qu?
   - J ouvi falar... mulheres sendo drogadas e depois... Voc no sabe o que aconteceu porque no consegue lembrar, s tem algumas cenas que voltam em forma de 
flashback, e os homens sempre atestam que voc queria... Nick me odeia, e se ele... se eles... - O olhar da esposa deixou Silas chocado e atormentado de forma que 
no conseguiu falar nada.
   - Se eu engravidar... No sei se conseguiria... - sussurrou.
   - No se atormente. Nada aconteceu!
   - Voc fica dizendo isso, mas no sabe...
   - Claro que sei! Vi Blayne colocar a droga na sua bebida. Quando cheguei at voc, era tarde demais para faz-la parar de beber, e estava a ponto de desmaiar, 
mas foi tudo o que aconteceu.
   - Nunca saberei se  verdade ou se est dizendo isso somente para me proteger. E terei que viver o resto da minha vida me perguntando se est casado comigo porque 
quer ou porque se sente na obrigao de estar. No posso viver assim. Estavam me tocando! Senti as mos deles...
   - Aquelas mos eram minhas.
   Julia se afastou e o fitou, os olhos negros de tanto desespero.
   - Dou minha palavra de que estou dizendo a verdade. Entendo como deve se sentir, mas tenho que dizer que no gosto de pensar que no acredita em mim.
   - Sinto medo e... me sinto suja. Como conseguirei fazer amor com voc novamente quando no sei o que pode estar acontecendo dentro do meu prprio corpo?
   - O seu corpo no est diferente essa manh do que estava ontem  tarde quando deixou a quinta. No vou relutar para fazermos amor porque sei que no h motivo 
para no fazer isso, a no ser minha preocupao por voc. E se quer que lhe prove isso...
   - Onde est Nick? - perguntou Julia, sem responder ao desafio proposto pelo marido.
   - No tenho a menor idia. O Dr. Salves me advertiu que se quiser prestar acusao contra Blayne, ento...
   - No! Como posso fazer isso se  casado com Lucy? - perguntou, acrescentando j sem foras: 
   - Minha cabea di, e me sinto mal...
   Julia tremia muito, e Silas no perdeu tempo. Pegou-a no colo e a carregou at o banheiro.
   
   Julia olhou o ptio pela janela do quarto. Silas estava sentado ao lado da piscina, diante do laptop. Usava somente shorts, apesar de estar anoitecendo. J fazia 
quase uma semana desde que fora drogada. O Dr. Salves lhe garantira que em dois dias se recuperaria, fisicamente. E ela lhe disse que as sensaes de pnico e terror 
comeavam a diminuir. Mas, apesar disso, ainda era perseguida pelo medo de que o marido, por delicadeza, tivesse mentido quando disse que nada acontecera.
   Ainda um pouco trmula, dirigiu-se ao ptio. Quando Silas a viu caminhando na direo dele, desligou o laptop. Levantou-se, deixando-a vir.
   - Me conte novamente o que aconteceu comigo... quando... no aceito que no possa me lembrar! - disse com a voz engasgada, recuando quando o marido se aproximou.
   - Nada aconteceu.
   - Sempre diz isso, mas como posso acreditar se no lembro? Como vou saber se  verdade e que no est falando isso para me proteger? O Dr. Salves diz que talvez 
nunca me lembre do que aconteceu. Como posso saber se no consigo lembrar?
   Julia se encolheu quando Silas pegou sua mo equerda, recusando-se a deix-la ir embora. 
   - Quando me casei com voc, adquiri certas responsabilidades - comeou Silas.
   - Sim, sei, e  por causa disso que tenho medo de que esteja me protegendo - irrompeu Julia.
   - Uma dessas responsabilidades, ao menos para mim,  assegurar que a nossa relao, o nosso casamento, tenha as bases mais slidas que puder. E, para mim, as 
bases mais slidas que uma relao pode ter so aquelas da confiana e da honestidade. Confiana  uma estrada de mo dupla. Uma pessoa pode transmiti-la livremente, 
ou tem que ser conquistada. Mas tanto a pessoa que d e a que recebe tm a obrigao de honr-la. Acredito que honre nosso casamento porque sei quem voc . E sei 
que, apesar de no ter sido dito, ao se casar comigo, vai priorizar suas responsabilidades relacionadas ao nosso casamento e a mim. Confio em voc porque sei que 
posso porque a conheo. E prometo que pode confiar em mim tambm. Sim, acredito que seja minha responsabilidade proteg-la, e me culpo por no estar l para evitar, 
desde o incio, o que aconteceu. Mas no estaria lhe protegendo agora se mentisse a respeito do que aconteceu, e deixasse esses medos e dvidas se inflamarem. Uma 
ferida limpa, aberta, sempre cura melhor do que outra que est escondida. Se tivesse sofrido qualquer tipo de abuso fsico, teria lhe dito. Mas no sofreu. Cheguei 
at voc quando desmaiou, e as nicas mos que a tocaram foram as minhas. No abusaram de voc, e no foi violentada, e essa  a verdade. Dou minha palavra. Juro. 
No posso lhe devolver a memria que perdeu, mas posso prometer que sempre poder confiar em mim porque lhe digo a verdade... assim como sei que posso confiar que 
voc tambm  honesta comigo.
   Os olhos de Julia ardiam devido s lgrimas. Como poderia rejeitar o precioso presente que o marido lhe oferecia? S lembrava de ter se afastado dele essa manh, 
de se recusar a beij-lo, explicando que ainda se sentia contaminada e com medo, embora o Dr. Salves lhe tivesse assegurado que estava saudvel.
   - Julia?
   Incapaz de falar, balanou a cabea, virou-se e correu de volta  casa. Do quarto, viu quando Silas andou at a ponta da piscina. A sutil lmpada iluminava a 
privacidade do ptio cercado e da rea da piscina, mostrando-lhe os contornos bem definidos do corpo do marido, os ombros largos e fortes dos quais gostava porque 
eram msculos e a faziam sentir-se segura. Era musculoso mas sem exagero.
   Os shorts que usava, de pernas longas, em tecido de algodo branco e preto, eram o tipo preferido dos surfistas. Julia achava que aqueles shorts eram muito mais 
sexy do que alguns pequenos, justos, preferidos por certos homens.
   Julia o desejava tanto mas, ao mesmo tempo, estava repleta de medo ao pensar em fazer amor com o marido. Silas lhe assegurara que ningum a violentara. Mas Nick 
a violentara no prazer da relao fsica que Julia tinha com o marido. E aquela ligao era importante demais para o casal.
   Mas deixaria que Nick fizesse aquilo? Era to fraca e duvidava tanto a ponto de deix-lo destruir o prprio casamento? Ou era forte o suficiente para confiar 
em Silas? A escolha era dela.
   Julia se afastou da janela. Do lado de fora, o marido nadava na piscina. As braadas eram poderosas.
   Silas sabia que um casamento mudava a forma de pensar de um homem. No havia outra explicao para o jeito como se sentia e se comportava agora. Explicaes 
prticas e solues tm que ser sempre a preferncia de um homem. Ainda assim, ali estava, nadando em uma piscina, tentando se livrar do desejo que sentia pela esposa, 
e totalmente incapaz de encontrar qualquer tipo de exerccio que fizesse o mesmo com relao ao tumulto mental que o atormentava.
   Dizer que se sentia culpado, intil e cheio de raiva nem chegava perto para descrever o que realmente sentia. Queria tomar Julia nos braos e proteg-la. Queria 
t-la junto a si e traz-la de volta  vida feliz, sexy, alegre amante. S agora percebia o quanto a esposa o completava e o satisfazia como nenhuma outra mulher 
fizera antes. Queria lhe dizer que no aconteceria nada que o fizesse querer acabar com o casamento. No imaginava a vida dele sem a esposa. Mas tambm queria lhe 
dizer que sofria e precisava ter de volta a mulher que ela tinha sido - rindo e brincando, preenchendo as horas que compartilharam. Julia tinha uma luz especial. 
Sentia falta de acordar de manh abraado  esposa. Tambm sentia falta daquele sentimento especial de satisfao masculina que vinha quando a mantinha junto de 
si enquanto as batidas dos coraes desaceleravam at voltarem  normalidade tpica de um ps-orgasmo.
   Parecia incrvel que no pudesse pensar em nada nem em ningum a no ser em Julia. A esposa preenchia os pensamentos dele de tal forma que no havia espao para 
nada nem ningum mais. Era porque representava um problema que precisava de soluo, disse a si mesmo. Do jeito que as coisas iam, o curso tranqilo da vida e o 
futuro que planejara para os dois estavam sendo interrompidos. Essa manh, quando tentou beij-la e ela recuou, com os olhos cheios dgua, Silas tambm desejou 
chorar. E homens racionais no choram. Em vez diso, encontram solues.
   - Silas...
   Parou de nadar e olhou na direo de Julia, em p na ponta da piscina, usando um maio com um grande decote em V na frente.
   - Pensei em me juntar a voc. - Estendeu os braos na direo do marido e disse - Me pegue.
   A sensao do corpo da esposa nos braos quando Julia entrou na gua, fez com que Silas ficasse ainda mais excitado. A moa nadara para longe. Mas nem se comparava 
ao marido - um nadador poderoso e qualificado.
   Tomando flego, Silas deu um impulso e uma boa braada indo, por debaixo dgua, at a esposa. Pegou-a pelos tornozelos, puxando-a para junto de si.
   O perfume da noite combinava com a quentura sedosa da gua e do toque de Silas. Bastou um toque para deix-la acesa, pensando no prazer que lhe estava reservado. 
Julia, desanimada, fechou os olhos. Mas estava consciente do grande vazio que a entorpecia.
   Presa a Silas, sentiu o poderoso desejo dos dois corpos quando o marido, com um impulso, os trouxe de volta  superfcie. Enquanto retornavam, a respirao dela 
escapara numa corrente de pequenas borbulhas.
   Silas a beijava e Julia respondia mecanicamente, os lbios se abrindo obedientes, os olhos fechados, o corpo como o ar suave enquanto era acariciado. Depois, 
as mos do marido se aproximaram dos seios da esposa. Imediatamente, Julia se afastou e nadou em direo  parte mais rasa da piscina, onde poderia ficar em p.
   O marido a seguiu, tomando-a de volta nos braos. O corpo de Silas estava quente. Um pequeno arrepio, que no era nem de desespero nem de dor, despertou a vida 
dentro dela. Esperana ou incerteza? Ser que queria saber qual era?
   Determinada, aproximou-se do marido. Lembrou-se do amor e da felicidade que a invadia ao v-lo excitado embora no sentisse isso agora. Pinceladas mentais de 
carcias quentes, amorosas, prazer e excitao criaram uma imagem da masculinidade dele. Imaginava-se tocando-o, acariciando-o, beijando-o. E durante todo o tempo, 
meditava. Esse  Silas...
   E era o marido quem a puxava para perto, abaixando as alas do mai, deixando os seios descobertos, assim como os mamilos rgidos e salientes. Silas abaixou a 
cabea para beij-la.
   Colocou os braos ao redor dele e devolveu o beijo de forma intensa e apaixonada. Silas interrompeu o beijo, as mos envolvendo os seios da esposa. Acariciou 
um seio com a boca, depois, o outro. Banhando a pele fria com um calor delicioso enquanto Julia esperava, checando e monitorando a si mesma, ao lembrar que estava 
com medo e o que isso poderia acarretar.
   Silas a conduzia para fora da piscina, em direo s acolchoadas e confortveis espreguiadeiras. Pegando-a ao colo, colocou-a em uma delas. Depois, pegou uma 
toalha e comeou a sec-la, retirando-lhe o mai. Cada toque era uma carcia que ficava mais ntima. Julia se mexia, indefesa. Ele a conduzia a um lugar do qual 
tinha medo de ir por causa do que poderia encontrar l, mas no podia par-lo porque o prprio corpo no queria isso.
   O marido tirara a sunga e o olhar de Julia comprovou a excitao dele. Silas se ajoelhou sobre ela, que se aproximou para toc-lo. Esquivando-se, abriu as pernas 
da esposa com uma das mos. Abaixou a cabea. Os lbios tocaram a pele sensvel das coxas de Julia que sentiu um arrepio de prazer. Com a lngua, o marido a acariciava 
intimamente. A esposa pulsava, sentindo desejo. O medo que antes lhe roubara essa vontade, retomava devido  intensidade do que sentia no momento.
   No havia demnios escondidos, nem lugares escuros,  espera para destru-la. S havia isso, Silas, e uma necessidade irresistvel de compartilhar com o marido 
a alegria que sentia no prazer que ele lhe dava.
   - Foi maravilhoso. - A voz tremia e os olhos estavam molhados devido s lgrimas de alvio.
   Estavam lado a lado na espreguiadeira, e Silas se debruou sobre Julia, limpando as lgrimas do rosto dela com beijinhos antes de beij-la na boca. Tinha sido 
maravilhoso, surpreendente e perfeito. S queria permanecer assim, abraado  esposa e agradecendo, pelo resto da vida, o que aquela mulher era e o que tinha lhe 
dado.
   Mais cedo, quanto a fez sentir-se completa, atendendo aos pedidos para que fosse mais rpido, foi invadido pelo mais profundo temor. E, quando, segundos depois, 
j dentro dela, gozou, aquela sensao se tornou ainda mais intensa e significativa.
   Julia era sua alma gmea, a nica mulher que podia lev-lo s alturas. Sem a esposa, a vida seria vazia, no teria sentido. Era isso que as pessoas queriam dizer 
quando afirmavam amar algum? Era essa experincia imponente, intensa, que era o amor? Era isso... amor? Estava apaixonado?
   
   
   CAPITULO ONZE
   
   Julia sorria ao calar os sapatos, um modelo incomum, que Silas lhe mostrara quando estiveram em Marbella. Recusara-se a cair em tentao mas, essa manh, enfraquecera, 
e decidira ir  loja enquanto o marido resolvia alguns problemas de trabalho. Estavam na Espanha h mais de seis semanas.
   Ambos deveriam ter retornado s respectivas casas e passado algum tempo l antes do comeo de novembro, quando Julia tinha que ir para Dubai por causa da festa 
ps-Ramad. Mas Silas achou melhor permanecerem em Marbella, onde nenhum dos dois ficaria numa situao desconfortvel tendo que mentir sobre o fato de j estarem 
casados. E mais uma vantagem, ficariam juntos.
   Como poderia ter contestado? Estar junto do marido era a cada dia melhor. Nem o prazer de experimentar sapatos to bonitos poderia se igualar  felicidade que 
sentia por estar casada com Silas. Nunca sentira isso. Acordava com o corao danando de satisfao, e adormecia sabendo que tudo o que queria no mundo estava 
naquele homem, deitado ao lado dela.
   Sentia-se vivendo num planeta diferente, e cada pedacinho dela irradiava felicidade. Ficou impressionada como todos os homens que conhecera e namorara no foram 
certos. Silas - que era o ideal - sempre estivera presente. Aprendeu que tudo o que sofrera com Nick a ajudara a ver o quanto tivera sorte ao encontrar o marido. 
Sentia-se abenoada e sortuda. Sabia que Silas queria que Nick fosse perseguido e punido, via tribunal, pelo que tentara lhe fazer. Mas tambm sabia que o marido 
compreendia e aceitava que ela no fizesse isso por causa da amiga Lucy.
   Estivera longe de Silas por muito tempo e sentia falta dele. Deu uma olhadela nos ps. Os sapatos eram adorveis. E, do canto do olho, viu uma pequena amostra, 
do outro lado da loja, dos sapatos que experimentava s que em tamanhos bem pequenos, para bebs.
   O corao pulou. Os olhos demonstravam emoo. Se estava feliz agora, como seria quanto concebesse uma criana?
   Dirigiu-se aos pequeninos sapatos e os tocou com a ponta de um dedo. Como eram graciosos.
   - Quer um par? - perguntou a vendedora, mas Jlia balanou a cabea.
   - No ainda - respondeu, entregando-lhe os sapatos que queria comprar. - No ainda. - Mas quem sabe em breve? Silas iria querer um herdeiro e o av ficaria encantado 
se a neta o tornasse bisav, principalmente agora.
   Julia sorriu ao taxista, quando este parou em frente  entrada principal do Alfonso, dando-lhe uma generosa gorjeta. Perguntava a si mesma se iria at o clube 
beber algo gelado ou voltaria logo para ver o marido.
   Precisava pensar a respeito? Claro que no. No se incomodou em tentar a porta principal da quinta, indo pelo pequeno porto que dava no jardim, s em caso de 
Silas ter terminado de trabalhar e estar sentado  beira da piscina. Quando viu que o marido no estava l, atravessou o ptio e abriu a porta. Depois, parou, chocada. 
Reconheceu uma voz feminina que dizia, friamente:
   - Silas, no posso acreditar que tenha feito isso.
   - E no posso acreditar que tenha viajado de Nova York at aqui para me dizer isso, me - Julia ouviu o marido responder, com a mesma frieza.
   O que a me de Silas fazia aqui? E o que queria dizer?
   - Claro que no. A me de Julia queria conversar comigo pessoalmente a respeito dos planos para o casamento. Ento, fui a Londres. Queria saber se eu achava 
que ela havia esquecido algum dos amigos e quem mais eu gostaria de convidar. Est tentando manter a lista abaixo dos quinhentos convidados porque a Igreja de Amberley 
 muito pequena.
   Ao ver que o filho no dissera nada, a me continuou:
   - Tambm me disse que estavam aqui. Julia mantm mais contato com a me do que voc com a sua. E, j que estava em Londres, decidi que voltaria para casa via 
Espanha. Ento, poderia descobrir o que est acontecendo.
   - Sabe o que est acontecendo. Vamos nos casar.
   - Onde est Julia?
   - Na cidade. Comprando sapatos.
   Julia estremeceu ao ouvir a me dele suspirar. "Sempre suspeitara de que a atual sogra a considerava idiota, e o suspiro parecia confirmar isso.
   - Silas, eu esperava mais.
   Julia sentiu um aperto no corao. A sogra no a achava boa o suficiente para se casar com o filho.
   - No h mulher melhor do que Julia - defendeu-a o marido.
   - Quis dizer que esperava mais de voc, e no para voc. E sabe disso. Quando me contou, no aniversrio de dezoito anos de Julia, que planejava se casar com ela, 
no porque a amava, mas por questo de praticidade, porque era a esposa perfeita, eu lhe disse o que pensava.
   - Disse que no acreditava que Julia me aceitaria - concordou Silas.
   A visita da sogra foi uma surpresa. Silas e Julia estavam casados, mas ningum ainda sabia. A esposa queria contar pessoalmente  me e ao av antes que isso 
se tomasse pblico. O marido pensava em voltar  Inglaterra antes de irem para Dubai. Mas, no momento, relutava em dividi-la com quem quer que fosse. Queria v-la 
recuperada, feliz, antes de entrarem na tempestade emocional que viria com a notcia do casamento secreto.
   E a houvera aquela considerao final para faz-lo guardar segredo. Antes, negava que o amor fosse um conceito valioso. Agora, admitia que era uma fora que 
reescrevera o livro emocional e mental que o regia. Admitir que amava Julia tinha sido a coisa mais difcil que fizera. Sentiu-se exposto e vulnervel. Precisava 
de mais tempo para se acostumar e se sentir confortvel com isso e com ele mesmo antes de contar para o mundo que estava completamente apaixonado pela esposa. E 
tinha certeza de que a primeira pessoa a quem contaria isso no seria a me. Nas ltimas quatro semanas, imaginava-se sussurrando aquelas trs pequenas palavras 
para Julia uma vez que ainda no as dissera.
   A me saberia exatamente o que havia sido dito h alguns anos. Mas havia uma coisa que podia dizer.
   - Julia  a mulher perfeita para mim. - Perfeita em todos os sentidos. Principalmente em relao  alegria que trouxera  vida dele e ao amor que tinha pela esposa.
   No corredor, escondida, Julia se debatia com os prprios sentimentos. A revelao feita pela sogra a deixara chocada e magoada. Admitiu que Silas nunca lhe dissera 
que a amava. Simplesmente, assumira que o marido deveria am-la porque os sentimentos dela eram de amor - e porque nunca lhe ocorrera de que Silas se casaria por 
qualquer outro motivo. Agora, via que tinha sido ingnua. Ento, o que faria? Teria um chilique e gritaria que o amava? Pediria o divrcio porque o marido no a 
amava?
   Mas o que era amor? Coraes e flores? No poderia ser, de vez em quando, algo mais? Talvez... alguma coisa como um homem protegendo a esposa? Assim como aquele 
mesmo homem que lhe prometia garantir o futuro dela e o dos filhos. Assim como o homem que priorizava a partilha do prazer sexual. Essas coisas no eram uma forma 
de amor? Ou estava se enganando? Silas dissera que a confiana e a honestidade eram as bases do casamento deles. Confiava no marido.
   - Minha preocupao no  o quanto Julia ser uma esposa perfeita, mas o quanto voc a far feliz. Pretendo esper-la antes de retomar e, quando ela chegar, quero 
ter certeza de que no pressionou a pobre moa a se casar com voc...
   Julia respirou fundo. Depois, antes que mudasse de idia, saiu de onde estava e entrou na sala, dizendo:
   - Acho que acabei escutando s escondidas. Cheguei h alguns minutos, e no quis interromper a conversa entre me e filho. Mas devo dizer que compartilho dos 
mesmos sentimentos de Silas. Acho que temos em comum mais do que o suficiente para que o nosso casamento decerto.
   - Mas no est apaixonada?
   - Estar apaixonada no  necessariamente um pr-requisito para um bom casamento - respondeu Julia, com firmeza.
   Silas no dissera uma s palavra, e quando a esposa o olhou, ficou surpresa ao perceber que o marido a fitava quase lvido, como, se de alguma forma, o que dissera 
fosse desagradvel. Julia se aproximou e pegou a mo dele, antes de dizer: 
   - Acho que devemos contar a verdade  sua me.
   - A verdade?
   - No dissemos a ningum ainda, mas Silas e eu j nos casamos.
   Julia observou a sogra baixando o olhar. Depois, o reergueu na direo do rosto do filho, antes de se voltar para a nora que ficou corada ao ler as mensagens 
no verbais daqueles olhares.
   - No, ele no teve que se casar comigo - irrompeu Julia, indignada.
   A sogra presumiu, erroneamente, que os dois tiveram que se casar s pressas porque descobriram que a nora estava grvida. Mas Silas suspeitava que a me estivesse 
adivinhando a verdade - que apressara o casamento por amor e queria ter Julia junto dele.
   
   - Deveria ter confirmado que no se casou comigo porque eu estava grvida, em vez de rir - reclamou enquanto o marido lhe servia uma xcara de ch.
   Fazia pouco mais de uma hora desde que voltaram do aeroporto, onde a me dele tomou o vo de volta para casa e Julia comeou a se sentir muito cansada.
   - Fiquei chocado - explicou Silas.
   - Voc ficou chocado?
   - Nunca imaginei que pensasse com tanta rapidez e praticidade.
   Julia compreendeu o que o marido queria dizer.
   - No podia dizer  sua me que eu queria me casar com voc porque  o melhor cara com quem j transei, certo? - perguntou. No estragaria o que tinham, de jeito 
nenhum, irrompendo em lgrimas e implorando a Silas para dizer que a amava.
   - Talvez no exatamente com essas palavras. Embora ouse dizer que ela no teria se oposto a escutar que voc est apaixonada por mim.
   - Como disse, estou apaixonada por me proporcionar os melhores orgasmos que j tive.
   Por que isso o machucava por dentro em vez de deix-lo lisonjeado? Por que sentia que o sexo por si s no era suficiente?
   - No acha que ela dir alguma coisa  minha me ou ao meu av, acha?
   - Sobre transarmos?
   - No. Sua me no vai lhes contar que estamos casados, vai?
   - No. Embora tenha que admitir que no entendi o motivo de lhe contar a verdade.
   - Pensei que me arrastaria para Nova York, para me salvar de voc - explicou Julia.
   - E no queria isso?
   No! Quero passar o resto da minha vida com voc e no suporto pensar viver de outra forma, pensou Julia. Mas, claro, no poderia dizer isso ao marido.
   - No. Voc queria?
   - O qu? E deixar de acordar todas as manhs com voc falando, como num monlogo, com a minha masculinidade? O que acha?
   - Acho que o melhor lugar para se beber uma xcara de ch  na cama. - O mundo de Julia podia estar caindo aos pedaos, mas ningum saberia disso.
   - Boa idia. Mais tarde. Tenho que mandar alguns e-mails...
   - Para Aime? - desafiou o marido, com cimes. Silas franziu a testa.
   - Por que lhe mandaria um e-mail - Como Julia no respondeu, o marido respirou fundo e explicou: - No tenho vontade de mandar e-mail para Aime nem de ir para 
a cama com ela, se  isso que a preocupa. No a quero. Nunca a quis, e no iria quer-la mesmo que fosse a ltima mulher do mundo.  uma neurtica cujo comportamento 
beira a destruio... tanto a prpria quanto a dos outros. Agora, se no se importa, preciso de um tempo.
   Julia colocou a xcara em cima da mesa, de forma que Silas no visse o quanto as mos dela tremiam. Poderia ter negado que desejava Aime, mas tambm no quis 
fazer amor.
   Enquanto se afastava da esposa, disse a si mesmo que, do jeito que se sentia agora, no fazia sentido lev-la para a cama. Se fizesse isso, acabaria lhe mostrando 
que o sexo no era mais suficiente para ele. A ironia do que acontecera fez com que sorrisse com amargura. Estava to envolvido no prprio desejo de se casar com 
Julia, por questes prticas, que nunca pensou em perguntar-lhe os motivos para aceitar o casamento.
   
   
   CAPITULO DOZE
   
   - Resolvi tudo com o agente de viagens. O xeique Al Faisir vai nos oferecer uma quinta no Clube da Praia Jumeirah.
   Silas vinha tratando dos preparativos para a viagem deles a Dubai, e Julia concordava, tentando se concentrar no que o marido dizia. Ontem e hoje, ao acordar, 
sentira tanta nusea. E agora, sentia-se cansada.
   - O xeique tem ligao com a famlia dirigente de Dubai, e essa festa que vamos organizar contar com a presena de membros daquela famlia, assim como convidados 
da corporao - explicou Julia.
   - Ento, vai ser um grande evento?
   - Muito grande. Sugerimos ao xeique que mantivssemos uma glamourosa noite rabe como tema para a decorao. A festa est sendo oferecida em uma praia privada 
com acesso a alguns dos hotis mais exclusivos de Dubai. Os convidados vo poder sentar-se e comer em pavilhes especialmente projetados com esse propsito. Sero 
cobertos com sedas e veludos coloridos - o efeito total ser um tanto teatral, exuberante. Vamos ter a costumeira queima de fogos. Temos tambm um show com mgicos, 
engolidores de espadas, encantador de serpente, todo esse tipo de coisa. E uma danarina do ventre... uma estrela nacional. L, a dana do ventre  levada a srio. 
 uma forma de arte. Temos msica ao vivo. E uma lista de convidados que inclui um monte de nomes famosos, desde gente do cenrio de corridas de cavalos e profissionais 
do mundo do golfe, mais algumas estrelas da Frmula Um. H ainda as celebridades que compraram propriedades em Palm Islands. Mais de mil pessoas foram convidadas 
no total.  um contrato extremamente importante para ns.
   - E muito lucrativo tambm, posso imaginar.
   - Assim espero. Lucy insinuou que foi Marcus quem conseguiu o negcio.
   - Blayne vai? Espero que no.
   - No era o plano. S conseguimos o contrato depois que j tnhamos planejado toda a programao para esse ano. Tanto Lucy quanto Nick estavam envolvidos com 
outros projetos, foi por isso que peguei esse.
   - Ento, onde est Nick agora?
   - No sei.  estranho porque Lucy no menciona o marido.
   - Segundo a minha fonte, ele no est em Londres... ou, ao menos, se est, no est morando com a esposa.
   Julia no queria falar sobre Nick. Tinha coisas mais importantes e pessoais em que pensar. A ltima vez que a regra veio foi h cerca de cinco semanas? Ou h 
quase seis? Se foi h quase seis semanas, isso significava que estava atrasada? Ou seria algo mais? O corao batia acelerado como se fosse sair do peito.
   - H uma coisa... - comeou a querer dizer, a J voz meio rouca, mas o marido procurava o relgio, apressado.
   - Droga -j est na hora? Vou me atrasar para a partida de golfe se no for embora agora. - Abaixou-se para beijar rapidamente a esposa antes de sair.
   Julia suspirou, arrependida. Ser que estava grvida? Assim esperava. Talvez devesse ir a Marbella e comprar um kit caseiro de teste de gravidez antes de contar 
a novidade ao marido. Mas tinha que trabalhar.
   Silas havia sado h uma hora quando Julia ouviu algum batendo  porta. Pensando ser a empregada, vindo para saber se precisavam que fosse ao supermercado, 
Julia abriu a porta. Era difcil de acreditar que uma mulher jovem, magra, pele branca, loura, com seios grandes, estivesse em p, do lado de fora. Um pesado casaco 
j de pele estava pendurado em um dos braos. E uma pequena bolsa, de pele de cobra, agarrada a outra mo, cujos dedos ostentavam anis de diamantes.
   Julia a reconheceu.
   - Aime.
   - Tenho que ver Silas - disse, entrando na casa. - Onde ele est?
   - No est aqui - disse Julia.
   - No  aquela aristocrtica parente distante de quem ele est noivo, ? No pode ser. Silas detesta morenas. Adora louras elegantes. Onde ele est? No posso 
esperar para contar-lhe nossas novidades.
   Novidades? O que queria dizer com aquilo? Julia ficou ansiosa.
   - Voc  da famlia, no ? Ele no pode se casar com voc. Vai ter que se casar comigo, em vez disso. V... - Aime parou, criando suspense, antes de anunciar: 
- Vou ter um filho dele.
   Julia sentiu como se uma porta embaixo dos ps se abrisse e ela casse em uma armadilha, despencando na escurido repugnante.
   O marido lhe dissera que o casamento seria construdo com base na confiana e na verdade. E acreditara. Encontraria um jeito de se apegar quela crena agora.
   - Verdade? Que interessante. E tem certeza de que o filho  de Silas?
   Os olhos castanhos, demonstrando orgulho e falta de educao, se transformaram em pequenos seixos frios.
   - Claro que tenho certeza. Caso contrrio, no estaria aqui. Amo Silas e ele me ama, embora se recuse a admitir isso. Ele  tudo  que sempre quis. Nosso destino 
 ficarmos juntos. Nossas almas nos conduziram atravs do tempo e do espao para nos trazer aqui agora. Meu astrlogo fez nossos mapas. Diz que nunca viu um casal 
to harmoniosamente ligado um ao outro. Nosso filho ser um lorde...
   - Um conde - corrigiu Julia.
   Ser que Aime estava grvida de Silas? A barriga lisa e o corpo to magro... No parecia possvel ter um alfinete dentro dela, muito menos um beb, mas as aparncias 
enganam. O prprio estmago de Julia continuava cncavo.
   - Se eu fosse voc, arrumaria minhas coisas agora. No h motivo para tornar tudo mais difcil, certo? Silas no vai querer voc por perto. Vai ter que se casar 
comigo. Vou ter um filho dele. Um homem na posio de Silas precisa de um filho, e sei que o meu beb ser um menino.
   No era da natureza de Julia ser manipuladora ou desonesta. Mas, chocada, disse: 
   - Lamento mas, se quer ver Silas, ter que ir a Londres.
   - Londres? Mas me disseram que estava aqui.
   - E estava, mas a me dele passou por aqui faz algum tempo e pediu que o filho fosse a Londres para ajud-la a resolver alguns negcios.
   - Quando volta?
   - No sei. Disse para no esper-lo at o final da prxima semana.
   - Onde, em Londres, ele est?
   - Normalmente se hospeda no Carlton Towers.
   - No ficar com ele. Silas  meu, e vou t-lo... no importa o que for preciso. Onde posso conseguir um txi?
   - Do hotel.
   - Quer dizer que vou ter que andar at l nesses sapatos? - perguntou Aime, mostrando os sapatos de salto alto e fino.
   - Manolos? - adivinhou Julia.
   - Certamente. Consegui o mesmo modelo da mulher de Hilton, s que os meus so mais altos. Mas tambm acho que a minha conta bancria  maior.
   O seu ego certamente , pensou Julia.
   - Se quiser, volto andando com voc. - Qualquer coisa para se livrar dela antes que Silas chegasse.
   - Pode carregar o meu casaco. Mandei fazer especialmente para mim. - O estmago de Julia embrulhou. Teve nsias de vmito. Silas no podia amar essa mulher. Impossvel. 
Como estava ansiosa para se livrar de Aime, Julia pegou um atalho at o hotel. Passaram por uma piscina que tinha sido esvaziada antes de ser limpa. Julia andava 
com cuidado e evitava pisar muito perto da borda ladrilhada - mais por causa dos saltos altos da acompanhante do que qualquer outra coisa. A ateno estava voltada 
para o peso do casaco que tinha sido forada a carregar. De repente, a sensao de algum empurrando-a. Gritou ao perceber que perdia o equilbrio. Sentiu que estava 
sendo empurrada na direo da piscina vazia. Ao se virar, Julia viu a violncia enlouquecida nos olhos de Aime. Chocada, Julia gelou, tamanho o horror que sentia. 
Aime tentava machuc-la.
   Nenhuma delas tinha visto os trs funcionrios que vieram terminar de limpar a piscina. Os homens viram a cena e pensaram que se tratava de uma mulher tentando 
ajudar a outra que caa. Claro que, imediatamente, correram para ajudar. Agarraram Julia quando estava prestes a cair da borda mais alta da piscina.
   
   Julia no esperou Silas retornar  quinta. Esperava pelo marido  sada da aula de golfe,
   - Qual o problema? - perguntou assim que viu o olhar de ansiedade da esposa.
   - Aime veio v-lo - explicou Julia.
   - O qu?
   Podia ver o quanto o marido estava chocado.
   - Voc a ama? - Tinha que saber antes de lhe contar qualquer coisa mais. Tinha que ouvi-lo, embora sentisse j saber a resposta.
   - O qu! - repetiu.
   - Perguntei: voc a ama?
   - No - respondeu, srio.
   Sempre serei honesto com voc, Silas lhe dissera. Acreditara e continuava acreditando. O marido no mentiria.
   - Aime diz que ama voc. E...
   Silas xingou em alto e bom som - coisa que Julia nunca o vira fazer.
   - No podemos conversar aqui. Vamos voltar. Ela no est l, est?
   - No. Disse que voc tinha ido para Londres.
   - Ainda bem. No sei o que Aime lhe disse, mas prometo que aquela mulher no significa nada para mim...
   - Acredito. Mas ela pensa que vocs esto destinados a ficar juntos.
   - E uma obsessiva. Faz pouco tempo, em Nova York, percebi que me seguia.
   - Fez muito mais do que isso - retrucou Julia enquanto abria a porta de casa.
   - Como o qu? - perguntou Silas. Julia virou-se para o marido.
   - Aime disse que eu teria que desistir de voc porque ela espera um filho seu.
   A esposa esperava ouvi-lo dizer que era impossvel. Sabia que os homens transavam com as mulheres por razes diversas que nada tinham a ver com o fato de terem 
uma ligao emocional com elas. Mas, de alguma forma, pensara que Silas estava acima de tudo aquilo.
   -  maluca.
   - Mas pode estar esperando um filho seu? Estavam dentro de casa. Silas fechara a porta.
   - Sim.  possvel.
   Havia um bom nmero de respostas dignas que Julia poderia ter dado. Mas, por algum motivo, escolheu dizer, brilhantemente:
   - Oh, que engraado! Porque tambm acho que estou grvida. Qual de ns vai dar  luz primeiro? Ela, suponho.
   E a desatou a chorar.
   
   - Est se sentindo melhor agora?
   Julia balanou a cabea, concordando. Estava deitada na cama, embaixo das cobertas, com o marido sentado ao lado,
   - Me explique tudo novamente, por favor. Silas suspirou.
   - Muito bem. Aime  uma obsessiva. Tempos atrs, decidiu que estava apaixonada por mim. Comeou a aparecer em todos os lugares aos quais eu ia. Ligava para 
os meus amigos, convidava-se para os eventos dos quais eu participaria. Tentou inclusive subornar o porteiro para deix-la entrar no meu apartamento. Mas, graas 
a Deus, ele recusou. Entrou na sala de reunies da diretoria da Fundao e foi encontrada, deitada nua, em cima da mesa. Alegou que eu lhe dissera para me esperar 
l. Felizmente, eu estava fora do pas na poca. Me mandou cartas e fotografias...
   - E vdeos - acrescentou Julia.
   - Sim. Cheguei a pensar em pedir uma ordem judicial contra ela. Descobri que tem uma histria de problemas mentais, um complexo de compulso/obsesso que a 
famlia escondera. Disse ao pessoal que, se no procurassem algum tipo de ajuda mdica para Aime, eu mesmo o faria.
   - Teria feito isso?
   - Provavelmente no. Mas no sabia mais o que fazer para me livrar dela. Ento, uma noite, quando estava num desses eventos para angariar fundos para os trabalhos 
da Fundao, Aime apareceu. Eu conversava com um velho amigo da fraternidade, dos tempos da faculdade, quando ela se juntou a ns. Meu amigo comeou a falar da 
poca em que estvamos em Yale e como alguns de ns tinham sido persuadidos a doar esperma para um mdico que estava montando um banco de smen. Supostamente para 
fornecer smen de homens inteligentes, saudveis, de boas famlias, s mulheres que no podiam ter filhos. Na poca, acreditei. Todos ns atravessvamos uma fase 
idealista. Hal contava como esse mdico expandira o banco de doadores e se tornara um tipo de personalidade da mdia. E, longe de fornecer esperma gratuitamente, 
como nos dissera, cobrava milhares de dlares por isso. Aime se juntou  conversa e comeou a fazer perguntas a Hal sobre o mdico... quem era e onde estava, esse 
tipo de coisa. Deveria ter imaginado o que se passava pela cabea dela, mas no fiz isso.
   - Acha que ela pode ter comprado o seu esperma desse mdico?
   - Acho que comprou o esperma de algum com ele e se convenceu de que  o meu. Na poca, nos garantiram anonimato. Mas, sim, poderia haver uma pequena chance 
dela carregar um filho meu. Julia, no chore, por favor...
   - No posso deixar de pensar no pobre beb. Silas, temos que fazer tudo que pudermos para lhe garantirmos segurana. Quando Aime souber que voc no vai me 
deixar e se casar com ela, talvez no queira mais essa criana.
   - Julia, talvez no seja meu filho.
   - Mas talvez seja.  nossa obrigao fazermos tudo o que for possvel. Acha que Aime deixaria que adorssemos esse beb? Poderamos criar os dois juntos? No 
posso imaginar no pobrezinho crescendo e pensando que voc no liga para ele e se sentindo rejeitado. Mesmo que Aime no deixe que o adotemos, voc tem que se 
certificar de que ele vai conhecer o pai, e que pode vir para ficar conosco...
   Silas comeou a balanar a cabea.
   - Primeiro, teria que haver um teste de DNA.
   - No acho que seja uma boa idia - protestou Julia.
   - Por que no?
   - Silas, Aime vai ter esse filho porque acha que  seu. Se descobrir que no , pode rejeit-lo. Ento, no ter ningum. No pode fazer isso com esse beb. 
 muito cruel.
   O marido pensava que a conhecia. Porm, conclura que no a conhecia completamente. Pensara, na sua arrogncia, que era superior  esposa - em termos intelectuais, 
emocionais e morais. Agora, sabia que o contrrio  que era verdade. Julia lhe mostrara tanta sabedoria, compaixo e tanto amor que Silas se sentiu humilhado 
e envergonhado.
   - Primeiro, deve me achar o pior idiota por ter doado aquela droga de esperma - disse, desanimado.
   Julia balanou a cabea.
   - No acho. Para falar a verdade, Silas, o admiro por causa dessa atitude. Isso o torna humano e caridoso. Acho que  um gesto repleto de emoo e significado, 
muito especial. Voc se preocupou em querer dar a outras pessoas o presente de uma criana, visto que no poderiam ter por si mesmos.
   - Oh, Julia, no. Amo voc demais. Julia o observava, os lbios entreabertos.
   - Poderia repetir? - engoliu em seco. Uma onda de calor o pegou de surpresa.
   - Por qu?
   Nervosa, comeou a mexer na prega da coberta da cama.
   - Bem, quero ter certeza de que realmente disse que me ama antes que eu lhe diga que o amo tambm. E...
   A esposa sorria, aquele sorriso adorvel, cheio de luz, que parecia um raio de sol tocando o corao de Silas.
   - Realmente disse  sua me que ia se casar comigo anos atrs?
   - Sim. Mas no tinha a menor idia do real motivo at pouco tempo.
   - Quanto tempo depois?
   - Quando a vi sorrindo para Blayne depois dele a ter drogado. Quando soube que a sua felicidade era mais importante para mim do que qualquer outra coisa. Soube 
ento que no se tratava de praticidade, era amor.
   - Mas disse  sua me...
   - Disse  minha me que voc seria a esposa perfeita. E voc . Que inferno, Julia. No podia dizer  minha me que amava voc se ainda no lhe tinha dito isso.
   - Foi to duro e desagradvel comigo depois que sua me foi embora que pensei que no me queria mais.
   - Estava com muito medo de toc-la, caso perdesse o controle, e de lhe contar como me sentia. E como podia fazer isso depois que disse que concordava com as 
minhas razes para me casar com voc?
   Julia se aproximou e, carinhosamente, tocou o rosto do marido.
   - Amo tanto voc.
   - H alguma chance para que eu possa demonstrar meus sentimentos? - perguntou Silas.
   Julia suspirou de felicidade e abriu os braos para o marido.
   - Sem chances... s a completa certeza - tentou sussurrar entre beijos apaixonados e palavras de amor, com as quais Silas afirmava que a esposa era dele.
   
   
   EPLOGO
   
   - Oh, Silas, veja - est nevando!
   Julia estava aconchegada no sof aveludado, no jardim de inverno, em Amberley, o filhinho de seis meses adormecido no beb-conforto ao lado dela.
   Tinha sido idia de Silas que Henry Peregrine Gervaise Crter - ou beb Harry, como a famlia o chamava - fosse batizado na Igreja de Amberley, no dia em que 
faria um ano que os pais tinham reafirmado os votos de casamento. Claro que Julia ficou satisfeita e concordou.
   O nascimento do bisneto dera ao conde uma nova vida. Insistia que pretendia viver o bastante para experimentar o vinho especial, guardado na poca em que Harry 
nasceu, quando o bisneto atingisse a maioridade.
   -  cedo para termos neve - comentou Silas enquanto se dirigia  janela para olhar l fora. Depois, voltou e sentou-se ao lado da esposa. - Como Lucy vai chegar 
aqui? Se vier de trem, posso peg-la na estao.
   - Falei com ela mais cedo. Disse que vem dirigindo. Estou feliz por Lucy ter concordado em ser madrinha de Harry. Passou por uma fase difcil no ano passado. 
Primeiro, ao descobrir que Nick estava tendo um caso e pedindo o divrcio. Depois, todos os problemas que enfrentou com a firma.
   - Acho que est muito melhor sem Blayne, embora concorde que no deve ter sido fcil lidar com a confuso financeira deixada pelo ex-marido.
   - Gostaria que Lucy deixasse voc ajud-la. Odeio pensar na luta que est tendo quando temos tanto dinheiro.
   -  orgulhosa e temos que respeit-la. Mas conversei com Marcus e disse para nos ligar sempre que ela precisar de ajuda. De onde isso veio? - perguntou Silas, 
de repente ao ver um exemplar da revista A-List Life no cho, perto da esposa.
   - Comprei quando fui  cidade essa manh - confessou Julia. - Mas ainda no a li. Adormeci depois que amamentei Harry. Seu filho tem muito apetite. - Abaixou-se 
para pegar a revista, folheou e ficou tensa diante de uma das pginas. - Veja isso!
   - O qu?
   - Isso! - disse, mostrando ao marido a pgina que chamara a ateno dela e lendo alto o artigo publicado. - Uma das mulheres mais ricas de Nova York anunciou 
seu noivado. A milionria Aime DeTroite acabou de anunciar que vai se casar com o seu astrlogo, Ethain Lazlo, que afirma ser descendente de Rasputin e que adota 
um penteado similar. Aime e Ethain planejam se casar na vspera do Dia de Reis, uma data que o astrlogo considerou ser predestinada para uni-los.
   - Bem, desejo que tenham sorte. Vo precisar. Ainda assim, se ele  to bom em prever o futuro como gosta de afirmar, com certeza, j sabe o que est reservado 
para ambos.
   - Silas, isso no  muito gentil - protestou Julia, mas no insistiu no assunto. Sabia que o marido ainda se sentia chateado com relao  forma como Aime se 
comportara.
   Depois de anunciar que teria um filho de Silas, Aime se recusou a ir a todas as consultas mdicas marcadas pelos advogados dele. Chegou a alegar publicamente 
que tinha medo de que o renomado ginecologista, que Silas indicara para que confirmasse a gravidez, estivesse sendo pago para for-la a um aborto.
   Entretanto, os advogados do futuro conde conversaram com o mdico que dirigia o banco de smen, para o qual Silas contribura com o prprio esperma, e ele insistiu 
que o anonimato dos doadores nunca fora comprometido ou que o sigilo tenha sido violado. E que, apesar de Aime o ter contatado e implorado para que lhe fornecesse 
o esperma de Silas, deixou bem claro que isso no aconteceria. De fato, no final, como ficara preocupado com a sade mental de Aime, avisou-a de que deveria se 
submeter a um curso de aconselhamento extra alm do referente  pr-concepo, todos aos quais as pessoas a quem fornecia esperma tinham que se submeter.
   Em uma carta a Silas, o mdico avisou que, desde a poca em que o esperma foi doado, h mais de quinze anos, a tecnologia tinha feito grandes avanos. Dessa forma, 
decidira se desfazer de qualquer esperma com mais de trs anos e recomear. Ento, mesmo que quisesse ter ajudado Aime, teria sido incapaz de faz-lo.
   - No acha que Aime estava grvida e, ao descobrir que no seria capaz de for-lo a se casar com ela, abortou, acha? - perguntara a Silas na poca.
   O marido suspirou.
   - No, Julia, no acho isso... e nem meus advogados. Devo admitir que fiquei surpreso por Aime no tentar anunciar que abortara espontaneamente em vez de admitir 
que tinha mentido. Mas os meus advogados dizem que ela no fez isso porque o advogado dela deve t-la avisado que, se fizesse isso, poderamos pedir para ver o relatrio 
mdico que confirmasse a denncia. Um aborto aos seis ou at aos sete meses no  como um aborto aos trs. Afinal de contas, estaramos falando sobre a morte de 
uma criana totalmente formada. At os advogados dela admitem que no  a primeira vez que ela tenta aplicar esse golpe. Houve uma situao semelhante quando Aime 
tinha dezessete anos. Mas, na poca, ela afirmou que o rapaz tambm a violentara.
   O pequeno Harry acordara e gorgolejava, feliz. Imediatamente, o pai se abaixou e tirou o filho do beb-conforto, segurando-o nos braos. Julia sorriu ao ver 
a comunicao entre os dois. O olhar de Silas era de orgulho e amor.
   A ansiedade sofrida pelo casal devido s mentiras de Aime aproximou ainda mais marido e mulher. E para satisfao de Jlia, Silas no somente se abriu totalmente 
com a esposa, contando-lhe tudo o que acontecia, mas tambm lhe pedira opinio e a considerava. Dessa forma, todas as decises foram tomadas de comum acordo. Eram 
um time, estavam unidos pelo amor que sentiam um pelo outro.
   - Quando voltarmos a Nova York, tenho que fazer os arranjos finais para o evento de arrecadao de fundos para os trabalhos da Fundao - lembrou-o. - Espero 
que seja um sucesso.
   As anfitris da sociedade de Nova York tinham uma reputao invejvel pela excelncia dos eventos de caridade, para arrecadao de fundos, tanto em termos de 
dinheiro arrecadado como de exclusividade. E Julia soube disso ao ser recebida e aceita pelas esposas de outros nobres como Silas. O sucesso ou o fracasso do primeiro 
evento, pessoalmente organizado por Julia, era o teste pelo qual tinha de passar.
   Nas ltimas seis semanas, posara para o retratista, a quem Silas encomendara um retraio da esposa usando as jias do maraj, com o pequeno Harry ao colo, e um 
dos braceletes da princesa. O quadro seria exibido, pela primeira vez, na noite do evento, junto com as jias. E Julia acreditava que s as jias j iriam garantir 
que o evento fosse um sucesso.
   Escolheu ajudar orfanatos e crianas de ma e, deliberadamente, escolhera mostrar, junto com o retrato e algumas lindas fotos das jias, uma srie de fotos de 
crianas vivendo em circunstncias desoladoras. De um lado, a riqueza. Do outro, a pobreza. O objetivo era levantar para caridade uma quantia equivalente a dez 
milhes de dlares, o valor das jias do maraj. Nenhum bem material deveria valer mais do que a vida de uma criana, certo?
   - Obrigada - murmurou Silas ao se inclinar para beij-la.
   - Por qu?
   - Por tudo. Estive certo durante todos esses anos. Voc  a esposa perfeita para mim... perfeita em todas as formas. E eu a amo mais do que posso encontrar palavras 
para dizer isso.
   
   FIM
   
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